sábado, 20 de junho de 2020

“Intelliguêntsia”


A inteligência jamais estará aliada ao sistema. Este sobrevive à prática de um pensar executável tosco ao que às necessidades prementes àquela há muito pregaram; e este agir de apalpe se dá obrigatoriamente com atraso aos pensadores contemporâneos que, se bons, nascem póstumos, portanto nunca partidários aos agentes praticantes da governança; sempre muito próximos ao amadorismo se comparado ao que exige o arranjo.



O sistema sempre será um seleiro de oportunidades ao filósofo por conta de os agentes públicos ao aplicar o que fôra muito bem pensado, nem mesmo aí copiam a contento; suas cabeças pensam como orientadores políticos e ainda que voltando uma que outra vontade ao público, diferente do pensador sério, eles jamais se esquecem de que sua verve escolherá caminhos que primam o privado.



Não é possível concatenar a política humana ao pensamento honesto; este prima à retidão para o conjunto, aquela é facilmente corrompida, então tende ao beneficiar faccioso do arregar volúvel, fórmula cujas arrestas, quando buscada sua extinção, revelarão os indícios, estigmas cruéis que jamais poderão ser apagados.


 

Homenagem à

Aleksandr Soljenítsyn



 


 

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sábado, 13 de junho de 2020

Prisão democrática


Dada a pirâmide social é certo afirmar que a democracia não passa de um comunismo roto e mal disfarçado!?!




A liberdade existe dentro de leis sociais, o que é devido, porém é tão somente o poder aquisitivo – ou que a ele se preste - que determinará se o indivíduo será ou não socialmente visível.


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Direito de ficar calado







Se fossemos sérios deveríamos abandonar o termo “democracia”. Acredito que mesmo quando Hannah Arendt pela primeira vez pensou sobre este sistema político era tarde demais para ele, ao que nos parecem suas escritas, embebidas de boas intenções. Nem de longe posso afirmar quanto sabia ela sobre a falência da ideia maravilhosa gestada na Grécia Antiga, no entanto podemos concluir hoje que o homem agiu como um execrável padrasto oportunista ao herdar os cuidados de um varão nobre e um reino de oportunidades.




A famosa frase de Churchill “A democracia é a pior forma de governo, com exceção a todas as demais”, foi uma das expressões mais contundentes a tocar minha juventude com um “q” de revolta. Sempre a recordei, desde então, quando o tema se apresenta, e também, demorou a compreender porque insistimos com ela.





Tenho minhas certezas, que nada somam, entre elas defendo no meu reduto particularíssimo que a democracia já não mais importa; tornada obsoleta faz às vezes de uma matriarca cuja numerosa família honra apenas seu significado, quando muitos o fazem apenas por conta do rito.



O termo “democracia” alude à personificação de um rei imprevidente que avançou o tempo, que, folgado na sua instituição tão obsoleta quanto ilusória em um reino cuja existência plástica mantém as pessoas entretidas com sua presença em períodos exatos, correspondentes aqueles em que ditames são descritos por camaradas que sustentam a vendeta enquanto promulgam medias e leis de interesses nem sempre popular durante este folguedo monárquico e tantas outras distrações em que o povo é conservado.







A democracia foi transformada em uma franquia muitíssimo cara ao povo, e só. Mas entre aqueles que sustentam esta bandeira estão corporações escusas, os verdadeiros beneficiários em manter esta logo cintilando na mente daqueles que não tem poder algum.





*



Sob um analisar bruto, não seria mais interessante ao iletrado o socialismo à democracia; ao menos aos primeiros, enquanto são esfolados, não são permitidas ilusões de ser alguém como são atraiçoados os milhões de alquebrados do segundo grupo, sempre levados a crer pertencer a um sistema inegavelmente mais justo?


*



Mais falácias e distrações - Não deveriam sentir dor, remorso ou vergonha cada um daqueles que, seguros em seus domicílios empunham bandeiras democráticas e bradam expressões igualitárias enquanto detentores de posses e que confortavelmente reclinadas em nome da liberdade de expressão em verdade nada fazem para auxiliar as camadas a eles inferiores?




Ah! As convenientes e inumeráveis desculpas da estabilidade pessoal. Não somos um; somos todos. A partir do instante que cada um de nós atravessa a arrebentação da exaustiva luta particular, o olhar jamais deveria folgar-se na contemplação perene do mar aberto quando este idílio, comparado às ondas que até então solapavam qualquer investida, abriu uma vastidão de caminhos para oportunidades jamais sonhadas. Algumas destas marés o levarão a um navegar tranquilo e perene. Escolhido este navegar de cruzeiro; nem um momento apenas deve ser perdido sem antes pensar em todos aqueles que continuam presos ante a rebentação. 


