As
adversidades são um imperativo intrínseco e condicional ao nosso estado atual
da existência; e há muito pouco a se fazer, além de ser de difícil execução,
para escapar desse indigesto contexto. Raça, status, poder; nenhum ser humano
está minimamente imune a tribulações de toda ordem, nem mesmo em um mísero ano
de uma vida octogenária.
Se se é
ousado ou não, se se mantem estagnado, inerte à vida, entregue à espera ou se
trata você de um visionário, um empreendedor, mesmo adepto totalmente às leis,
ao respeito generalizado; de fé inabalável ou adjudicado ao bem — esses, ao que
parece, suportam uma carga extra de perrengues —, a regra dos dissabores atinge
a todos.
E somente o
conhecimento pode amenizar as inexoráveis ondas de toda sorte e vaticínios que
pairam sobre nossos espíritos — ainda que muito do que conhecemos, vem,
justamente, dos rescaldos dos sinistros enfrentados e apreendidos à duras
penas.
E podemos
imaginar como é perder tudo? Afinal essa é uma realidade que pode atingir mesmo
pessoas abastadas; e em se concretizando, era preciso entender que isso não é o
fim, e embora se deparar com esse infortúnio estarrecedor, esporadicamente,
leve um que outro personagem a loucura, a insanidade ou a desatinos
perturbadores; novamente o conhecimento e certa paciência somado a resiliência,
poderão tornar o existir de volta aos trilhos, fato que se dá de formas
diversas, caso a depressão e o vício não torne tudo mais difícil ou impossível.
As vezes
somos obrigados à resiliência, me parece que ser resiliente não é algo a que
possamos nos vangloriar — antes é preciso entender que nem sempre se há outra
escolha àqueles cuja lucidez não lhe foi tirada —; as pessoas com essa
condição, apenas são mais determinadas, menos propensas a preguiça ou a falta
de vontade, ou dotadas daquele orgulho bom que instiga ao recomeçar; sob este
ponto de vista: essas não são apenas vantagens mas requisitos pessoais, frente
ao universo de condições, alinhamentos e perspectivas que nem imaginamos
possuir exceto quando de ocorrências calamitosas, onde, independentemente da
forma, todos merecem o mais sincero respeito por todo e qualquer
desprendimento.
Deveríamos
entender que a situação catastrófica que se apresenta, ao contrário do que
vemos à primeira vista, aos poucos, se formos minimamente razoáveis ao
assumirmos que não há o que fazer e nada vai acontecer se ficarmos lamentando o
ocorrido, paulatinamente, a escuridão, obrigatoriamente se dissipará, afinal,
ao se perder tudo, há uma oportunidade de começar um caminho novo se a vontade
for aplicada com toda a energia que ainda existe naquele que não se deixou
abater. Quantos de nós realmente amamos o que fazemos ou gostaríamos de testar
novas experiências? Tudo, se observado com algum discernimento, pode ser a
porta para nova oportunidade; e nesses infortúnios, ao invés de se perguntar,
“por que comigo”, “o que eu fiz para merecer isso”, não é a solução; milhões de
pessoas no planeta podem estar em condições ainda piores a que nos encontramos
naquele instante, no entanto, resignar-se passivamente também não irá ajudar;
quem garante que acontecimentos similares não se dão para, em momentos chaves,
nos oferecer oportunidades únicas: mostrando que é hora de nos enxergar além do
que vínhamos imaginando ser.
Após um exame
mais detido, quem sabe tentar projetos engavetados, ainda que inicialmente se
mostrem simples, mesmo baratos, ou apenas sobreviver em condições menos tumultuadas.
A reconstrução é difícil, porém possível. Voltando a resiliência, uma das
nossas maiores vantagens é que somos criativos e, basta uma fagulha de vontade
para fazermos coisas belas acontecerem. A catástrofe que pode nos atingir é uma
das melhores oportunidades para reconhecer verdades fáceis a serem finalmente
esquecidas para então embarcarmos em recomeço definitivos e auspiciosos.
091.ac cqe



























































