domingo, 27 de maio de 2012

Até onde é um erro afirmar o erro dos antigos?

Temos visto estudiosos, mesmo entre aqueles, digamos, de honraria pública, afirmar que Sócrates não estava totalmente certo; que Platão equivocou-se em defender opiniões passadas, diversas ou divergentes ou o que quer que seja; que Schopenhauer não separava sua crítica do que lhe era pessoal ou que Nietzsche deve ser lembrado antes por uma dezena de defeitos até que seja apontado seu fantástico discernimento, sua maravilhosa e invejável, já à época, sensibilidade para com a análise do humano. Até onde estes pesquisadores por mais respeitados que possam ser, têm, possuem, adquiriram, conquistaram o direito ou razão à condenação daqueles que trilharam, ou melhor, que ousaram trilar o difícil e espinhoso caminho do portar-se humano?

É certo que nem todos os pais da evolução humana estiveram sempre certos, e nem todas as críticas são infundadas, mas até onde elas são necessárias ou positivas? Portanto é mais acertado dizer que todos estes que agora podem apontar possíveis divergências, tiveram ou têm a disposição um tempo de dimensões consideráveis a ser observado, e assim, suas análises podem se debruçar sobre um campo infindável se levado em consideração a evolução das pesquisas a partir de então; os recursos técnicos, escassos aos eruditos e que evoluíram enormemente ao longo dos séculos nem sempre são levados em consideração, assim como os aparatos ferramentais a disposição hoje, nada limitados apenas a meros tubos de ensaio ou a observação pura e simples do comportar humano atual, isso por si só autocondena ainda mais os “condenadores” remetendo-os tecnicamente ao campo da covardia.

É muito fácil emitir uma opinião contestadora a respeito de um dos grandes quando se tem o conhecimento de causa tão mínimo quanto à chance de vê-la exposta na mídia alcoviteira. Isto não é ético e não demonstra nada além de sua fraqueza; quando nos parece existir aí apenas a busca de ver cunhado seu maldito nome junto àquele atacado, sim porque em alguns casos até os livro de história carregam, desavisadamente, ou devido a uma obrigação, – tão falha quanto - esta (des)informação.

De posse de uma amplidão holística privilegiadíssima, devemos entender então, ser muito mais errado hoje apontar os erros passados, os equívocos, ou as leituras registradas de forma deficitária há séculos, que a observação - no mais das vezes oportunista - em si. Principalmente se levarmos em consideração que uma série destes que hoje apontam, vivem mais de apontar pesquisas em suntuosas bibliotecas, comodamente sentados, que exercitando buscas diligentes in loco por diversos motivos: praticidade, ou mesmo incompetência ou preguiça, e é claro, entendendo que seu trabalho jamais será verdadeiramente reconhecido, embora, ainda assim, poderá figurar como um parasita incômodo para toda a eternidade ao lado daquele de trabalho incontestável.

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Uma explicação óbvia



Depois do óbvio, o silêncio; ao menos deveria ser assim.

A obviedade do que dito faz com que entenda ser óbvio o seu entendimento.

Por considerar óbvio que assim seja, não me preocupo, por evidentemente, ser óbvio não necessitar o óbvio de decodificação.

Isto nos leva ao paradoxo do óbvio onde há um subentendimento de que, quando óbvio, tudo se auto explica, repito, tornando óbvio a não explicação; ou seria ambíguo!?!

Recomendação de rodapé do editor:
Explicar o óbvio é a maior declaração de
 que não se entendeu nada, ou de entender que ninguém o fez.
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domingo, 20 de maio de 2012

Simpatia e esforço

Quando a execução é praticada por serviçal simpático, dedicado, mesmo diante de considerável falha, deixamo-la passar, do contrário, se o executante se montra arredio, não gostar da vida ou do que faz, ainda que se esforce; à mínima chance de implicação para atormentá-lo será explorada.

