sábado, 21 de fevereiro de 2026

Roendo a corda

 











Por que, em circunstâncias diversas do cotidiano, somos ou tentamos ser ardilosos? Porque, a princípio, entendemos que todos o são, esquecendo-se que: generalizar a perversidade faz com que nos afastemos cada vez mais uns dos outros, mas, principalmente, daqueles que primam a solidariedade.















A nossa liberdade de pensamento está atrelada e, portanto, presa ao modelo que assimilamos sem contextualizar com a veemência devida, a raiz original, a genealogia, o viés cultural que encapsula a sociedade subjacente.













Tomemos como exemplo a política, que é também a arte de reverter princípios. Após confinar o maior número de fidelizados a uma causa que inicialmente tendia à razoabilidade, ou até nobre, e mesmo que se enterrem até o pescoço em promessas, é certo que em algum momento eles — sempre entendendo que o prometido era, a eles, apenas algo que “deveria parecer ético” — roerão a corda; porém até lá, manterão o discurso inicial; aliás, não é dessa forma que age, a maioria de nós?















Alguém disse que seguimos o mal não por conta específica dele em si, e sim, porque não praticamos com diligência o exercício do pensamento; em suma, não raciocinamos com nossas próprias cabeças. É comum que nos associemos a déspotas ou um grupo deles sem saber ao certo do que se trata, claro, afinal somos falíveis e não somos obrigados a saber que eles nos prepararam uma armadilha, porém era importante entender e sempre ficar atento se o que nos levou ao centro da arena continua sendo um princípio que então defendíamos, mas isso somente é possível se conseguirmos atingir algum pensamento próprio.









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Dever de casa

 









Como observador do comportamento humano; um pouco cansado, diga-se de passagem; há décadas detecto e perscruto praticamente tudo que meu apurado alcance periférico detecta; me detendo no que chama a atenção; o que vem, tão natural quanto paulatinamente, muito por conta do truísmo enfadonho das ações terceiras, perdendo a graça. Há algum tempo, tento deter esse ímpeto — ao menos no que se refere à crítica especulativa ou mesmo destrutiva; ao fim é interessante alguma evolução pessoal; o voltar-se para dentro e assumir com humildade o mea culpa. Essa percepção ocorreu, antes de me dar conta da profusão de material físico e empírico a minha disposição; portanto, suficiente para continuar escrevendo ocaso adentro — embora o comportar humano nos surpreenda a cada nova esquina. E este insight se deu como sempre, aleatório; aqui, durante uma das minhas esporádicas caminhadas na orla, onde então apontei que: “Não perceber o externo, abandonando-o”, tal Peter Kien em Auto-de-fé, “e mesmo não me fazer notar, são tanto minhas maiores dificuldades quanto um imprescindível dever de casa final.”







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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Catástrofe

 









As adversidades são um imperativo intrínseco e condicional ao nosso estado atual da existência; e há muito pouco a se fazer, além de ser de difícil execução, para escapar desse indigesto contexto. Raça, status, poder; nenhum ser humano está minimamente imune a tribulações de toda ordem, nem mesmo em um mísero ano de uma vida octogenária.   










Se se é ousado ou não, se se mantem estagnado, inerte à vida, entregue à espera ou se trata você de um visionário, um empreendedor, mesmo adepto totalmente às leis, ao respeito generalizado; de fé inabalável ou adjudicado ao bem — esses, ao que parece, suportam uma carga extra de perrengues —, a regra dos dissabores atinge a todos.










E somente o conhecimento pode amenizar as inexoráveis ondas de toda sorte e vaticínios que pairam sobre nossos espíritos — ainda que muito do que conhecemos, vem, justamente, dos rescaldos dos sinistros enfrentados e apreendidos à duras penas. 









E podemos imaginar como é perder tudo? Afinal essa é uma realidade que pode atingir mesmo pessoas abastadas; e em se concretizando, era preciso entender que isso não é o fim, e embora se deparar com esse infortúnio estarrecedor, esporadicamente, leve um que outro personagem a loucura, a insanidade ou a desatinos perturbadores; novamente o conhecimento e certa paciência somado a resiliência, poderão tornar o existir de volta aos trilhos, fato que se dá de formas diversas, caso a depressão e o vício não torne tudo mais difícil ou impossível.










