sábado, 14 de outubro de 2017
(in)certas certezas
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Da série "Nós",
PATH
Janelas abertas
“Vivemos em
tempos apocalípticos, como a história já está revelando. Os que sentem em seu
coração alguma espécie de resposta, ainda que tênue, deveriam ser fiéis a essa
intuição preciosa e permitir que ela os guie até que estejam salvos.”
Paul Brunton
*
Aqui e ali
encontramos anotações a pontuar nossa atenção, como se fossem janelas abertas.
Nossa aplicação ora desperta ora não, ora assimila ora não: boas insistências
ao nosso bem estar; mas, a despeito do bem provocado, os burburinhos do
cotidiano devagarinho voltam a se tornar o comandante do nosso pensar, e logo o
barulho ensurdecedor do dia, que cobra a realidade que por hora se faz
necessária, escamoteia qualquer silêncio: para escaninhos que possivelmente
jamais serão revisitados. Esta se tornou a nossa prática. Administrar tão
somente o necessário para ontem. Ultrapassamos o agora sem nem mesmo nos dar
conta de sua importância; era importante que tentássemos voltar a ouvir nosso
coração.
Da Série; vamos prorrogar a existência dos sentimentos
006.o
cqe
Iscas
Avesso a rótulos
gratuitos, tenho comigo que se fossem categorizar-me como algum tipo de
pensador, aceitaria, como gracejo, ser definido como o filósofo do “não sei”,
por entender que, enquanto tivermos ou pudermos repetir com seriedade “não
sei”, no mínimo teremos o tempo a nosso favor para cuidarmos das nossas vidas.
O “sei”, o conhecer: nos chama à responsabilidade. Não mais nos governamos ou
no mínimo ao fazê-lo, precisamos observar uma série de pontos que se interpõem
entre nossa vontade, nosso querer e a realização efetiva.
Um exemplo
simples, tosco e rápido, para ilustrar esta observação; se nossos avós, vindo
de não sei onde do mundo, se instalassem no interior do país, e a vontade,
explorassem a região por mais de duas décadas, de posse que, em determinado
momento algum tipo de autoridade chegasse até eles no intuito de demarcar
verdadeiramente sua propriedade em algum pedaço de papel. A partir de então,
qualquer exploração, derrubada de árvore ou caça além de suas reservas será
considerada ilegal, enquanto, antes da cotização, eles poderiam responder com
tranquilidade: “não sei até onde vão minhas terras”, “não sei quais são meus
limites”, “não sei o que aqui me pertence ou pertence ao governo”; sem nenhuma
consequência. Aqui, no entanto, considerando tão somente a arena material -
fora dele a história é outra.
Observado
sob o aspecto da consciência, as ações são empanadas com ingredientes mais
sutis e, não se enganem, muito mais importantes. Quando, ainda naqueles
cafundós, conhecendo agora as delimitações e observando que por milhas de raio
não vive uma viva alma, nossos ancestrais resolvem fazer um galinheiro, então, sabendo dos limites da reserva e
entendendo da impunidade devido a solidão e a falta de vigilância do estado, nosso
antepassado se joga para além deles para derrubar determinada árvore, própria,
justamente para aquele tipo de construção; enquanto na sua vasta propriedade
possui centenas de árvores da mesma espécie. Mas ele o faz, afinal a lei jamais
o apanhará, e, também, o que é uma árvore a menos em centena de quilômetros de
florestas! Porém o que vale aqui é falar a si próprio; conheço meus limites.
Agora ele sabe; ele os conhece. Este é o ponto.
Determinado
colega mais atencioso interpela sobre o que significa a advertência: “Este espaço é uma experiência pessoal e
pode ser prejudicial a um que outro que por ventura venha a decifrá-lo”,
sobre seu acesso a algumas de nossas ideias. Inicialmente imagino os motivos
que me levaram a anotá-la, mas, antes, não sei, ou melhor, não tenho certeza da
porcentagem que acudiu-me ao entende-lo como uma isca. E peço perdão por isso -
no momento é meu dever registrar esta observação, principalmente por conta do
teor desse texto. Pensar com sinceridade uma resposta ou mesmo assinalar isto, talvez,
como uma pilhéria. Porque não posso negar que sei o quanto uma advertência
incita à causa do efeito contrário em nossas decisões, ao provocar exatamente o
resultado oposto à ação proposta justamente por conta do desafio que provoca.
No entanto, prontamente abandonei este pensamento assim que imaginei aqueles
que apenas movidos por entusiasmos irrefletidos pudessem insistir nas leituras;
então voltei ao ponto original. Portanto é acertado concluir que a partir de
então, em algumas situações de maior atenção em se entendendo o enunciado, não
se pode mais valer do “eu não sabia”, ainda que a forma escrita crie um
anteparo por si só a insistência curiosa. Ao final, a advertência serve de
alerta a estes que ultrapassam o crivo desta fronteira.