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Valorizando-se



Vale muito mais você conseguir atingir um estado onde se entenda inteligente e com propriedades como alguém de valor real, do que lutar para que este valor seja alcançado de forma que terceiros o observe e o eleve, pois este elevar tem pouca valia; acredite. Se for pouco, por pouco tempo persiste; se for muito cairá na vala comum de honrarias que se perderão entre a ovação da massa e a admiração consciente de alguns de honestidade rara; somente o seu auto reconhecimento poderá ser verdadeiro e infinito, trabalhe isso buscando-o; e nele permaneça.

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Ânsia qualificada


Carta a um cardiologista chato.

Já temos tanto, cultivemos ainda a ânsia então.

A ânsia cultivada com equilíbrio é de uma nocividade salutar superior a qualquer vício desequilibrado e desmoralizante ao mais íntegro dos seres; o vício degradante cega, a ânsia, quando observada de perto por seu dono patológico, está muito mais para fonte de prazer, que para uma disfunção generalizada pura e simplesmente – porém o especialista diagnosticador isto ignora também, e receita as drogas que lhe dispõem viagens.

Quando percebida e caprichosamente cultivada, ela age no mínimo como um balsamo ao débil sadista; um antídoto – radical evidente - contra a tranquilidade da embriaguez cotidiana e sóbria que promove apenas um prazer fugas e nefasto; de camufla; desgraçadamente apreciada por todo aquele que empunha a bandeira da higidez, entre tal entorpecimento abobado, que não se engane aquele que interpreta apenas a simbologia textual crua, carrega em sua azáfama particular a lucidez da realidade de que, sua consciência, qual mordomo eficiente, sempre estará a postos assim que passe o porre.

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domingo, 13 de maio de 2012

"Não Temo"


Este poema é creditado ao grande Milarepa, um Lama, um Iogue, um Poeta nascido próximo do ano mil da nossa era.

Embora suas palavras estejam carregadas de simbologia, mesmo na língua portuguesa, o que se conta é que em sua linguagem original, quando de sua construção, ao que menos se fazia alusão era a forma escrita e sim ao poder oculto em sua mensagem. A energia que a harmonia da métrica, da rima de sua construção, provocava ao ser invocado.

"Não Temo"

No temor da morte construí uma casa
E minha casa é casa do vazio da verdade
Agora, já não temo a morte

No temor do frio comprei um abrigo
E meu abrigo é o abrigo do fogo interior
E agora já não temo o frio

No temor da escassez, procurei riqueza
E minha riqueza é gloriosa, interminável, sete vezes maior
Agora já não temo a escassez

No temor da forme procurei alimento.
E o meu alimento é o alimento da meditação da verdade  
Agora já não temo a fome

No temor da sede procurei o que beber
E a minha bebida é o néctar do conhecimento verdadeiro
Agora já não temo a sede

No temor do tédio, procurei um companheiro
E o meu companheiro é o perene vazio da felicidade
Agora já não temo o tédio

No temor do erro, procurei o Caminho
E o meu caminho é o Caminho da união transcendental
Agora já não temo o erro

Sou o sábio que possui em plenitude
Os múltiplos tesouros do desejo
E onde quer que habite, sou feliz

Milarepa

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Um dos papéis do filósofo



A função de alguns poucos filósofos visionários é preparar a terra para que um dia alguém consiga com algum esforço plantar a partir das sementes que possivelmente maturarão.

Ele desempenha um papel como se fosse aquele jogador excepcional que serve o artilheiro com bolas arredondadas; preparam as jogadas para que os outros venham e as concluam.

A partir de então dependerá apenas do esforço, da vontade, do jogo de interesses para que suas percepções tornem-se ou não acessíveis; decifráveis, e suas visões então sejam decodificadas para que atinjam o bem comum.

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sábado, 5 de maio de 2012

Vai entender ! II



O mais difícil a ser feito após entender o sentido da vida é encontrar sentido na vida.

