sábado, 16 de outubro de 2021

Não-mando da mente

 







 

A mente

Mente

Inconsciente

O descrente

Sente

 

O fogo

Faz seu jogo

De novo

Enredado no lodo

 

A mente

Mente

O fogo faz

O jogo

Inconsciente

 

Na consciência

A inconstância

Não-demência

Não-mecânica

Magnânima

Harmônica

 

A mentira

Atira

Não mata

Desgraça

Melhor ter

Ido... morrido

 

A vergonha

Medonha

Se enfronha

No coração

Pedindo perdão

Num desmando

De ilusão

 

Eu

Hoje tudo bem!!!

Um hoje de out/98

 

Da série; Alfarrábios








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Releitura

 





Não se atravessa o mesmo livro uma segunda vez.


Homenagem a Heráclito

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sábado, 9 de outubro de 2021

De Nietzsche e da limpidez por ele alcançada

 





 

A clareza do entendimento de Nietzsche na sua cumplicidade

e então comunhão ambígua com Deus é certamente maior

que o mais íntegro gnóstico dos céus.

 

 





“(...) O resultado que cheguei foi o mais surpreendente possível, mesmo para mim, que já me senti familiarizado com muitos mundos estranhos; verifiquei que era possível reduzir todos os juízos superiores, todos os que se tornaram senhores da sociedade, da humanidade domesticada pelo menos, a juízo de esgotados.

Por trás dos nomes mais sagrados encontrei as tendências mais destruidoras; chamaram Deus ao que enfraquece, ao que ensina a fraqueza, ao que infecta de fraqueza... verifiquei que o ‘homem bom’ era uma auto-afirmação da decadência.”

Os Imortais do Pensamento Universal - Nietzsche

 





*

 


Um Deus conceituado, contaminado através de filtros como ideia e mente humanas precisa ser suplantado.


 





 

A nossa dificuldade reside em suplantar a religião. O Deus do Nietzsche que enfraquece é justamente, ou melhor, é originado justamente, porque não sabemos o que fazer após Suplantá-lo e quando o fazemos enfrentamos a força daqueles que apoiados precisamente na fraqueza advinda da doutrina humana a qual Nietzsche tanto combate, não coaduna com a força daquele que majestosamente a superou e coexiste agora uno – e muito provavelmente, a milhas de distância, só -, com a Força Divina.







Invariavelmente o a definhar, que nada consegue ou pouco está interessado além dos comezinhos diários, trabalha contra o que suplanta; por conformismo, por mentir a si próprio sobre as vontades austeras do terceiro aplicado, imaginando igualá-lo na sua incapacidade de conquistar algo muito além do comum, por ignorar e não encontrar forças para desconsiderar o estado insciente e por último e tão pior quanto, não entender válida qualquer ataque arrazoado a respeito do imaterial; e por aí afora.









010.v cqe






“Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa”



 





Nos episódios finais de Lúcifer o tema “culpa” é fartamente abordado. Da minha parte pouco ortodoxa frente a eternidade infernal, tenho que a que aprendi defender é pior, por ser mais crível, portanto ela dura apenas até que assumamos totalmente nossas culpas.






Algo, igualmente bem trabalhado na série, é que não adianta entender esse lance de culpa, muito menos afirmar categoricamente que não recorda de mais nenhum caso onde se sinta culpado. É preciso vagar por sua ausência aos mundos até que todo o processo de culpa seja levantado e assumido - isso não lembra algumas situações assistidas ainda em vida?









Em uma mescla de pilhéria e observações ajuizadas ao longo de todos os episódios, a firmeza de princípios foi muito bem explorada no encerramento dos episódios a partir da luta particular do personagem principal: a necessidade de reconhecer sua filha e na dificuldade de confirmar que ela estava certa e errada ao mesmo tempo, isto é: ela estava certa em sua afirmação onde ele a abandonou por vinte anos, mas estava errada ao culpa-lo. Chama atenção a veemência com que inicialmente a repele, inclusive negando-a sem saber exatamente o que está acontecendo, afinal ela volta no tempo com ódio mortal de seu pai e pior, ela tem aramas para mata-lo e ainda assim não é evasivo, simplesmente a confronta afirmando que se tivesse tido uma filha jamais a abandonaria.







Este exercício não é sobre a série Lúcifer, claro, porém, a despeito de uma série de pessoas que não tenho a mínima vontade de contar que a assisti; é um seriado com muito teor a ser trabalhado por cada um de nós que estamos, ou que buscamos uma forma mais humana de passar nossos dias na Terra – me valendo de um dos motes da própria série.