Todo
caminho tem retorno, no entanto o caminho que escolhi; ao menos até minha morte
– respeitando o fato do nosso conhecimento pífio sobre o depois – não há esta
possibilidade. Escolhi agir de acordo com a consciência trabalhada no que diz
respeito a minha vida pessoal; e o que significa isso? Que respeito minhas
crenças, o humano e todas as formas de vida, e quando não posso fazê-lo,
prefiro me afastar a levar uma vida de conveniências. Temos aqui um problema
muito sério em relação ao que está fora destas margens, onde, então, preciso me
valer das leis, e o faço; dedicando a maior atenção possível onde o cotidiano
exige a presença constante.
Portanto
preciso estar muito mais atento e antecipar-me a todos aqueles que não o fazem,
para que não me envolvam em assuntos aos quais determinadas regras precisam ser
evitadas ou burladas e, para tanto, procuro manter-me o mais longe possível de
qualquer engenho que possa daí partir convites ou até mesmo ser cogitado;
aventado tais aspectos.
Talvez por
conta da escolha deste caminho, minhas inspirações, na sua grande maioria são
anotadas na forma de apontar onde, cotidianamente, os homens ultrapassam as
fronteiras mesmo que sabendo que ao fazê-lo estão burlando leis e convenções
sociais, territoriais, morais ou éticas e insistem em dizer que não o sabia;
quando, há milênios, têm ao seu dispor informações suficientes para, uma vez
conscientizados, - e todos estão – positivamente responder: “eu sabia”.
Com certeza
absoluta, o nosso mundo é uma grande isca, tudo nos é dado, mas, inegavelmente,
nossa inteligência e criatividade, sempre presente em nossas decisões, estão a
nossa disposição para o bem e para o mal. E nós a utilizamos de forma majestosa
para, invariavelmente repetir ao fim da vida; “eu sobrevivi
maravilhosamente bem”. Esquecendo-se de executar uma releitura mais afinada
sobre a força e o verdadeiro teor desta afirmação, no entanto, ainda que muitos
possam se vangloriar disto, não se demorando em nenhum julgamento prévio,
preferem reclamar; estes talvez estejam ainda em pior condição.
Portanto, retomando
a questão; sou mais um a anotar resultados, e de posse desse conhecimento,
todos que por esta via conseguir interpretá-los estão sendo avisados de antemão que não o
façam, embora, ao final, isto de pouco adianta, porque, neste espaço de
exercícios, somente terão exemplificados o que de real todos nós temos feito; truísmos redundante. Pouco há a se
fazer – também aqui – para desagarrar da isca.
Da série; o que tentei dizer
005.o cqe
sábado, 7 de outubro de 2017
Par e passo - “Viés de confirmação”
Pragmaticamente
falando em relação a otimização do real desenvolvimento propriamente dito, ao
que se refere a evolução como seres inteligentemente pensantes e que entendemos
manifesta e natural a busca por melhoramentos; por excelência. Não sem tempo, antes de qualquer oposição ou
asserção às ideias voltadas a construção ou continuação do que estamos fazendo,
precisaríamos observar o quanto permanecemos par e passo com a evolução
propriamente dita que no momento nos interessa – deveria nos interessar ou se,
minimamente asseveramos ou vislumbramos algo do gênero -, ou seja, as:
econômica, intelectual, eletroeletrônica, espacial e física, por exemplo.
Justamente por conta da disparidade destes aspectos caso fosse aventada a
conformação – ou seria confrontação? - dos opostos. E simultaneamente observar
que há um bom par de décadas não apenas deveria, obrigatoriamente, ser de nosso
interesse como também, se, obviamente, o corrente desenvolvimento é inferente ou
condizente com o que é urgente e de suma importância entender como plausível e
suficientemente forte para ser continuado, baseado ou observado no que
conquistamos de melhor até então em questão de humano evoluído!
Por
exemplo, se por um lado é obvio que as religiões respeitáveis e honestas não se
reciclam por conta de uma base sólida, correta e imutável em correlação ao
sagrado podemos entender que assim o é por elas existirem para o fim único de
pautar as sendas humanas para que sempre observemos que há algo maior a ser
buscado ou no mínimo a direcionar o homem por caminhos mais dignos; portanto as
religiões milenares não promovem a sanha da evolução, elas são o que são, um
cânon, uma régua, um gabarito pronto a ajustar, filtrar e alinhar minimamente o
indivíduo desde o princípio nos valores que nortearão uma existência de
convívio social respeitável e consequentemente assim obrigado a evolução,
inicialmente, pessoal.
Diferentemente
do universo externo às crenças, nós, com bases sólidas de entendimento e de
posse de valores obrigatórios apreendidos a todo convívio social necessário,
desenvolvemos a vontade de evoluir. No entanto a conexão se perdeu; neste somos
todo vontade enquanto relaxamos naquela. A boa religião continuou fazendo o seu
papel, como o bom pai que não deve gerenciar o filho após as lições dadas. No
entanto se o aprendiz continuasse observando estas lições, acertadamente
trilharia um caminho tão experiente quanto, no entanto, mais seguro.
