sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Esqueça que andastes dormindo













“(...) Existe, sim, um ponto em que permanecer deixa de ser descanso e vira abandono de si... Quando você reconhece esse ponto, a resposta não é se insultar por ter demorado e sim escolher diferente a partir daqui.”

 obeah










Ao acordar para o fato de que perdeu muito tempo não perca tempo se lastimando; regozije-se, faça diferente, perceba e viva a felicidade de ter finalmente acordado.









069.ad cqe














Não se conforme

 













Habitamos um Plano Estação cuja dificuldade de aceitar ou mesmo entender que chegou-se a um ponto qualquer de suficiência, material ou espiritualmente falando, é totalmente no sense.














Nos parece, por agora, que todos chegaremos — sob o domínio de alguma sobriedade até então desconhecida — a determinado ponto estático, minimamente possível de compreensão sobre o que entendemos ser; a vida; o existir; a jornada; ou simplesmente a própria impotência sobre tudo — o jogo ou o processo como um todo. Após o debater-se; a raiva; o orgulho engolido, negado ou disfarçado; os passos da próxima fase poderão também advir de metodologias distintas, obviamente — com o advento de parte da consciência reestabelecida, cansada ou inquieta: aceitar e se entregar, desanimar de vez, se dedicar definitivamente a uma tarefa e esquecer muito da importância e de que um dia foi parte da luta; independentemente se a considerou sob estes termos. Muitos de nós, sob inúmeras circunstâncias, não entendemos o avanço do tempo.














De todas as escolhas possíveis a partir de pontos tão nevrálgicos quanto desconsideradamente importantes; uma série delas precisam vir somadas a maiores cargas de atenção. Claramente são essas que possuem significados importantes e distintos, detentoras de soluções caras e, portanto, inegavelmente, de maior relevância. Encontrar um meio termo entre elas todas e a ânsia, quase domada, ou obrigatoriamente afogada, ao assumir de que não há realmente um fim, tudo se trata de infindáveis etapas.


















Em algum momento, todos recobraremos o juízo; e quando isso se dá, não é possível descansar na lenda de que dominaremos as inevitáveis agruras; apenas significa que elas virão com maiores graus de dificuldades síncronos à conquista de equilibrares honrosos, e talvez essa busca se dê para todo o sempre enquanto paulatinamente seguimos atingindo níveis, hoje inimaginavelmente superiores, de consciência.












068.ad cqe












Falência, apenas financeira

 













Não me lembro se Maquiavel buliu com material parecido, o li há décadas, porém essa observação remeteu meu pensamento aos seus.















Caso vislumbre uma possível quebra do seu negócio, ou em situação ainda pior, se pegue desprevenido; não apenas busque deixar sua ex-esposa bem, faça com que a maioria importante ao seu redor também o fique. Quebrar sozinho tem ao menos duas vantagens em meio a todas as desvantagens. Obviamente o primeiro é o aprendizado, e o segundo, aponta se havia alguém cuja força vinha do coração; e ao pagar, drenando o resto dos recursos aos mercenários, dá certa paz ao desgraçado diante do aparente caos e pesadelos intermináveis. Se livrar da aporrinhação deles — à pessoa de brio, quanto maior a distância de um calculista melhor —, liberta o desafortunado de focos de problemas recorrentes menores, dada as visitas inconvenientes caso não ressarça suas vontades monetárias; frente ao que vieres a dispender com o imbróglio como um todo.














Uma vez culpado, assim declare-se; isso é dignidade  Quebre totalmente aos olhos terceiros, não se incomode com reservas, haverá muito menos a resolver se observarem que, apesar do susto inconveniente, ficaram em melhor situação que a do endividado. Mostre-se forte internamente se à vista de todos és um perdedor.

Digno é assumir que perdeu, porém, ao manter a vaidade, perde-se brio e o sossego.










067.ad cqe 


















Bens caros proprietários baratos

 















Definitivamente os bens materiais não definem a pessoa, afinal, quantos os possuem por vaidade, falta de juízo ou megalomania; muitos adquiridos sob tremendo esforço apenas para que pensem que se tem mais valor por conta do bem que possui.





















Qual situação é mais desconcertante; possuir por motivos sociais ou adorar quem possui sem saber o real motivo.







066.ad cqe 




domingo, 13 de setembro de 2026

Além do Ashram

 











A meditação e a oração devem sempre romper os limites do espaço de prática. Ao sair do templo ou estúdio, o fiel não deve esquecer-se do que lá aprecia, assim como o iogue jamais estará completo em seus anseios de equilíbrio caso não preste atenção ao cotidiano com a aplicação verdadeiramente voltada ao fim em si.



