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terça-feira, 1 de maio de 2012

Marketing




De que vale a marca se onde estamos ninguém a reconhece!?!

E, se ao contrário, o fizerem, não são estes iguais a nós que a
compram para este tipo de identificação!?!

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Não grito


Serei mais silêncio à medida que caminho para o depois eterno

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segunda-feira, 30 de abril de 2012

A verdade é material



A verdade deve sempre ser buscada, porém a verdade é material, é terrena, faz parte da ânsia humana, da ânsia do buscador primário, e, embora extremamente necessária, quando consciente, uma vez ultrapassada, é atingido o sentimento, é atingida a essência.

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domingo, 22 de abril de 2012

Castas



Aquele que não se submete por vergonha, orgulho ou entender-se superior a trabalhos e causas que lhe são motivos de piada, ou dignos apenas aos menores, menos devemos entender que seja por isso que por incompetência ou receio de não realizar um trabalho melhor, porém incapazes que são de darem como certa essa máxima, seguirão ignorando a si mesmos e desdenhando, humilhando, desmoralizando ou mesmo escrachando todos os demais a eles muito necessários.

Embora não entendamos ser apenas parte da cultura este proceder, ou seja, existe muito nesta ação, somado à falta de instrução, a preguiça, a conivência, a tranquilidade em manter um estado de comodidade que nem sempre estão somente ligadas as classes muitíssimo acima dos executores, vemos este processo repetir-se por entre uma infinidade de classes sociais e países; é o fantástico poder atuando e delegando espaço e benesses aos verdadeiros merecedores, - é assim que os próprios o entendem - devemos compreender então que por trás desse comportamento existe muito do que chamamos escassez de instrução destes beneficiados que acabam nem mesmo sendo condenados, mesmo por alguma covardia ou falta de reconhecimento aos serviços prestados, afinal já foi dito que o ignorar torna o condenado menos culpado, porém, é preciso que questionemos: seria possível precisar o grau de ocorrência desta cultura!
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Estilo nenhum


Os grandes artistas, aqueles verdadeiramente dedicados tem estilo único por não haver tempo para observarem a arte alheia; outros estilos. Então, se por um lado, desta feita, não são corrompidos por agentes externos, por outro, pouco tem tempo para dedicarem-se a outro assunto que não a busca de aperfeiçoar ainda mais seu trabalho singular.

A partir de sua descoberta, quando estes exclusivos vem a público, geralmente após sua morte ou já em idade muito avançada, serão eles agora motivos de estudo, e então seu estilo nenhum será rotulado por aqueles todos que tem tempo para a partir de então, copiá-lo.

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sábado, 14 de abril de 2012

Está escrito



Está escrito que estamos aqui para sofrer, mas ai daquele que faz sofrer; alguém me perguntou qual minha opinião sobre esta colocação visto que já a usei com epígrafe em algumas situações em meu rabiscar insistente.

Disse-lhe então, que a mensagem é clara, e é o que é, simples assim, infelizmente temos, no mínimo, preguiça de pensar o assunto, porém o principal é que nosso questionar, nosso passar por cima procurando respostas é na verdade uma fuga do óbvio, ou seja, buscamos sempre encontrar uma resposta ou alguém que dê-nos uma que venha de encontro a nossa forma de vida, a fim de que não a mudemos, e, enquanto não encontramos, ficamos a deriva, fazendo-nos de desentendidos ou esperando que a verdade não seja exatamente aquela que está ali explicitada.