As vezes somos obrigados à resiliência, me parece que ser resiliente não é algo a que possamos nos vangloriar — antes é preciso entender que nem sempre se há outra escolha àqueles cuja lucidez não lhe foi tirada —; as pessoas com essa condição, apenas são mais determinadas, menos propensas a preguiça ou a falta de vontade, ou dotadas daquele orgulho bom que instiga ao recomeçar; sob este ponto de vista: essas não são apenas vantagens mas requisitos pessoais, frente ao universo de condições, alinhamentos e perspectivas que nem imaginamos possuir exceto quando de ocorrências calamitosas, onde, independentemente da forma, todos merecem o mais sincero respeito por todo e qualquer desprendimento.










Deveríamos entender que a situação catastrófica que se apresenta, ao contrário do que vemos à primeira vista, aos poucos, se formos minimamente razoáveis ao assumirmos que não há o que fazer e nada vai acontecer se ficarmos lamentando o ocorrido, paulatinamente, a escuridão, obrigatoriamente se dissipará, afinal, ao se perder tudo, há uma oportunidade de começar um caminho novo se a vontade for aplicada com toda a energia que ainda existe naquele que não se deixou abater. Quantos de nós realmente amamos o que fazemos ou gostaríamos de testar novas experiências? Tudo, se observado com algum discernimento, pode ser a porta para nova oportunidade; e nesses infortúnios, ao invés de se perguntar, “por que comigo”, “o que eu fiz para merecer isso”, não é a solução; milhões de pessoas no planeta podem estar em condições ainda piores a que nos encontramos naquele instante, no entanto, resignar-se passivamente também não irá ajudar; quem garante que acontecimentos similares não se dão para, em momentos chaves, nos oferecer oportunidades únicas: mostrando que é hora de nos enxergar além do que vínhamos imaginando ser.










Após um exame mais detido, quem sabe tentar projetos engavetados, ainda que inicialmente se mostrem simples, mesmo baratos, ou apenas sobreviver em condições menos tumultuadas. A reconstrução é difícil, porém possível. Voltando a resiliência, uma das nossas maiores vantagens é que somos criativos e, basta uma fagulha de vontade para fazermos coisas belas acontecerem. A catástrofe que pode nos atingir é uma das melhores oportunidades para reconhecer verdades fáceis a serem finalmente esquecidas para então embarcarmos em recomeço definitivos e auspiciosos.








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Conversas contraproducentes

 











Aprendamos de uma vez por todas; essas pequenas conversas insistentes, ainda que pareçam desinteressadas, principalmente aquelas que possuem tons invasivos, são contraproducentes e, se não sugam, mais, desperdiçam nossas energias.












Saber ouvir é sempre dizer sim? Complicado isso. Como fazer quando não suportamos ou entendemos que estamos ouvindo o lamuriar alheio por educação, ao perceber que o necessitado da vez é egoísta e nos está usando apenas para derramar suas lamúrias por não saber ou não querer gastar seus míseros trocados com especialistas que estudaram apenas para isso? ... ou ainda pior, buscando em nós um salvo conduto para suas atitudes egóicas irremediavelmente irresponsáveis, amorais e desrespeitosas!?!












Autocentrados, pode que nos peguem desviando de caminhos e assuntos a nos enredar para seus círculos viciosos ordinários e, a partir de então, caso não somos suficientemente cuidadosos, acrescentam também nós, em suas aporrinhações queixosas e enfadonhas, impregnadas de verborragias maçantes... apenas por um tempo em outros ombros, ao final esses tipos, geralmente não encontram muitas opções, e acabam retornando com a habitual cara lavada de sempre.








