A filosofia
de José Ortega y Gasset frequentemente alude a falta de humildade do pseudo
intelectual alertando que, quando o indivíduo diz que sabe muito é porque leu
pouco ou o pouco que leu decretou como suficiente, afinal, somente quem
realmente sabe, sabe que nunca sabe o suficiente já dizia o pensador.
De outra
feita, o dito; cada um no seu quadrado, quando não é respeitado, coloca o autor
do engano, o mal informado, em saia justa, e a contestação nem sempre lhe é
apresentada. Pois ela, invariavelmente ocorre, entre pessoas de mesmo grau de
conhecimento e/ou desconhecimento, ainda que todos envolvidos com suas diversas
porções diplomáticas.
A bendita vaidade vive a pregar peças — as vezes penso que os sentimentos tem personalidade própria. Repetidamente assistimos calados, gafes, deslizes e situações vexatórias de pessoas diplomadas que insistem em opinar, com determinada veemência, sobre assuntos fora de suas atribuições, apenas porque entendem que ao ser formado em determinadas cátedras, isso por si lhes avaliza como experts em todos os ramos que envolvem seu lastro popular — muitas vezes se esquecendo que não está só entre os seus. E, socialmente, nada se pode fazer, afinal a cortesia não permite correções públicas, até porque é um desrespeito corrigir alguém que não gosta, não quer, ou não aceita opiniões a não ser deles mesmos — principalmente onde a vaidade supera o desentendimento.
Pessoas
diplomadas em engenharia, cultura, didática, psicologia, sociologia e afins,
portanto, cátedras as quais dominam: normalmente sabem muito pouco da vida e
das coisas que regem a vida, e essa realidade é bastante normal aos indivíduos
que se dedicam com afinco a suas funções, porém, quando não tomam o cuidado
devido podem se envolver em assuntos diversos sem o ponderamento ou filtros
necessário ao argumentar, enfáticos, porém, com propriedade parcial, por
acreditar que se entendem no dever de ter uma opinião sobre tudo, quando na
verdade muito desconhecem fora de seu métier.
Homenagem a Ortega y Gasset
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