Por este motivo então é que não pasma a conivência de tantos com esse não concordar, com o fingir desentendimento com este decreto milenar, portador de uma verdade bastante provável e aceita com normalidade por todos aqueles que trabalham com termos como respeito, Leis Sagradas, ética, consciência, razão, então para o grupo que difere de um pensar reto, julga estas palavras de acordo, é claro, com suas ainda tortas observações, com o seu agir ainda desconexo, não contextualizado, ou com aquele entendimento consciente apenas aos pulhas, - vide os serviços públicos, por exemplo - que mesmo que não entendam nada de ética, entendem que é assim que tudo funciona, que se ele não agir assim estará sendo visto como fraco, como otário, estes, porém, fugiram de um compreender sensato e concordam com o raciocínio dos “vencedores”, eles não concordam com a ideia de existir um querer honesto entre as pessoas, estes somam-se ao grupo daqueles que defendem que todos pertencem a uma linhagem única, a linhagem do interesse, a linhagem da esperteza, e de posse desse analisar massificado, retrogrado e cômodo, embora totalmente necessário em algumas formações de aglomerados que buscam aumentar sua participação no jogo, para estes portanto, não lhes sobra tempo para uma análise mais demorada sobre a afirmação acima, e a entendem apenas como retórica, ou uma licença poética já fora do tom, fora de época e dita apenas por aqueles que, no frigir dos ovos, pensam exatamente igual a eles, onde tudo o que fazem está sempre direcionado a firmar-se no grupo.

016.e cqe

Inteligência gera mais inteligência


Alguém já escreveu que, àquele que já possui lhe será dado ainda mais; e a despeito de todas as dúvidas, de todas as polêmicas, isto é mecânica pura e, portanto, matemática básica.

A energia quando bem utilizada gera ainda mais energia; e assim é com o dinheiro, por exemplo, e também com a inteligência.

Parece ser até obra de ingratidão do universo com o homem sofrido, ou o homem que é castigado devido à falta de inteligência, pois ele nada pode fazer se não possui esta ferramenta, já o ser inteligente não raro vale-se até da inteligência alheia como instrumento para tornar seu existir ainda mais cômodo.

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O mais difícil é que é mais fácil escrever isto que entender a que grupo pertenço, afinal ainda esta semana ouvi de um amigo que a meu ver, financeiramente, - que é o que vale, não? - está muito melhor do que eu sentenciar quando o nomeei inteligente, e ao perguntar como ele tem passado: “Lutando muito para perder de pouco, afinal se eu fosse inteligente não estaria aqui fazendo o que faço”.

017.e cqe

domingo, 8 de abril de 2012

Do bem








O fato de ser do bem não classifica ninguém como especial, isto não existe. Tenho assistido a pessoas que se dizem do bem excomungando os demais por as terem rechaçado, as terem humilhado, não as terem respeitado como merecem ou como entendem merecer por julgarem-se acima das demais, quando do cumprimento de seu voluntariado.

Em algumas situações até, com veemência, fazendo alusão ou mesmo lançando mão de retaliações; quando alguns de seus pares foram assassinados desempenhando ou não o trabalho a que julgaram mais aptas em benefício da humanidade, vide situações diversas como colaboradores da ONU, por exemplo, freiras ou religiosos em países pobres, pessoas comuns, estudantes, atores, biólogos e ripongas em defesa dos diretos humanos ou mesmo da preservação da natureza, por exemplo.

Mesmo que louvável, seus papéis, suas escolhas; não devem eles buscar um tratamento especial, diferenciado, afinal não apenas são voluntários, - o que já os qualifica como um nível superior aos não voluntários – como, implicitamente, devem esta dispostos a praticar o bem sob qualquer circunstância, - suas escolhas chancelam esta verdade - isto significa que devem se preparar para estarem aptas, prontas, atentas, em todas as situações, inclusive aquelas onde o bem principal é entender que o ignorar mundano os condenará a reles mortais como aqueles que os atacam - é o ônus da escolha.

Temos assistido ao longo, principalmente, destas últimas décadas, um avolumar-se de pessoas que, compadecidas, ou conscientizadas na necessidade do mundo diante de uma série de catástrofes, injustiças, crimes e covardias praticadas contra as pessoas ou o planeta, formaram um contingente louvável na defesa dos indefesos, porém não raro assistimos a estes, tomando tudo como uma luta pessoal, lhes sobe à cabeça o fato de ser diferenciado, onde, definitivamente, não pode ser assim.

