Por que, em circunstâncias diversas do cotidiano, somos ou tentamos ser ardilosos? Porque, a princípio, entendemos que todos o são, esquecendo-se que: generalizar a perversidade faz com que nos afastemos cada vez mais uns dos outros, mas, principalmente, daqueles que primam a solidariedade.
A nossa liberdade de pensamento está atrelada e, portanto, presa ao modelo que assimilamos sem contextualizar com a veemência devida, a raiz original, a genealogia, o viés cultural que encapsula a sociedade subjacente.
Tomemos como exemplo a política, que é também a arte de reverter princípios. Após confinar o maior número de fidelizados a uma causa que inicialmente tendia à razoabilidade, ou até nobre, e mesmo que se enterrem até o pescoço em promessas, é certo que em algum momento eles — sempre entendendo que o prometido era, a eles, apenas algo que “deveria parecer ético” — roerão a corda; porém até lá, manterão o discurso inicial; aliás, não é dessa forma que age, a maioria de nós?
Alguém disse
que seguimos o mal não por conta específica dele em si, e sim, porque não praticamos
com diligência o exercício do pensamento; em suma, não raciocinamos com nossas
próprias cabeças. É comum que nos associemos a déspotas ou um grupo deles sem
saber ao certo do que se trata, claro, afinal somos falíveis e não somos
obrigados a saber que eles nos prepararam uma armadilha, porém era importante
entender e sempre ficar atento se o que nos levou ao centro da arena continua
sendo um princípio que então defendíamos, mas isso somente é possível se
conseguirmos atingir algum pensamento próprio.
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