O Diabo sendo tocado por alguns humanos a ponto de ter a oportunidade de ser Deus e optar a voltar ao Inferno, entendendo que sua expertise de demônio somado às lições com os humanos pode solucionar o problema daqueles que não conseguem resolver suas culpas no quinto dos infernos e finalmente, com sua ajuda, ter sua saída antecipada.





Tergiversando para outra atração controversa, porém na mesma linha de firmeza de caráter, esta semana assisti ao filme The Dry 2020. Nem de longe é, o filme. Porém a forma como foi construído o protagonista vale a pena entreter-se por alguns minutos. Seu papel pode muito bem representar o sonho de consumo de qualquer misantropo que se prese; reside em um país interessante que desperta pouca atenção, bonito, bem empregado, cativante, sério, focado e o principal: convicto nos seus princípios sem ser arrogante ou ficar de resmungos a tentar convencer quem quer que seja estar equivocado a seu respeito.





Aaron (Eric Bana), mantém uma postura impecável; não saberemos nada totalmente até os últimos minutos da película que não será apreciada no caso de ansiosos não adeptos a filmes de suspense.





Ao longo de alguns dias que se estendem os acontecimentos ele, de volta a sua cidade natal, de onde saiu fugido na adolescência suspeito da morte de uma de suas amigas e acobertado por seu melhor amigo, é convencido a retornar para o funeral deste, que morreu sob circunstâncias bastante suspeitas, e então, obviamente, sofre todo tipo de escárnio, ameaças, ataques; o típico persona mui não grata.








Sob toda essa pressão, ele se mantém impassível e focado, para muitos, sobre humano é a única expressão – a julgar a gratuita promoção da violência em boa parte dos blockbusters de hoje - que o adjetiva em relação ao seu não revide aos ataques que se mostrarão infundados e ainda, que ele é um cara totalmente do bem, e como sempre, muito superior a todos que o condenavam.






Ele não era culpado, no entanto as circunstâncias o deixavam de mãos atadas. Uma situação bem construída, afinal é isso que ao final todos nós descobriremos ao confrontar o novo Lúcifer analista tentando nos explicar porque a vida parece injusta, mas na verdade ela está testando nossas forças pois sabe que tudo o que ocorre aqui é por culpa de nós mesmo – ações não pensadas ou obrigatórias no entanto alheias as nossas vontades -, uma culpa que leva a outra culpa que encontra um ou mais irmãos de culpas nas mesmas condições em um joguete de ilusões vaidosas que somente serão confrontadas diante do espelho da eternidade.






Existe sempre a chance de sermos agraciado com um final mostrado por Ariano Suassuna em seu Auto da Compadecida, para nos aliviar e quem sabe nos manter ativos em meio a esse reboliço de culpados e torcer para que as culpas que não admitimos – não reconhecemos - não sejam infindáveis.







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Favas contadas



 






A teoria, a prática e a excelência

Da luta contra os instintos e a fatal decadência - assim como outros exemplos de origens icônicas, Jesus levantou uma causa, a Causa do Amor; mostrou o caminho; as opções e ações necessárias para atingi-lo, mas o expediente jamais poderia ser a fórceps. O processo é longo e nessa longevidade se não se está preparado tudo são favas contadas.


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15.ALÉM

 





















































 


Seríamos nós a razão da sabedoria divina?

O motivo desta escuridão devastada?

Que valor teríamos neste incomensurável silêncio?

Que nele permanece?

Tão calmo e inocente dos fatos que aqui acontece






 

Daria eu de mim toda esta vida

Somente para descobrir o porquê de todo este mistério

Menores que um grão de areia nós somos

Assim eu me sinto

Quando percebo que o teto do mundo

É infinito







 

Rosângela Stononga

 









(Textos da década de 80 da Minha Esposa, ainda muito jovem; artesanalmente ordenados como um pequeno livreto, recentemente resgatado, que resolvi transcrever para este espaço divididos em posts semanais)





 

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sábado, 2 de outubro de 2021

“Je suis balconist”

 




Liberdade – Somos todos balconistas


A expressão “balconist” aqui faz alusão ao atendente – atende ao patrão quanto ao cliente -, porém, antes, é uma pilhéria; afinal o exercício de hoje tende mais para o chiste – ou em maior grau. Ao iniciar com o título “je suis balconist”, somos todos balconistas, ainda que seja emprestado da lamentável ocorrência acionada a partir dos inconsequentes funcionários do Charlie Hebdo ao provocar a ira de alguns radicais que odiaram uma das capas do jornaleco francês no ano de 2015 que retratava Maomé com desrespeito; o tom aqui é mais afirmação à nossa condição – uma alusão ao estado humano corrente - que homenagear o, mais do que respeitável grupo, dos balconistas.






