domingo, 13 de setembro de 2026

Quando o “deve ser”, será?

 

















Por décadas tentando e percebendo a dificuldade da prática, me ocorre que o almejado permanece, isso quando não é abandonado, apenas como uma pretensa pretensão. Como sempre a mantemos no banho-maria da teoria e, pode que em algum tempo outro se faça possível vivenciar as tão sugeridas: Vontade, Sabedoria e Amor. A cada ação de permissividade passiva nos parece que aqui há apenas a possibilidade da abertura ao pluralismo/perspectivismo; mesmo esses exigem tamanha dedicação, possível apenas a alguns bravos.













Toda mudança radical se dá sob forças externas, e ao abandonar o que era: a força interna estabelecida, uma vez maior que o parco conhecimento de então, faz com que o novo promissor seja sufocado como se duas correntes antagônicas colidissem. O que era e o que é, ou seja, sai-se da irrealidade há anos frequentada para mergulhar no novo, no possível novo real, afinal o que sabíamos, o que entendíamos se torna nada frente ao nada desconhecido. 
















O estado insurgente almejado deverá ser desejado com todas as forças, então a novidade arranca o neófito sob fórceps do alojamento que parecia até então uma cômoda morada última; ação que precisa ser executada eliminando também as raízes, não pode ser esfacelado — esse processo é moroso e o obstáculo inicial maior a ser vencido —, pois elas estão conectadas à mente do buscador, e somente se houver essa ruptura corajosa do pensamento até então dominante existe a possibilidade de êxito. 




















Trabalho árduo que se resume a privações; e o que parece o renunciar ao que ainda entende como importante, paulatinamente é redimensionado. E embora por tempo indefinido o processo parece moroso em todos os sentidos, só então o perigo de retorno é afastado, pois necessariamente temos a conversão — mais uma importantíssima iniciação —, e logo que as cicatrizes sejam definidas, outra espécie de vontade, até então desconhecida, aflora; atingido esse estado, o aluno não mais voltará aos raros momentos de alegria quase esquecidos, não, agora não há mais espaço para as velhas vontades, pois finalmente entender-se-á a abertura do significado de, em algum devir, pertencer ao universo como um todo, e esse estado por si só é o prenúncio de perene êxtase.











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