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sábado, 31 de janeiro de 2026

Famiglia vs. Spazio externo

 








Torno a casa dopo una breve passeggiata mattutina e il mio vicino, mentre gira la chiave nel cancello, pronto a entrare nella sua residenza, vedendomi, si arrende e viene a salutarmi. In un misto di stranezza e curiosità, anche se con una certa riluttanza – ho sempre delle faccende da sbrigare – lo saluto con tutta la riverenza che riesco a raccogliere, come è consuetudine del buon vicinato. Più di 15 anni fa ha costruito la sua casa sulla spiaggia a pochi metri dalla nostra; in quel periodo credo che non abbiamo scambiato più di una dozzina di parole, anche se ci salutiamo sempre molto gentilmente.









Conosco alcune delle sue peculiarità grazie ai commenti di un altro vicino, più vicino a entrambi, che non è rilevante discutere qui. All'inizio, in modo piuttosto scortese; come se fosse normale che i vicini spettegolino, mi ha fatto domande sulla mia nuova attività, sul camion parcheggiato davanti a casa nostra da quasi tre mesi. Gliel'ho detto brevemente; e, sostenendo di essere un imprenditore visionario e opportunista, mi ha consigliato come sfruttare al meglio l'opportunità che mi era capitata tra le mani dopo mezzo secolo di diversi lavori, poiché era un eccellente negoziatore che aveva concluso ottimi e ottimi affari non solo qui, ma anche all'estero.










Sono pessimo nel comunicare quando devo essere diretto, e tra espressioni di gratitudine e risposte evasive, ho detto che ci avrei pensato e che l'idea era piuttosto tempestiva, sebbene comportasse un lavoro esterno, il che mi fa rivoltare lo stomaco, dato che ho sottolineato questo aspetto – anche se non ce n'era bisogno – come un problema. Mi ha corretto con veemenza, osservando che non c'è modo di arricchirsi senza pesi, sebbene abbia usato un detto popolare per parlarne, come ho sentito l'altro giorno: "se non vuoi rumore, non collezionare lattine".










Così, come se avessimo avuto una conversazione normale per anni, ha raccontato alcune iniziative e opportunità che avrebbero potuto garantire loro una pensione ancora migliore, ma sua moglie è un peso che si porta sulle spalle da mezzo secolo, sempre contrario a qualsiasi opportunità di investimento che gli si presenti. Sua moglie, sempre contraria, preferisce i risparmi, ha detto. E poi ha detto qualcosa di ancora più assurdo: "Le ho già detto che quando morirà, metterò una cassaforte con tutti i soldi che ha risparmiato sul suo conto accanto alla sua bara". Può sembrare incredibile quello che sto dicendo, ma è la pura verità; dopotutto, come se l'assurdità dell'affermazione, della sua analisi unilaterale, non fosse abbastanza; dal suo punto di vista, le cose non sono diverse, dopotutto, è un uomo sulla settantina, e cosa farà dei suoi investimenti dopo la sua morte? Li porterà anche nella bara? Lo so, lo so; Se avesse continuato con le sue iniziative imprenditoriali, forse avrebbe dato impulso all'economia e creato posti di lavoro; tuttavia, ciò che intendeva dire si riferisce ancora alla sua situazione economica e non a una condizione altruistica combinata con la sua evoluzione come essere umano.










Ho riflettuto su questa conversazione per tutto il giorno, finché il giorno dopo non ho abbozzato quello che sarebbe diventato l'argomento di oggi: come, con certi aggiustamenti e ingoiando il nostro orgoglio, riusciamo a cavarcela o ad andare d'accordo abbastanza bene, professionalmente e non, in vari luoghi fuori casa, e quindi passiamo tutta la vita a occuparci di enormi problemi, e persino sotto tale pressione capiamo che dobbiamo essere abbastanza eloquenti da evitare conflitti che macchiano il nostro curriculum, la nostra storia – dopotutto, non sappiamo nulla del domani, alla cui porta dovremo bussare, a volte anche di nuovo – eppure, quando siamo a casa, non riusciamo a raggiungere una pace duratura, o qualcosa del genere, con una manciata di persone che sono più che necessarie al nostro benessere per gran parte della nostra vita?










Ci sembra che questo accada con figli e coniugi, logicamente, in un contesto familiare normale. Ci prendiamo del tempo per decidere con quale persona formare un'unione, poi arriva la decisione congiunta su uno o più figli, e molti potrebbero chiedersi: perché la famiglia può essere fonte di delusioni ingiustificate?










