sábado, 13 de junho de 2026

“Palomino”

 










Ficar injuriado com alguém que pejorativamente assim nos denomina não muda a história de quem somos.

— Eu não deixo passar nada, ela disse.

— Eu respondo ao pé da letra, diz outro.

— Não vou esquecer nunca os ataques dela, responde um terceiro.

Como é difícil ponderar sobre a nossa realidade. Entre a crítica e o criticado existe um abismo tão intransponível quanto o desconhecimento de ambos. Aprendemos antes a ação do revide, quando o mais acertado seria entender o porquê dá prática. 










Nossos, orgulho, insegurança, vergonha e vitimização aparecem com tal poder de domínio sobre nós sempre que somos contrariados, criticados, ou nos chamam atenção. Antes resistimos a todo custo diante de ações contrárias as nossas vontades, muitas vezes mesquinhas. Aceitar tudo passivamente também não é a melhor solução. No entanto seria mais inteligente o exercício da autocrítica; por que isso aconteceu ou sempre acontece comigo? Sou o provocador destas ações que me contrariam? Possuo discernimento suficiente para entender e aceitar minha parcela de culpa, ou ainda, juízo suficiente para entender que a agressão física ou verbal como revide nunca é uma opção?










A máxima popular do achincalhe pessoal entendido sob o ponto de vista de alguém inteligente em que não há o revide é uma lição a ser aprendida na escola secundária. “Se a pessoa me agrediu com razão, devo aceitar e continuar meu caminho, se ela está errada, também devo proceder como no caso anterior; afinal ela não está me julgando corretamente por algum motivo, portanto, se não está certa a meu respeito e está a me desrespeitar, por que devo dar satisfações, minha atitude única é seguir adiante.”










Mais salomônica impossível. Se é verdade, devo aceitar os impropérios, afinal sou um pária, se se trata de uma inverdade; por que vou me dar ao desfrute de provar a alguém que obviamente não merece?










Ao ser questionado porque não retrucava seus algozes que viviam lhe infernizando a vida na Polis; Sócrates respondeu: “por que deveria eu revidar o coice a um burro?”.










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