Ficar
injuriado com alguém que pejorativamente assim nos denomina não muda a história
de quem somos.
— Eu não
deixo passar nada, ela disse.
— Eu respondo
ao pé da letra, diz outro.
— Não vou
esquecer nunca os ataques dela, responde um terceiro.
Como é
difícil ponderar sobre a nossa realidade. Entre a crítica e o criticado existe
um abismo tão intransponível quanto o desconhecimento de ambos. Aprendemos
antes a ação do revide, quando o mais acertado seria entender o porquê dá
prática.
Nossos,
orgulho, insegurança, vergonha e vitimização aparecem com tal poder de domínio
sobre nós sempre que somos contrariados, criticados, ou nos chamam atenção.
Antes resistimos a todo custo diante de ações contrárias as nossas vontades,
muitas vezes mesquinhas. Aceitar tudo passivamente também não é a melhor
solução. No entanto seria mais inteligente o exercício da autocrítica; por que
isso aconteceu ou sempre acontece comigo? Sou o provocador destas ações que me
contrariam? Possuo discernimento suficiente para entender e aceitar minha
parcela de culpa, ou ainda, juízo suficiente para entender que a agressão
física ou verbal como revide nunca é uma opção?
A máxima
popular do achincalhe pessoal entendido sob o ponto de vista de alguém
inteligente em que não há o revide é uma lição a ser aprendida na escola
secundária. “Se a pessoa me agrediu com razão, devo aceitar e continuar meu
caminho, se ela está errada, também devo proceder como no caso anterior; afinal
ela não está me julgando corretamente por algum motivo, portanto, se não está
certa a meu respeito e está a me desrespeitar, por que devo dar satisfações,
minha atitude única é seguir adiante.”
Mais
salomônica impossível. Se é verdade, devo aceitar os impropérios, afinal sou um
pária, se se trata de uma inverdade; por que vou me dar ao desfrute de provar a
alguém que obviamente não merece?
Ao ser
questionado porque não retrucava seus algozes que viviam lhe infernizando a
vida na Polis; Sócrates respondeu: “por que deveria eu revidar o coice a um
burro?”.
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