Esta escolha é linda, magnífica, edificante, mas deve ser assimilada dentro de uma conscientização tão superior quanto à própria escolha, e exigir que as pessoas as respeitem de forma diferenciada devido a isto não é uma demonstração de humildade, é não apenas sentir-se diferente como querer ser reconhecido como diferente.

Este comportar-se, infelizmente a iguala aquele que isso não reconhece e por outro lado, apaga o rico trabalho feito junto àquele que a reconheceu até então.

Aquele que se entende superior não o é, já, aquele que é e assim não se entende, certamente é por isso que assim se mantém.



014.e cqe


Seções terapêuticas

 

Aprendi com alguém muito especial que frequentamos seções terapêuticas justamente para que consigamos voltar a participar ativamente, sermos novamente qualificados como seres comuns ao meio social.

 

Num primeiro momento, isto há duas décadas, entendi tal asserção mais como uma provocação, dada a sua origem e o histórico do autor, a propósito, dono de uma das psicologias mais ferinas que conheci, não necessariamente entendi como inválida, apenas a vi, como disse, tão oportuna quanto provocativa. Agora, entendo-a como perfeitamente válida, embora ainda conserve o cunho acentuado do desafio, porém acredito que aquele que consegue passar por este processo sozinho, sem a ajuda de um profissional, porém não seja mais um comum ajustado ao sistema e sim um incomum ajustado às necessidades de sobreviver ao sistema, observando sempre o fator, o binômio, inteligência e razão, provavelmente viverá um experiência muitíssimo mais rica, embora sofra na mesma proporção esta escolha, fato é que conseguirá sozinho, e carregará consigo seus filhos, suas crias, seus vícios e suas vontades, sua arte, sua bossa e não a de um profissional que não raro passou pela maior sessão terapêutica que pode existir antes de tornar-se um “pitaqueiro” oficial da vida alheia, a sala de aula, os bancos da universidade.

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sábado, 31 de março de 2012

A Verdadeira Inteligência de luto



"Se os seus princípios são rígidos e inabaláveis, você, pessoalmente, já não precisa ser tanto."



Millôr Fernandes

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Não tínhamos ainda vinte anos quando este raro ser começou a exercer forte influência em nossa visão crítica, e também, mudando a forma de observar-mos a arte da escrita; que existiam outras linhas, bastante diferente da não aprendida na escola.


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Free Tibet XXXIV


Todo aquele que negligencia a má ação em andamento, em detrimento de um bem, de um interesse próprio, está a avalizar a covardia cometida, e contribuindo com uma parcela maior ou menor dessa crueldade. 

Anônimo

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Notícia veiculada na rede em 27/03/2012

Tibetano ateia fogo no corpo contra visita de presidente chinês à Índia
Janphel Yeshi foi levado para um hospital local.

Segundo agência, ele teve 85% do corpo queimado e seu estado é crítico.
Da France Presse e Reuters

Um exilado tibetano ateou fogo ao corpo nesta segunda-feira (26) em Nova Délhi durante uma manifestação de protesto contra a visita que o presidente chinês, Hu Jintao, fará em breve à Índia. O protesto ocorre dias antes da Quarta Cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que ocorrerá entre 28 e 29 de março, em Nova Délhi, e terá a presença da presidente Dilma Rousseff.


O homem, de 27 anos, identificado como Janphel Yeshi, colocou fogo no corpo em pleno centro da capital indiana, segundo fontes policiais. Ele foi levado para um hospital e, segundo a agência de notícias Associated Press, teve 85% do corpo queimado e seu estado é crítico. Ao menos 30 tibetanos já atearam fogo contra o corpo no último ano contra o controle chinês na região do Tibete e pela volta do Dalai Lama à região - 20 deles morreram.


