sábado, 24 de setembro de 2022

Da alegria que não quero ter

 




















































As comemorações efusivas ao final da guerra são autênticas? Devem existir? Se sim; não as quero.


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Meditação copiada

 







Nada se cria tudo se copia


O que busco em minhas meditações?

Manter-me indiferente às coisas que não posso controlar...

...no entanto jamais deixar que a busca por soluções seja calcada na passividade.

 





Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado...

Resignação para aceitar o que não pode ser mudado...

E sabedoria para distinguir uma coisa da outra.

São Francisco de Assis




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Falsa proteção

 






Estar ao lado de poderosos, afora as conquistas ordinárias, não te farão um; talvez, no máximo, alguém temporariamente protegido, mas essa proteção, já se perguntou: ela interessa apenas porque trata-se você de um fraco? Porque se sentes confortável ou é conveniente? Qualquer uma das opções não é uma opção válida, que agrada ao que procura se encontrar. Válido é buscar exclusivamente a não necessidade do externo.


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Deep sweet

 





“Se você ignora, ignore”





Isto é; “tudo o que você não entende deve continuar ignorando”. Tirado de uma minissérie de televisão, esta observação em menor grau ou veladamente é o que pregam nossos mandatários. Quando ignoramos e tentamos nos aprofundar em assuntos que ferem o interesse maior do estado ou vise enfronhar nossos dedos em possível revolver de tapetes, de segredos particulares, psicopatias e patologias escusas o melhor conselho é continuar ignorando. 

  


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sábado, 17 de setembro de 2022

Repense sua postura sobre os gatos

 




























































“(...) um gato escarlate, laranja e verde com pele de réptil, um pescoço comprido e sinuoso e presas venenosas – o veneno é parecido com o do polvo de anéis azuis: dois passos e você cai de cara, uma hora depois, está morto... gatos gambás com um jato mortal que mata em segundos como garras no coração... e gatos com garras venenosas que secretam veneno de uma grande glândula no meio do pé”.





Em O gato por dentro, de William Burroughs

 







































 














Penso que William Burroughs ao final de sua descrição (a parte aqui transcrita) previu uma atenção mínima, diria até singela, de espécies de gatos a esperar por aqueles que, ainda envoltos a toda uma grosseira casca de ignorância, ousaram desrespeitar a vida de um único desses amáveis bichanos. Entre as tantas e angustiantes eternidades deste tipo infeliz, com certeza uma, cobrará a importância dada ao maltrata-los, destarte se encontrará em algum inferno preparado apenas para estes humanos pobres diabos onde gatos ainda mais hediondos que os descritos por Burroughs o visitarão dia após dia.

Homenagem a William Burroughs

 




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Ocupação atrofiada

 








A preocupação com o dinheiro desvia-nos das ocupações com aqueles que estão preocupados em como arranjar algum para sobreviver.







Ao nos ocuparmos com a obtenção de mais e mais recursos ficamos cegos para a necessidade daqueles que nada possuem.







Isso quando não passam ou massacram aqueles todos que estão entre eles e o que entendem deve ser conquistado.







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Uma janela de 80 anos

 







A vida é uma janela. Aqui, sua vida é uma janela do tamanho, ou melhor, com a possibilidade de experienciar largo espectro de ocorrências durante o período de duas ou mais gerações; o que é o bastante ou mais que suficiente.







No decorrer desse período eventos podem simplesmente acontecer, serem descobertos ou avivados sob os auspícios da vontade – quando habilidades serão acordadas -, e daí provocar conjunções... ou não, ao preferir passar com as cortinas cerradas.







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“Custa mais menos”

 






 

O cordelista é o filósofo da vida e o único genuinamente brasileiro.


 




A senhora, feirante (Dona Josefa Maria Santos – Artesã), com a pureza que suplanta toda sabedoria, todo o pensamento quadrado, enquadrado e métrico, se refere a um chapéu de couro que confecciona e vende; informando que o artigo inferior custa “mais menos”. Todo o rigor da maioria de intelectuais e acadêmicos intelectualóides que insistem em seus regramentos obtusos, em momento algum chegarão a originalidade desta senhora trabalhadora humilde que aqui está representando o saber puro e ingênuo e irreconhecidamente ígneo da cultura popular não apenas nosso, mas de todos os lugares do planeta.

 








Feira do Couro em Santa Rosa de Lima - Homenagem aos vaqueiros do Sertão da Bahia, aos Cordelistas e a todo o homem sertanejo que vive a simplicidade como seu maior bem.

 








"Cordeslizando"


Em sua matutice agrega ao couro duro

A arte ancestral adquirida do divino

Fala simples e rápido encantando o que passa

Sentado em seu banquinho arrodeando a praça

 

Parecendo nada entender salta do claro ao escuro

Faz rimas ingênuas lembrando um menino

Quem passa e não entende olha e acha graça

Não se avexando jamais mesmo esse ele traça

 

Na casa simples desprovida de cerca e muro

Desprevenido há muito que largou o ensino

Mas nem por isso se embaraça

E dentro da memória as palavras ele caça

 

A arribaçã na caatinga se apresenta num sussurro

Ele a ouve e de improviso logo ajeita mais um hino

Juntando duas ou três rimas outro verso ele traça

Cordelista que se preze sabe que nada o ameaça

 

Quem o vê com presteza reconhece que é puro

Pois é da sua pureza que nasce o seu tino

Seguro das palavras rima bode com cachaça

Cordelista nossa joia este verso te abraça

 

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Da eminente violência gratuita

 







“Invéis de buscá onde tá errado o caboclo prefere matá quem tá certo”.



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Longevidade consciente – Valorizando o Estado Vida

 





 

Quando atingida a consciência, alongar a vida nesse plano adquire significados outros.




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sábado, 10 de setembro de 2022

Vultos e sombras – O massacre de Melilla

 































































Santos, não, somos humanos.

Considerados párias da humanidade.

Como qualificar a humanidade de vocês?

Quem são os santos da história?

Os “bandidos” inocentes ou os carrascos assassinos?

Somos mais uma amostra do que está ocorrendo.

O mundo ativo suplantou nossa existência.

Ninguém mais precisa de nós, mas nós ainda estamos aqui.

Em súplica dizemos o óbvio...

...somos mais do que um incômodo cancro social.

Ou seria, estamos muito além?


Meu corpo está quente e inerte. Sinto o sangue escorrendo. Não sei mais se estou vivo. Foram horas torturantes. Espero que tenha acabado. Imagino ser melhor não estar vivo. O que vier é melhor do que agora. Obrigações e necessidades nos afunilaram para esse vale. A hedionda “Valla de Melilla”. Meu triste histórico do passado permaneceu consciente até a escuridão total. Resisti por mais de três horas. Aterrorizado de medo ouço apenas passos agressivos e gemidos tétricos. Não consigo abrir os olhos mas percebo vultos e sombras rondando meu corpo. Sou apenas mais um na vasta lista de vítimas que todo dia sucumbem tentando entrar em outro país. Neste. Agora. Ao meu lado jazem 36 irmãos de jornada. O número não é oficial, porém é o que as autoridades permitiram aos jornais. Aos poucos tudo vai ficando em silêncio. Já não sinto o corpo quente. Será que o sangue parou de escorrer?



O massacre de Melilla - Dezenas de migrantes da África subsaariana foram massacradas em um evento absurdo perpetrado pela gendarmaria de Marrocos com o apoio da Guarda Civil espanhola quando centenas de pessoas tentaram cruzar a fronteira com a Espanha na manhã do dia 24 de junho de 2022 na divisa da fronteira de Melilla.


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