In questo esercizio, cerchiamo di fare un breve confronto tra il nostro comportamento nella vita quotidiana, dove trascorriamo buona parte del tempo a contatto frequente con le stesse persone e, in un certo senso, siamo approvati in termini di relazioni, ma quando si tratta di relazioni familiari, non sempre otteniamo gli stessi voti alti.










Un uomo d'affari, un impiegato, un cassiere, un ascensorista o chiunque di noi scelga attività che implichino l'interazione con le stesse persone per alcuni o molti anni, è certo che le cose sfuggiranno di mano di tanto in tanto, ma non è paragonabile alla difficoltà di relazionarsi con chi condivide lo stesso tetto.










Potremmo quindi proporre elementi extra, qualcosa di psicologico, o immateriale, o metafisico, o persino spirituale; questioni difficili da affrontare; considerando che a scuola, per strada, tra amici, al lavoro, riusciamo a resistere, ma a casa sembra così difficile.










Le ragioni possono essere diverse, psicologiche o meno: ci si sente vincolati o obbligati, non c'è cooperazione reciproca, non si è stati del tutto onesti prima dell'unione* e non lo si è più; a causa di azioni impreviste, ma sembra che ciò che conta di più sia la mancanza di dialogo e l'orgoglio che genera competizione. Soprattutto, vivere insieme è un atto di umiltà, e dove c'è amore, c'è umiltà.










Logicamente, non possiamo paragonare la vita familiare a quella professionale; qui cerchiamo solo di richiamare l'attenzione sulla dicotomia, il paradosso, l'antagonismo tra le due versioni della relazione. Nella sfera professionale o in qualsiasi altra relazione fuori casa, gli interessi più vari dettano le regole, mentre in casa è richiesta una certa tranquillità da entrambi per quanto riguarda la sicurezza del contratto familiare, e qui può risiedere il nodo gordiano della relazione, dove la scarsa conoscenza dell'uno o dell'altro, sebbene più spesso di entrambi, nel non comprendere che la strada migliore per la pace coniugale è l'associazione reciproca volta alla stabilità e quindi all'evoluzione di entrambi, e questo accordo non solo andrà a beneficio di entrambi ma molto probabilmente manterrà l'equilibrio fisico e psicologico dei figli, che raramente hanno un comportamento adeguato a ciò che i loro genitori immaginano e necessitano di una socializzazione minima poiché l'armonia dell'ambiente non è adeguata.

 









I figli ben preparati sono il seme per relazioni future basate sull'amore e sul rispetto, quindi, tutto sommato, ma questo diventerà molto meno turbolento se avranno come esempio genitori che conoscono il vero significato di famiglia.

 









*Enlace — anche se non mi piace questa parola quando si riferisce all'unione di due persone, dopotutto, in portoghese suona come "laço" (legame), l'ho lasciata apposta come ulteriore forma di riflessione.









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Das apostas cotidianas — Loteria do acaso

 










Embarcados em uma nave molecular, erramos indefesos; e as súplicas servem apenas como um bálsamo anódino onde a esperança responde esporadicamente a um que outro qual prêmio raro de apostas cotidianas, evidentemente, porém, de contemplações escassas.










Inadvertidamente, de desvãos em desvãos, continuamos com nossas petições aos céus; observando terceiros que nos parecem sortudos ou abençoados, e então rogamos ainda com mais energia, apostando na loteria do acaso, válidas, porque não; sempre com seu grau de importância, necessidades e alinhamentos ocultos, afinal ao que desconhece, conta o que aprendeu, e no mais das vezes, se mantem estagnado enquanto aguarda envolvido em seus afazeres comezinhos; ainda não podemos apostar em um veredito final, de o porquê assim se dá, porém já há muito tempo, compêndios de toda ordem esmiúçam em idiomas e letras diversas, que o esperar puro e simples não é a solução mais acertada.









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Do hedonismo possível

 












Poder dizer, "minha vida é isso", untado de muita consciência, independentemente de como se vive, é o cânon a ser aqui atingido.






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