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Desistência duplamente sentida


A vantagem que a pessoa voltada a um pensar aberto, complexo cujo caminhar já alcançou alguns níveis diferenciados da análise comum é o de que cada vez mais atinge a razão da insignificância que reside em provar ou asseverar aos seus próximos as escassas, porém nobres maravilhas conquistadas; as descobertas inacessíveis, intangíveis, normalmente tidas como ridículas ou mesmo mirabolantes. Fruto de razões - quando observadas por agentes externos ainda rudes - baseadas em esquisitices que beiram o imoderado estrambótico.

Existentes; possíveis, ainda limitadas ao conhecimento científico e mais aos seus algozes de vitupérios, pois, à medida que a conversa distende para um pensar denso e complexo, tem seu juízo assemelhado então, mais a de um louco, pouco digno de crédito, e alvo dos mais toscos e até severos preconceitos, germe de uma mente ainda pura para o novo, ao que há de ser ainda a ela.

Este julgar menos magoa que causa dó, por entender que calar-se é o único caminho para continuar; ou seja, quando não há outra solução, calar-se ainda é, sabiamente, a única opção.

Contribuição da Minha Bem Amada



012.e cqe



Legado

Alguns autores lembram-nos dos 
riscos que correm aqueles homens
responsáveis, de moral ilibada,
que muito fizeram para construir
um legado que o transformaram
em seres merecidamente dignos
de serem lembrados por seus próximos, e também, àqueles
beneficiados; com uma passagem
verdadeiramente histórica, ao
deixar  um posto orgulhosamente
conquistado e bravamente
defendido com base nos mais
puros princípios de honra e honestidade a um filho ou um  indicado de confiança.

Estes autores fazem estas observações buscando atingir não apenas aquele que entrega o cargo, mas, principalmente, ao indicado, a fim de observar os cuidados que o primeiro deve ter na escolha, e o segundo; no orgulho e responsabilidade de ser o escolhido, afinal, este terá a dificílima tarefa de continuar carregando a bandeira de seu antecessor, no mínimo, respeitando a confiança depositada e com o mesmo afinco assistida no seu indicador até então, em algumas situações seria digno de aplauso, àquele que desvestido de ganância entendesse que não podendo responder a altura o cargo que lhe foi dignado, não o aceitasse, antes de ter seu nome atrelado a algum mau feito que ferisse não apenas seu caráter como e principalmente o histórico daquele que o nomeou.



Do meu lado entendo que mediante tal privilégio, tal sorte, tal honra o mínimo que se tem a fazer e dignar-se a estudar seu padrinho nos mais íntimos detalhes e fazer ainda o impossível, a fim de lapidar, de moldar o germe criado, envolto em alguns dos elementos amalgamados de maior dureza, de melhor liga, perpetuando com dignidade a confiança depositada.

Trilhando então, um caminho honrado, devo buscar que meus antepassados, onde quer que ouçam falar a meu respeito, não se escondam ao ouvir meu nome, depurando, quando possível, ainda mais o puro sangue legado, ao premiar com os maiores valores os princípios há muito defendidos, dignificando todo o caráter e a confiança em mim depositada.

Não é sem propósito encaixar aqui, e lembrar ainda mais uma vez a voz do profeta Nietzsche quando ensina que: antes de cometer algum ato que nos leve a pensar se está contido dentro de um coração que se digna a justeza, imagine que próximo a você, durante o ato, esteja presente a pessoa que você mais admira; se ainda assim este ato deve ser consumado: comete-o.


013.e cqe

domingo, 25 de março de 2012

Tarde demais



51.Os provincianos e os tolos estão sempre prontos a zangar-se e a acreditar que os outros riem deles e os desprezam: Nunca devemos arriscar um gracejo, mesmo o mais simples e inocente, a não ser entre pessoas educadas e inteligentes.