Vivemos
hoje uma situação ou síndrome do médico inapto com muitos clientes. O que o
leva a negligenciar seu trabalho ao fornecer drogas para os pacientes a
revelia, entendendo que este terá um fim único, provavelmente, a morte
prematura, despreocupado em observar que seria mais inteligente melhorar suas
técnicas para não perdê-lo, pois sua ética, seu comprometimento acadêmico e ao
final sua profissionalização lhe traria não apenas o reconhecimento e
consequentemente mais clientes, mas também a satisfação, ao final da vida, por
ter feito um bom trabalho.
O
que queremos dizer é que os poderes sócios políticos abandonaram as atenções
para o fato de lançar mão do que é conhecido tão somente por viés de
confirmação, por exemplo, para manter a população desatenta à caminhada par e
passo com a evolução do acima mencionado; ou seja, de alguma maneira muitos de
nossos representantes entendem que nunca houve tanta informação, tanto
conhecimento disponível a população, esquecendo – por desinteresse ou
propositalmente - que toda a informação precisa ser decodificada, onde a
latente laicidade somada a hoje, quase natural e colegiada – sempre em grupo é
mais fácil defender-se - revelia arraigada, vem provocando, ou melhor,
corroborando a aversão que nós humanos trazemos no DNA quanto à dificuldade que
temos em buscar traduzir qualquer ação que não nos interessa ou não entendemos
– sem a devida atenção a sua presença. Se fosse de entendimento comum, seria
muito importante mudarmos este modus operandi para um futuro próximo. Embora
seja uma repetição, é necessário salientar uma vez mais, que somos dados à
preguiça da busca. Preferimos manter uma teoria porque uma única opinião,
muitas vezes desastrada, está em concomitância com nosso desleixo de pesquisar
uma resposta apreciável ou verdadeiramente condizente que consequentemente nos
manterá na zona de conforto do não esforço da busca por alternativas.
O
monstro da mudança - É mais fácil defender a não aceitação de uma tese bem
defendida que enfrentar o monstro da mudança: a hercúlea tarefa de novas
pesquisas.
Vontade Latente - Aqui,
agora, qualquer vontade altruísta é muita vontade; e muita vontade é coisa rara.
"O
cérebro é como um bom advogado: dado um conjunto de interesses a defender, ele
se põe a convencer o mundo de sua correção lógica e moral, independentemente de
ter qualquer uma das duas. Como um advogado, o cérebro humano quer vitória, não
verdade; e, como um advogado, ele é muitas vezes mais admirável por sua
habilidade do que por sua virtude".
Robert
Wright em "O Animal Moral"; se referindo a nossa parcialidade.
“Nunca
tantos tiveram acesso a tanto conhecimento e se mostraram tão resistentes a aprender
alguma coisa".
“Mantra do se”
...
Quando será finalmente
possível atentar-se antes da ação? E então conter ímpetos, impulsos; conhecer,
assimilar e meditar. Aprender sobre o quão pequeno é o espaço que entendemos
ser o nosso espaço físico no universo, e, com inteligência, ser verdadeiramente
ousado. Observando afinal que não possuímos apenas este espaço/tempo a nos
delimitar. Que dispomos de todo um universo intangível em comum que por agora
desconhecemos, no entanto, com incontáveis e infinitas possibilidades e
totalmente acessível a cada um de nós.
...
Se ampliássemos as
perspectivas sobre a transcendentalidade quanto mudaria nossas referências de quão
equivocados estamos sobre, certo e erado; se entendêssemos que alguns dogmas tratam-se
somente disso!?!
A bosta de boi é mais útil que os dogmas; serve para fazer
estrume.
Máo Zédōng
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Citações Externas
Homem Lego – Da impossibilidade da desconstrução
Hereditário às cavernas - Há tempos
incorporamos ao processo evolutivo intervenções que impossibilitam que a pureza
do berço sobreviva as intempéries da passagem do homem e por atavismo, humana,
para o amadurecimento.
E todos os meios tentados
transformaram nossas vontades em uma panaceia cultural, obviamente, nada
homogênea; terreno fértil somente àqueles que souberam como se aproveitar
dessas desarmonias.
*
São os
apelos do grupo social somado as necessidades minimamente obrigatórias e o
exponencial acesso ao mais variado número de ocorrências externas que constroem
o ser que, dissociado de sua essência erra em disparidades sociais diversas
enquanto entende ser esta a única evolução necessária; a nossa melhor verdade.
Nossa
construção é formada inadvertidamente a partir do nascimento. Partes, como se
fossemos uma peça de quebra-cabeças, serão juntadas ao longo do nosso existir.
Talvez atinjamos o ocaso sem ter a real convicção do que isso significou em
nossa existência. Do que poderíamos ter nos tornado se conservássemos o que
carregamos na passagem e ainda possuímos caso fosse desconstruída essa torre
disforme erigida com e contra nossa vontade - e a desconstrução do arranjo já
estruturado não é tarefa fácil por conta não apenas da vontade individual ou
falta dela dado o entendimento apropriado a esse respeito, mas porque a peça
pronta, - é fácil constatar isso a todo aquele que se apropria do verdadeiro
entendimento - está, totalmente conectada as dezenas ou centenas de coirmãs igualmente
montadas, e portanto, a tudo prendidas.
002.o cqe
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