sábado, 15 de agosto de 2026

Dando corda ao desperdício

 











Como podemos classificar a mágoa como algo além do terrível arrastar de sofrimento e, portanto, total desperdício de energias, ou pior, muitas vezes induzindo boas companhias ao redemoinho mesquinho dos reclames? 












Podemos elencar as mágoas como algum tipo de acerto, porém se as trouxermos para o terreno das coisas, ela nada mais é do que um mal julgamento que fizemos daquele que agora nos magoa e, portanto, somos mais culpados por ela do que queremos admitir.












Faxina — Temos um amigo que enfrentou um dissabor com um pretenso colega a ponto de romperem as relações, e ao nos comunicar entendeu que isso foi mais uma faxina em sua vida do que uma perda, claramente ele estava revoltado, mas entendeu que o seu tempo com o indivíduo já havia passado, então, bola pra frente, nada de continuar remoendo o assunto ou cobrando o nada sobre o que desperdiçou ou não foi reconhecido a altura.












Cultivar a mágoa nos põe abaixo, mina energias boas em detrimento a algo que não irá mudar. Enquanto vivemos um período sorumbático desnecessário, exalando descontentamento, o mundo continua em movimento, e depois, no esforço para alcança-lo, toda a vontade apagada deverá retornar em redobrada diligência.










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Com a alma

 





Arte Artestenciva - BADU a Mística







O que é lavrado com a alma não precisa seguir regras ou ser compreensível; é apenas a vontade do ser puro. Em algum ponto alguém o fará — traduzir sob o rito vigilante das continências e arrola-las às leis da vigência —, por interesse, missão ou venalidade. Afinal, que multidão já se debruçou sobre algumas lascas fragmentárias de Parmênides?














Se tudo é tornado coisa, mesmo o pensamento; o que dizer com o que é fruto da vontade pura?












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Me dê um instante

 














Se não o tenho procurado, pense seriamente se podes mudar meu estado de desatenção, porém, medite com atenção sobre o que pode estar acontecendo.
















Se encontramos alguém conhecido em qualquer espaço que seja e que obviamente omitiu estar presente ao não saber da sua, por favor, seja discreto, respeite sua vontade, cumprimente ligeiramente, e com alguma desculpa qualquer se despeça gentilmente e mantenha o encontro em segredo, enquanto ele(a) próprio(a) não revelar sua presença ao círculo de amigos em comum.














Nós, latinos, fomos educados com a impressão errônea de que nossa presença detém certo grau de importância que não sabemos exatamente aferir; é inegável que não fomos educados a permitir e muito menos respeitar o espaço alheio, muitas vezes necessário e urgente, e por fazer parte da nossa cultura não significa que estamos corretos em ser intrometidos. O que nos auto legitima a entusiasmos desmedidos. E aquilo que parece empatia, nem sempre é, se observarmos com alguma atenção se trata mais de uma conveniência polida. Somos invasivos, e quando o terceiro não tem coragem ou não foi talhado a solicitar certo distanciamento para repensar atitudes, comportamentos ou traumas particulares, entendemos com julgamentos egoístas; quando é exatamente o contrário.















Se alguém em condições normais de saúde nos pede um tempo, seja em que situação for, é nosso dever básico respeitar a sua vontade. Todos, em algum momento entendem que precisam de espaço, e se observar esse direito não é do meu feitio, preciso urgentemente rever o estado atual de discernimento que me move no grupo a que pertenço.















Quem entende precisar de um tempo só para si, é muito provável que esteja realinhando suas formas de pensar, e se for contra ou a nosso favor, a decisão é dele e devemos respeitar, ou no mínimo ponderar com um ou outro amigo em comum, se estamos ou não lidando bem com a situação.

 








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sábado, 8 de agosto de 2026

A riqueza da não existência do ser tarde

 











A que conclusão chegaríamos ao explorar a respeito da expressão, “tarde demais” e o que ainda não é possível que eu enxergue sobre mim mesmo?











Sentenças como, ainda há tempo, nunca é tarde, ou que realmente não nos enxergamos ou reconhecemos como esforço não convincente, volta e meia nos atacam, ou deveriam nos atacar. E afinal, imaginei dia destes; elas aprecem para todos ou apenas me perseguem — ou mais precisamente, em que grau essas dúvidas atacam cada um de nós? E quanto ao “tarde”; é possível que ele chegue tarde demais?














Primeiramente uma boa notícia; esses pensamentos atacam apenas aqueles que acreditam poderem melhorar como indivíduos.











Questões como essa e outras tantas sobre o tempo de maturação individual, uma vez que determinadas filosofias éticas e exotéricas por exemplo, tendem à prática de que todos ascenderemos em algum momento, são importantíssimas e, partindo dessa premissa: deverão ser abordadas em algum momento.












Oportunamente, junta-se a esse ponto, outro concomitante e de considerável importância que também nos assalta; por que entre o que nos faz bem ou não, demoramos a compreender a necessidade de em algum momento se decidir em definitivo ao primeiro — obviamente que, se observando sem considerar a ótica da ponderação, onde clara e inegavelmente não podemos ser conscientizados todos ao mesmo tempo, essa questão não faz sentido algum? E, no entanto, por mais verdades que a Doutrina da Total Ascendência venha sendo disseminada em compêndios sagrados ao longo dos séculos; como tantos de nós adiamos esse razoável enfrentamento sob o alvitre que em situações pontuais parece absurdo sequer admitir que temas tão essenciais quanto inevitáveis são dignos de pautar bancadas de discussões obviamente sérias sem nem seque considerar a possibilidade de participar em quaisquer outras audiências onde tão nobres epígrafes estejam em pauta!?! 