Jean de La Bruyère

Do Livro CARACTERES, p.88, de Jean de La Bruyère, editora Escala.

Entendo que li tarde demais esta observação.



Da série: Não à alegria próximo àqueles que ignoram.

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A arte que provêm da vaidade


Ao assistir um grupo muitíssimo afinado de sapateado, olhando as expressões dos dançarinos me vem à mente a soberba, o orgulho, a satisfação de se estar executando verdadeira obra de arte. O conjunto, a harmonia; sem dúvida, um trabalho admirável, então entendo também quão importante é a vaidade, me parece que este germe tão desprezível e que remonta a opiniões por demais abjetas, é o responsável maior, - em muitas situações - por assistirmos; por sermos brindados a grandes atuações, destas que não apenas nos enchem os olhos, mas tocam nossas almas. Tenho comigo que muitos artistas foram movidos mais por terem sido aplaudidos; pelo volume de aplausos recebidos ao longo da escala evolutiva de sua arte, e menos por seus cuidados em elevar a arte em si; é claro que não podemos descartar que em muitos deles, senão na maioria, (principalmente aqueles de real destaque) tiveram assim, ao longo de seu caminhar, não somente despertado, como franqueado o germe da verdadeira arte, e a partir de então, a vaidade provavelmente desapareceu ou foi exilada ao plano que lhe é devido.

006.e cqe

Churumelas


Reclamação; exercite a ação de eliminá-la.

Não reclame, tudo muda a todo instante, e além do mais, pouco conhecemos dos desígnios do universo, e, a qualquer instante, qualquer um pode ser surpreendido com o que entende ser uma ótima notícia, a felicidade pode ser melhor aproveitada quando não precedida de uma ladainha nauseabunda, que com certeza ofuscará o brilho do novo presente.

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Nasça pobre


Logo você irá morrer, então, escolha nascer pobre na sua próxima existência, ao menos, a vida de seus pais, os quereres, as vontades de seus pais não irás precisar viver; partindo do princípio que muitos pais, quando proprietário de invejáveis posses, preferem direcionar a vida dos filhos, abortando assim, em algumas situações, um caminho voltado a arte, a ciência, a um legado positivo às futuras gerações, afinal, quando pobre, devido às escassas alternativas; o melhor que se tem a fazer é abandonar o lar a procura de não ser mais um peso na vida da família, e não raro, de alguma forma prover os pais após ter se arrumado quando longe, e a partir de então, a possibilidade de trilhar um caminho único e seu é muitíssimo maior.

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OBS.:

É claro que estamos a falar de forma metafórica, a família é e sempre será um porto seguro que garantirá o futuro não apenas da prole como de uma sociedade que se digne descente, porém devemos entender que em muitas situações o querer dos pais acaba por tolher vontades de filhos que, se observadas dentro do conjunto seriedade, inteligência, dom, habilidades, somada a sensatez, é muitíssimo mais importante trocar uma vida de lucros, quando vencedora no mercado profissional de um continuar comercial, de um ampliar fortunas e heranças, por outra, onde o indivíduo possa realizar com liberdade toda a plasticidade de um espírito sábio e livre, antes de ser corrompido, ou ter o magnífico e nato embrião da singularidade, abafado por interesses menores, porém extremamente sufocantes.

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sábado, 17 de março de 2012

Porém... como saber quando...



... alguns se perguntarão


Parte de um dos diálogos do livro
“Quando Nietzsche Chorou”,
de Irvin D. Yalom,
entre Nietzsche e o Dr. Breuer.


(...)

- Pergunte a si mesmo, Josef: Você consumiu sua vida?

- Você responde a perguntas com perguntas, Friedrich.

-Você faz perguntas cujas respostas conhece – revidou Nietzsche.

- Se soubesse a resposta, por que faria a pergunta?

- Para evitar conhecer sua própria resposta.

