Enquanto nossa atenção continua a explorar o próximo, o
externo; o essencial passa ao largo.
Basta uma passagem rápida para nos olharmos, nos observarmos, nos analisarmos em julgamentos apressados e críticos; em comparações simplórias e invariavelmente: de forma precipitada. Procuramos, no que pode ser um lapso de tempo, o que, a um crivo particularíssimo, porém totalmente contaminado, nos agrada em nos entender melhores em algum grau, ou, no mesmo jogo, também irresponsável, intimamente, nos diminuímos sob o mesmo jugo inautêntico, ao não entender que cada indivíduo é único e que, no frigir dos ovos, todos somos, em aspectos diversos, perfeitos e deficientes em algum grau. Como assimilar que nosso comparativo é o externo sob o domínio de um regulador bastante alheio às vontades próprias. Nossa régua permanece rasa. Soberbos olhando para o chão. Notamos muito e pouco enxergamos. No entanto, como senhores do saber, censuramos. A crítica é armada, contundente, ácida e agressiva. Devíamos aprender que somos o que somos; enquanto comparamos nossas brutalidades aparentes, a personalidade de cada um permanece oculta sob camadas e mais camadas do que entendemos bonito ou horrível... no outro.
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