Uma homenagem

À Annah Arendt




 

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sábado, 6 de junho de 2020

Há Mais. Ouse








E a cisma insiste em acudir a mente turbulenta - entre o revolver interseções carbonizadas às cintilantes -; alude à dúvida ainda sem resposta do ocupar-se à conexões costuradas: farão sentido a um que outro desavisado quando a impaciência atropela ao imaginar um tempo onde apropriar-me-ei da segurança de que, mesmo O Universo possa de pronto compreender as pretensões de insólitas buscas!?!






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Articulação peculiar





 

A articulação que pretendo é abortada

A que pratico é canhestra.

Tolhida por se obrigar a tabulação sovada sem um mínimo de contextualização aberta e plena - proibitiva.

Travado pareço, sou; e venho a cada dia mais amofinando meus exercícios

Reduzi minhas vontades a cordas atrofiadas




Jamais atingirão a altura herdada de sua gênese

Estagiária

Aqui tão somente estancia

Neste universo de escravidões veladas

Preso aos grilhões de margens brutas

Ainda selvagens e intransponíveis



Quando os objetivos não são o adular

A lambeção asquerosa do especular

A despertar a atenção daqueles que nada entendem

Enquanto palmilham o cadafalso artificial da corte

Um que outro instante arisco

Uma que outra pérola



Sob as ordens da articulação presa

Tornada agora nada além de um grasnir infante

Não em um lapso de esquecimento

A vontade presa salta contra as paredes limítrofes

barro entendendo-se Granito

Traduzindo o grito, a ânsia, em combustível para efusivos e razoáveis risos debochados à audiência a que me confinei


Aprisionado amofino em divagações e cismas gratuitas

Dando crédito a sofismas inventados para distrair

Aqui não estou só

Porém não me folgo na burla alheia a qual entendo a que se destina

É necessário o engodo

Ainda que algum malandro perceba



E seu julgar minguado foque somente este observar descontextualizado

Sou de impossível contextualizar

Esforço-me ao menos aqui

Mesmo sob uma vontade maior promoverei este deslindar

Em quais universos se esclarecerá o que foi dito

E que outros entenderão útil


Sigo à margem

A periferia tem valor

Sob cada árvore construo meus domínios

Esta é minha forma de tombá-las

Aí sobreviverei

Suas folhas substituirão o papel

Através do vento sua linguagem irá desmistificar o que não articulei






 ...quando então cortarei relações com esta dialética viciada e sempre aqui necessária à compreensão?



...quando então cortarei relações com esta dialética viciada e sempre aqui necessária à compreensão.


 


Néctar


A comunicação local se perde na falta de elos que conectem o bê-á-bá oficializado ao Todo Insondável. Se mesmo aranhasse as margens exíguas de qualquer transcendência de possível acesso; a transformação das linguagens, dos és e das vontades sofreriam uma revolução tão necessária quanto à urgência de aplacar os ânimos que antecederiam um caos qualquer indizível por todo o vale. A cata, portanto, é singular. Nas negras fendas onde jazem os umbrais de toda ordem. Nestas úmidas grotas esquecidas; um que outro entre legiões de desamparados e enterrados no lodo eterno; em raro instante, num insight ínfimo de lucidez desconfia que há mais, quando então emite uma matiz levemente acinzentada. Guias especialmente enviados para captar o instante, percebem e localizam o ponto em meio as cavas escuras, um padrão que destoa... e o resgatam. Coexistimos sobre uma série destas camadas – usando uma retórica sociável. Com um mínimo de privilégios, erramos em nosso umbral chamado Terra cuja superfície também é uma camada onde equilíbrios particulares possibilitam químicas distintas de moléculas; facultando conexões outras a permitir a abertura de sentidos impensáveis, portanto impossíveis nas fossas inferiores. E também aqui um que outro emite uma filigrana de matiz seguro, em um entendimento raríssimo de que este não pode ser o supra sumo do existir, portanto, há mais. Este e apenas este... entenderá.




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Sars-Cov-2

A Covid-19 é devastadora e precisa ser respeitada.


No entanto ela, como não poderia ser diferente, está sendo potencializada por conta da ação humana. Seus números envergonham a tal ponto que autoridades preferem escondê-los; concomitante a isso estamos assistindo sua força absurdamente exponenciada advinda paradoxalmente, também da inação de pessoas que preferem se manter espelhadas em vontades orgulhosas a se entregar às necessidades urgentes que poderão salvar suas vidas.




Ela é devastadora, porém, se nos dobrarmos à ciência, ela pode permanecer enjaulada.

Prevenidos, jamais entramos em reservas habitadas por leões mesmo não sabendo se estão ou não famintos. Não cruzamos a linha de tiro de algum desiquilibrado a apontar uma arma carregada a atirar a esmo. Não pulamos em corredeiras se entendemos que nossas limitações tornarão quase impossíveis a sobrevivência.