Breuer pausou. Sabia que Nietzsche estava certo. Parou de resistir e voltou sua atenção para dentro:

- Terei consumido minha vida? Alcancei muitas coisas, mais do que qualquer um esperaria de mim: sucesso material, avanço científico, família, filhos... mas já passamos por tudo isso antes.

- Apesar disso, Josef, você evita minha pergunta. Você viveu sua vida? Ou foi vivido por ela? Escolheu-a? Amou-a? Ou a lamentou? Eis o que quero dizer quando pergunto se você consumiu sua vida. Você a esgotou?

Lembra-se do sonho em que seu pai presencia, impotente, rezando, alguma calamidade acometer sua família? Você não será como ele: impotente, lamentando a vida que nunca viveu?

Breuer sentiu a pressão aumentar. As perguntas de Nietzsche mexiam com ele; não tinha defesa contra elas. Mal conseguia respirar. Seu tórax parecia prestes a explodir. Interrompeu a caminhada por um momento e respirou profundamente três vezes antes de responder.

- Essas perguntas... você sabe a resposta. Não, não escolhi! Não, não vivi a vida que queria! Vivi a vida atribuída a mim. Eu, o verdadeiro eu, fui encaixado em minha vida.

- E isto, Josef, é, estou convencido, a principal fonte de sua angústia. Aquela pressão precordial... é porque seu tórax está explodindo de vida não vivida. O tique-taque de seu coração marca o tempo que se esvai. A avidez do tempo é eterna. O tempo devora e devora, sem dar nada de volta. Que terrível ouvi-lo dizer que viveu a vida que lhe foi atribuída! E que terrível encarar a morte sem jamais ter reivindicado a liberdade, mesmo em todo o seu perigo!

Nietzsche estava firme em seu púlpito, sua voz de profeta ressoando. Uma onda de desapontamento varreu Breuer; sabia agora que seu caso era insolúvel.

(...)

Trecho do livro de Irvin D. Yalom; QUANDO NIETZSCHE CHOROU, ediouro, 1992, p. 296/297.


-0-

Faça realmente o que quiseres, com relação a estudos, carreira, trabalho, arte, lutas, etc. De uma forma ou de outra você sobreviverá.

Arrisque-se. Pague o preço. Pague pra ver. Mas com inteligência.

Pode apostar que o preço que irás pagar, por ter tido a ideia de chegar ao fim da vida, onde pelo menos os seus sonhos altruístas tenham sido tentados, é muito mais barato que aquele pago, por todos aqueles que não o fizeram, que nem ao menos tentaram. Com o único intuito de evitar seu próprio incomodo, não incomodando assim os seus iguais, a fim de conviverem em harmonia, em um meio onde (não) escolheu, ou escolheram por ele, e como prêmio: viver “amarrado”, confinado, sem liberdade, observando algo que com certeza não é seu.

Trecho do Livro de Amal Scheleschthing; CONVERSA!, todaletra, 2010, p. 103.



“Em alguma situação posso ser questionado sobre este trecho, entendo que de posse da mais sincera humildade posso também, me valer do trecho anterior para explicá-lo.”
Amal



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A propósito...


... e se fosse agora?

Satisfaça-se com a não conquista. O que te circunda te é comum, e se tens vontades pode ser tornado possível, mesmo que difícil, então a sensação fastidiosa da ânsia natural humana é saciada, um estado tornado enfadonho devido à natureza sem sentido dada a circunstância estacionária de eterna insatisfação do ser humano que aflora uma vez mais, a cada obstáculo vencido neste caminhar então de conquistas de muitos nadas intercalando satisfações fugazes entremeados com a cantilena do seguir sempre a esmo. O melhor seria optar, buscar por algo que não lhe é visível; incomum; não ordinário; é bem melhor tentar o incomum impossível; viver a jornada exclusiva a obter o que lhe é visível antes do véu, sem jamais se satisfazer; ao menos foi trilhado um caminho único.

Da série: inventando novas maneiras de suportar o insuportável.

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