Os locais de recolhimento, de conexões que objetivam o autodomínio a que são estabelecidos devem ser frequentados unicamente como importantes repositores e recicladores de energias a fortalecer nossas vontades mais puras e filtrar humores testados na rotina diária. Devemos nos disciplinar para não esquecer esses princípios após as sessões, e somar a eles um item de maior importância: a atenção do manter-se vigilante ao atravessar as portas sagradas das fontes, conscientes de que todas as ações, a partir de então, devem ser coerentes com os propósitos ali colhidos.









065.ad cqe












Quando o “deve ser”, será?

 

















Por décadas tentando e percebendo a dificuldade da prática, me ocorre que o almejado permanece, isso quando não é abandonado, apenas como uma pretensa pretensão. Como sempre a mantemos no banho-maria da teoria e, pode que em algum tempo outro se faça possível vivenciar as tão sugeridas: Vontade, Sabedoria e Amor. A cada ação de permissividade passiva nos parece que aqui há apenas a possibilidade da abertura ao pluralismo/perspectivismo; mesmo esses exigem tamanha dedicação, possível apenas a alguns bravos.













Toda mudança radical se dá sob forças externas, e ao abandonar o que era: a força interna preestabelecida, uma vez maior que o parco conhecimento de então, tenta fazer com que a novidade promissora seja sufocada. Aí se dá uma luta colossal; como se duas correntes antagônicas colidissem. O que era e o que é, ou seja, sai-se da irrealidade há anos frequentada para mergulhar no novo, no possível novo real, afinal o que sabíamos, o que entendíamos se torna nada frente ao nada desconhecido. 
















O estado insurgente almejado deverá ser desejado com todas as forças, então a novidade arranca o neófito sob fórceps do alojamento que parecia até então uma cômoda morada última; ação que precisa ser executada eliminando também as raízes, não pode ser esfacelado — esse processo é moroso e o obstáculo inicial maior a ser vencido —, pois elas estão conectadas à mente do buscador, e somente se houver essa ruptura corajosa do pensamento até então dominante existe a possibilidade de êxito. 




















Trabalho árduo que se resume a privações; e o que parece o renunciar ao que ainda entende como importante, paulatinamente é redimensionado. E embora por tempo indefinido o processo parece moroso em todos os sentidos, só então o perigo de retorno é afastado, pois necessariamente temos a conversão — mais, uma importantíssima iniciação —, e logo que as cicatrizes sejam definidas, outra espécie de vontade, até então desconhecida, aflora; atingido esse estado, o aluno não mais voltará aos raros momentos de alegria quase esquecidos, não, agora não há mais espaço para as velhas vontades, pois finalmente entender-se-á a abertura do significado de, em algum devir, pertencer ao universo como um todo, e esse estado por si só é o prenúncio de perene êxtase.











064.ad cqe













Bandeiras defendidas, até que...

 
















Ao confrontar notas de toda ordem; poderíamos afirmar que há uma conexão entre os defensores da liberdade de expressão e os sexistas? Os primeiros defendem que tudo é permitido no que se refere a informações que primam o bem comum, até enfrentarem uma situação onde percebem que possuem telhado de vidro. O segundo grupo determina que tudo em relação com a moral deve seguir regras inegociáveis, até que eles próprios enfrentam alguma situação que os comprometam, ou coisa que o valha, aliás, nossas, ética e moral são voláteis como mastros a balançar sob qualquer rajada de vento, pendendo-os à necessidade de ajustes que nos mantenha na posição que mais convém.














Não é fácil fincar pé em certezas sem um escrutínio digno de bom trabalho de pesquisa em uma sociedade, onde as verdades são garantidas por órgãos contaminados e comprovadamente interesseiros. 




















Em geral, mesquinhez, covardia, egoísmo, ignorância e proselitismo, escorados à sombra do augúrio de olhar míope, moldam redutos, estados e conglomerados sob veias do coronelismo, do poderio ou da corrente cultural ignota estabelecida. Atualmente não podemos apostar contra o fato de que os beneficiados sobrevivem sobre uma fina camada de insegurança — física, psicológica ou nem mesmo notada —, onde, com certeza se trata de um abismo que, se detectado é negligenciado, e que mantém a todos agregados à justificativas muito longe de valores que daí, inexoravelmente, afastam o íntegro.













063.ad cqe (12.9.63 # 63)