sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Consensualidade obrigatória

 













Entendendo natural ou por força de gênero, ainda que indesculpável, o homem frequentemente legitima daí sua sanha de assediador cínico, se aproveitando de algum poder sórdido sobre a vítima acuada e coagida, e assim denomina consensual: a molestação rasteira praticada contra o gênero feminino, por exemplo, que, à mulher em situação de vulnerabilidade, entende como mais um aborrecimento; a mais nova refém a calcular se conseguirá ou não se desviar das constrangedoras investidas ou, ao pesar os prós e os contras, ceder ou não à sanha do sequestrador asqueroso.











A despeito do que a maioria dos homens pensam a respeito das mulheres, sobre ela ceder porque é do instinto feminino — para não lançar mão das expressões chulas usadas no âmbito da machosfera; a vítima, ao obrigatoriamente ceder ao predador; pecador contumaz que, de antemão estudou a fragilidade da mulher que será violentada; de forma alguma enxerga ou consegue uma inversão de papeis — ação normal ao ser pensante e que respeita — para analisar seriamente ao menos uma das inúmeras consequências de macabra vilania, tornada recorrente.













À presa, uma vez dominada, abatida; vislumbra que nada mais compensará o dano. Pesada sua nulidade frente a ocorrência execrável. Ao ver suas vontades anuladas, agora convertida a uma mera mercadoria de troca; o que mais lhe resta a não ser se entregar à personagem inerte onde se enxerga como uma reles coadjuvante em um horrendo teatro de horrores? Essa nódoa não a abandonará, e viverá o resto dos dias julgando-se como uma pintura, um  quadro que representa o desespero, onde imagina se ver retratada, a vista de todos, como mais uma refém violada, tentando esconder sua vergonha por ceder aos caprichos do que considera: mais um bruto animalizado cuja única vontade é satisfazer aos ainda latentes e nada desenvolvidos, instintos primais, normais a muitos criminosos covardes que se movem disfarçados, quase incógnitos e cheios de si nesse universo masculino que camufla a perversidade em benefício do gênero dominante, apenas, em força.












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Do inescapável estado de engolir sapos

 













Se analisarmos friamente, todos, e digo todos em todos os níveis sociais e de poderes distintos, precisam engolir sapos, e a questão é; como aquietar-se em seu canto e engoli-los sem alarde — entendendo a situação como um todo — com os devidos cuidados até rearranjar o próprio microcosmo a certo nível controlável que dependa minimamente da necessidade de intervenções terceiras?











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Calos pessoais

 












Um calo para chamar de seu. Dos calos nossos de cada dia. Na medida de cada um, todos tropeçaremos em desafetos, concorrentes, adversários, antagonistas e todo o tipo de indivíduos, opositores naturais que parecem terem sido habilmente posicionados para atravancar nosso equilíbrio, nosso sucesso, nossa tranquilidade; essa, em verdade, é a moral da história.














Quem é seu calo? Você já o identificou? Para que lições eles chamam minha atenção? Há um ditado que aconselha a não eleger um inimigo menor do que você; portanto, cuidado quando o faz.











Até onde ele é suportável, adepto a algum grau de justiça, totalmente mesquinho ou mesmo um covarde descarado? E até onde minha percepção o tem como um mal necessário e que a partir daí meus caminhos precisaram ser refeitos; que espécie de guinada estou disposto, ou a desforra é a minha vingança preferida e a única saída que enxergo é o contra-ataque?













Conviver com uma unha encravada durante um período da vida, ou mesmo uma vida toda em se tratando de parente, por exemplo, quando não se tem a conduta de contrariar o socialmente correto, é um destino a ser observado e; como lidar com estes encostos que volta e meia desvia-nos da trilha mais acertada, buscar a razão ou o sentido de continuar sofrendo com uma situação a qual entende que está sendo derrotado e finalmente virara a chave?












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