A ideia desse exercício nasceu já há alguns dias, quando a chamada das notícias despertou atenção para uma qualquer em meio ao jornalismo repetitivo e enfadonho. A televisão ligada sem maior atenção, a não ser para a informação esperada. Então em menos de trinta segundos a âncora dá uma mísera nota para o único apontamento aguardado. Uma vez mais perco meu tempo, afinal o que ela disse, nada acresceu a qualquer um minimamente informado sobre a ocorrência.






Em meio ao desapontamento normal de mais uma vez sair contrariado de uma espera boba penso na condição do âncora icônico, figura importante para o jornalismo mundial: não ter a liberdade de se pronunciar sobre determinado assunto quando suas inclinações precisam ser deixadas de lado por conta da tendência maior da instituição que paga seu salário, ou coisa que o valha.








Imediatamente a releguei a uma mera balconista - Nota aos hipócritas de plantão: o “mera” não dever ser interpretado como um desrespeito a classe de balconistas, mas primeiro a formulação jocosa do viés textual, dialético, e segundo: porque o mundo material considera o ser âncora o supra sumo do jornalismo televisivo nacional, afinal qualquer profissional, mesmo o melhor articulista; nem de longe com seu intelecto, às ruas, abafa a fama de qualquer âncora/celebridade que esteja momentaneamente em evidência.






Balconistas, âncoras, atendentes (call centeres); em se tratando de liberdade, somos tudo farinha do mesmo saco. Todos de alguma forma em maior ou menor grau dependemos de uma caralhada de chefes para executar – filtrar - nossas atividades. Nós e eles, dependemos de normas e padrões da empresa a que estamos filiados e o resto de nós, ao que quer que seja que estamos fazendo, obedecemos às leis, pais, governos, papas, chás, independente se é um Ali, um Silva, um Salâmi radical, fato é que não agimos por vontade própria, a liberdade não existe – e não nos enganemos; do maior ditador aos influenciadores da Times, ninguém escapa.






Conscientizar-se disso; isso sim é que é libertador. Afinal, em se sendo inteligente é muito mais fácil sobreviver preso.






Viver neste Plano Terra é muito mais divertido àquele que aprendeu que aqui ninguém; ninguém mesmo, é livre. Chegar a essa conclusão não apenas é libertador como é a Iluminação Material. Existe a Espiritual, impossível para nós ocidentais, mas podemos nos esforçar para conseguir aquela que nos liberta em meio às gondolas das conveniências: a Iluminação Material; e é claro que essa iluminação é abrangente e importantíssima para nós, balconistas de plantão. É o niilismo individual onde tudo cai por terra, onde o alforriado diz sim, inicialmente, a tudo, até entender que ninguém o entende e então é preciso viver como um ermitão social. Tudo é conveniente, mas pouco convém; daí o caminho é a atuo-exclusão ao descobrir que só poderemos ter um mínimo de liberdade construindo uma nova comunidade. Primeiro a sociedade do “eu sozinho” e aos poucos, se entender que o apartamento social pode ser preenchido com um ou dois escolhidos, inicia a formação de uma comunidade de dois ou três sozinhos.







Voltando a âncora, lembrando de algumas escolas que se atentam para a energia das palavras; o que âncora significa? Estacionar; ficar parado; estar preso a algo que não nos permite mover – estar apoiado.






Ao acordar para essa disposição é mais fácil entender que entre a âncora alheia e a nossa; joguemos, lancemos a nossa em um recanto em que ela afirme ou confirme que é só ao atingir, trazer nossa prisão para o individual, que seremos relativamente livres.






006.v cqe








Da monetização da vida



 



Evidentemente a vida em si jamais deveria ser postulada em valores, não há uma superior em cifras à outra, no entanto a história humana precarizou a existência em detrimento a apreçamentos; da monetização correlacionada, muito, sob referências tragicômicas humanas, então uma série de nós, indiferentes - ao não enxergar a diferença -, e mimetizados ao processo, aceita tudo como natural ao movimento.


***





Vida como alma vs. vida como organismo - Ao tender o homem ao valor econômico, de roldão abandonou-se a vida sensível em detrimento a vida material.



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