O Coronavírus são estes desafios somados com uma única diferença; ele é novo, isto é, não sabemos nada sobre seus domínios, melhor, sabemos porque alguém nos contou, mas ainda não conseguimos vislumbra-lo em toda a sua extensão, então por que, diante desta miríade sinistra que se arrasta por meses, continuamos morrendo aos pares?





A união de dois princípios não trabalhados e que fazem falta à pessoa comum: a humildade e o conhecimento - é possível que se esconda entre estas duas montanhas as quais se arrastam os homens por vales de sombras e de dor, a triste resposta para esta questão.



Existem classes de homens comuns que poderiam ser rapidamente educados para este novo comportamento, mas eles empacam tanto na necessidade de sustento quanto no desgoverno a que todos estamos sujeitos.

Porém uma gama enorme é desafiadoramente apalermada em um sem número de atitudes osmóticas convictas à revelia do razoável. Essa imprudência nasce na convicção de que são intocáveis – não devem ser culpados; o estado atrofiado não poderia ter executado trabalho pior.



Afinal somos um manancial a disposição que se traduz em desmando. Tudo o que é fácil vai fácil. Terras, riquezas minerais, riquíssimas e portentosas florestas, mar e, em contra partida, aqui não existem tornados, tsunamis, terremotos; isto significa que o povo somente sofre por conta de si mesmo, ou seja, se tudo é de graça para ser vendido, espoliado, aviltado e corrompido; rotina viciada e apoiada em boa parte da população que sobrevive inerte de futebol, carnaval, bicos e de mendicâncias de um estado paternalista, sobrevivemos todos, ainda que pareçamos desgostosos vez ou outra.





Práticas que ao longo dos anos à normalidade assistida lentamente avolumou-se e foi tornada habitual; pontuadas entre uma visita do candidato; de reportagens oportunas que aponta a heroica resiliência das comunidades e um que outro trágico desmoronamento corrente que comove toda a sociedade em solidariedade exemplar.




Fomos talhados a regozijarmos de nossas mazelas. O que? Nós?... A gente daqui dá nó em pingo d’água e escolhe a ponta. Aprendemos a nos orgulhar por nos portar como parvos. Isto é ruim? Não de todo. Ainda assim somos um povo maravilhoso – isso é real; somos mesmos, quando a oportunidade se apresenta. Porém não sofremos como um europeu, ou asiático, ou parte do povo africano, então, quando temos uma dificuldade como esta da pandemia do Coronavírus e o buraco é mais embaixo, a verdade é que poucos conseguem enxergar a necessidade de se recolher por algum tempo – é óbvio, para aqueles que poderiam com algum esforço fazê-lo – ou tomar as providências devidas para sua segurança se não se enquadra no primeiro grupo.




Domingo cruzei próximo à praia; a pé; obrigado - precisei sair; uma manhã perfeita. Véspera de inverno, sol ameno, brisa maravilhosa e convidando à preguiça - deste Éden que esporadicamente frequento. Prenúncio do inverno. Uma quadra do lado oposto ao mar – este era meu contato com o verde esmeralda eterno próximo de casa.






De máscara, antes de passar pela orla, cruzei com poucas pessoas, quando havia a possibilidade de encontra-las, mudava de calçada. Todas sem máscara. Na calçada da praia, cenas de um maravilhoso domingo a beira-mar; nem um sinal da pandemia que assola o mundo; ok, para os mais conservadores, não assola, castiga.






As pessoas se sentem envergonhadas de usar máscara quando a maioria delas está sem, quase me senti assim, até que levantei a cabeça e pensei comigo; eu é que estou certo.



Enquanto matungo ou a parvoíce não é abafada sob a ignorância do nada saber erramos em uma zona neutra e perigosa, muitos de nós, de posse deste entendimento atrofiado nada entendemos desse nosso estado e ainda menos do que nos circunda daí vem que não somos acostumados a nos dobrar por vontade própria quando alguém que não temos certeza nos diz que isso é o certo a fazer. Somos partícipes de uma natureza orgulhosa, tendemos a ser arrogantes, desafiadores, ignoramos ou fingimos ignorar para não “fazer feio” – quando é exatamente isso que está acontecendo; nosso comportamento é horrível. Nossa cultura veio se moldando aos poucos, no entanto o fato de que o estado vem pregando há décadas uma mentira de que somos donos de nós mesmos faz com que não entendamos que o momento não se trata de abaixar a cabeça como um imbecil, ao contrário, aquele que percebeu que estamos diante de um perigo desconhecido tomou a decisão certa de aguardar que o leão seja enjaulado, que o desequilibrado seja desarmado, que o rio retome seu curso até que sejam erguidas pontes para que se possa atravessar em segurança.




Lembramos aqui o que diz o Mestre; não somos totalmente culpados por nos encontrar onde estamos, mas, uma vez esclarecidos, todos os nossos atos de então, serão de nossa inteira responsabilidade.


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