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Epitáfio

 











“O que importa é o agora, disse o mestre, ao menos hoje, quero ser lembrado como alguém que realmente tentou.”

Ao mesmo tempo que é complicada, a vida é maravilhosa. Por exemplo, é bastante factível que entre nós circulem milhares de personalidades diferentes ao longo de um ano. Todos envolvidos com um processo vida próprio, mais ou menos distinto. E o que significa tentar realmente se a maioria de nós não faz nada mais do que tentar a cada passo escolhido? Nossas vidas são pautadas em tentativas e erros; como cada qual lida com os resultados é o que determina se o sarrafo nas próximas experiências subirá alguns pregos.











Em nossas vidas, cotidianamente formigam experiências onde fazemos o que está ao nosso alcance ou tentamos a todo custo dar o melhor de nós, mas o que determina o próximo passo é o nível de consciência do autor, porém não basta executar a ação, é preciso algo mais após o resultado obtido, principalmente se esse não foi o esperado; posto isso, se fomos ousados ou relapsos em nossas tentativas, invariavelmente devemos nos questionar; qual é o grau da ciência envolvida sobre como efetivamente lidamos com todo o processo a que estamos implicados?










No mais das vezes somos sectários, o que significa que não conseguimos alinhar todos os nossos projetos em níveis de equalização condizente nos campos de atuação atribuídos. Pessoalmente agimos como o empreendedor ansioso e despreparado, cuja energia é deslocada com maior afinco para partes do projeto, se esquecendo que o processo vencedor requer atenção como um todo.











Individualmente somos alunos, pais, filhos, colegas, profissionais, esportistas, namorados... no entanto iludidos, convictos, passivos, omissos, radicais... e isso pode estar acontecendo tudo ao mesmo tempo. Como alguém tão disperso pode dar o seu melhor — ou mesmo que — e conseguir algum equilíbrio a contento a todas as partes envolvidas em um cotidiano sem nem mesmo perceber que está mais para um imbróglio?











Em algum momento, descansar sobre o fato de ter tentado dar o nosso melhor pode soar pouco sob a ótica de terceiros, antes precisamos observar se estivemos suficientemente atentos e insistentemente disciplinados buscando despertar, no mais alto grau, se essa tentativa foi vigorosamente explorada e nunca, jamais, desconsiderar a intenção/atenção daqueles que estão observando ou envolvidos no processo.











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Dr. Seráfico

 








“Que não venham a crer que baste a leitura sem a unção, a meditação sem a devoção, a indagação sem a admiração, a atenção sem a profunda alegria do coração, a atividade sem piedade, a ciência sem a caridade, a inteligência sem a humildade, o estudo sem a graça divina, o espelho sem a luz sobrenatural da divina sabedoria.”


São Boaventura de Bagnoregio (1217-1274)


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sábado, 1 de agosto de 2026

Eco

 
















Escreverei um milhão de palavras, milhares de frases e poemas, às centenas, e então tudo se tornará grande e importante aos olhos atuais; só assim conseguirei meu intento, colá-los, todos, um a um, em cada uma das árvores que ainda restarem em pé, e então, todas serão finalmente... tombadas.












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Entre a submissão e a escravidão

 































"As pessoas se acostumam com tudo. Quanto menos você pensa sobre sua opressão, mais a sua tolerância aumenta. Depois de um tempo, as pessoas acham que a opressão é normal. Mas para se tornar livre, você deve estar profundamente ciente de que é um escravo."

Assata Shakur














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"A melhor maneira de evitar que um prisioneiro escape é garantir que ele nunca saiba que está na prisão".


Fiódor Dostoiévski










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(...) Então, gradativamente vamos abandonando nossos desejos. Combinado a uma espécie de acostumar-se com a situação. Mas não é porque a gente não mais deseja, nós simplesmente desistimos. Como; se o próprio modelo incentiva o avanço? Sim, é justo e justamente por; pois a concentração deles se volta à mecanismos que anulam ou impossibilitam os nossos; minando vontades e definhando paixões em detrimento às suas ambições próprias e sempre calculistas, portanto, de alguma forma paulatina, nós abandonamos entusiasmos particulares saudáveis para suprir apetites externos.















Uma vez cônscio — A atenção ao entorno e a submissão consciente sobre o estado sócio/político vigente somado a ações inteligentemente planejadas podem trazer ao nosso existir terreno alguma harmonia, impossível ao indivíduo integralizado ao estado posto; e a condição sine qua non para que essa virada de chave se dê, é assumir que precisa vencer o orgulho combativo. Condição já provada e totalmente possibilitada às pessoas desprovidas de ciências sociais densas que se descobriram obrigadas e não cordatas com a existência passiva a que foram expostas e daí, cientes, direcionaram suas vidas a algum entendimento maior sobre todo o processo existir.











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