sábado, 31 de dezembro de 2016

Assim fala Zaratustra






Era tão imenso que a boca não poderia reproduzir, nem mesmo o cérebro pensar.




043.M cqe


Monitoramento






"Ponto de Pressão" - Todos; governos, corporações, organizações pequenas e grandes, a respeito de seus domínios precisam saber de tudo, - no mínimo, muito mais do que possamos imaginar - do contrário não sobreviveriam.


Ou seja, todas as associações que se prezam têm o dever de dominar suas redes de atuação de maneira precisa se pretendem - como uma peça do grande quebra cabeça chamado sistema - fazer parte e sobreviver ao meio, executando aplicadamente o que se propuseram independentemente de lucro, sobrevivência ou assistência, afinal está e assim deve ser: tudo interligado.

Portanto, em determinado ponto, - dificilmente antes de sofrer as consequências e ainda mais difícil; de aprender com o erro dos outros – entende-se que as células do grande sistema serão obrigatoriamente arranjadas conforme a demanda do processo social instaurado. Não é possível que seja diferente, afinal, um pequeno grupo que entendemos como colegiado, invariavelmente obedece as suas regras e nem sempre elas coincidem com todos os interesses em jogo.

Por isso as barbáries; algum desequilíbrio; acontecimentos inesperados. “Repentes controláveis a serem resolvidos”, acontecem enquanto estão no nível permitido desse intrincado conjunto. São os ovos classificados a preparar a omelete. Assim que algo foge do controle, por estupidez de alguém, ou falta de conhecimento sobre a força de quem está imediatamente acima a segurar as cordas ou do desconhecimento da necessidade de se respeitarem regras muitas vezes invisíveis, pode haver um forçar a mais e os “repentes” precisam de uma tratativa, quem sabe, do colegiado, “menor ou maior” – os colegiados são numerosos, instituiu-se, junto com a sua necessidade, a cultura de que é importante fazer parte de alguns deles -, depende da gravidade do desequilíbrio, onde são votadas as emergentes ações para o pronto restabelecimento ao estado imediatamente interior a falha ocorrida.

Felinos, abutres, hienas e vermes se entendem diante do despojar de uma carcaça. Todos “sabem” que poderão, em algum momento, desfrutar do banquete – ou não. Este é o princípio da vida: reconhecer o seu lugar na existência, conformar-se ou arriscar e pagar o preço. Neste quesito ao que parece os animais levam uma vantagem por não se entenderem espertos; assumindo a condição de “submissividade”.

Não há desconhecimento de nada. Bem como mais nada que interesse ao homem está ainda encoberto. O que pode haver em decorrência da ainda falta de entendimento humano e apostas em propostas mal avaliadas são ocorrências que momentaneamente fogem ao controle, perfeitamente normais a um sistema ainda em desenvolvimento. Agora, afirmar que não se estava ciente dos riscos, isto não existe. Tudo, ao longo de um bom par de séculos, é perfeitamente calculável; apenas as faces que aparecerão diante das câmeras serão sempre precisas ao anunciar o quanto todos estamos chocados com a violência do ataque.





042.M cqe

“Pode tudo, só não pode qualquer coisa”



Ao assistir o filme, “Decisão de Risco”, parece-nos que, se não estamos sendo usados em algo que preste, podemos ter certeza: por ora, somos uns imprestáveis. Por isso a presunção, arrogância, petulância, insolência, precisa ser repensada. No entanto, se estamos enganados em relação a isso, somos parte dos: casos perdidos.

Tudo é importante, porém ainda assim existe a classe das coisas muitíssimo importantes e, se somos um zero a esquerda não significa que não poderíamos ser mais, significa apenas que no momento somos o que somos, menos que nada – “zeros somados” -; então por que insistimos em parecer melhores do que realmente somos?

Mas, acalmemo-nos. Existem centenas de desculpas para que continuemos acomodados neste estado de latência mórbida.

Podemos então, a partir daí, excomungar a vida e o mundo, ou definitivamente buscar entender o Significado Real de nossa existência e finalmente procurar algum caminho “mais acertado”, dos milhares que se abrirão para que este processo de imprestabilidade definitivamente seja mudado. Mas isto somente pode acontecer a partir do instante que nos entendemos desinteressados.


041.M cqe

Eus


Até onde mesclei-me ao ordinário
Dois seres agora atrofiados subtraídos do Nous original
Tão pouco aquele que se imagina
Onde o invisível amalgama das convenções urdiu um ser terceiro
Destruída a essência
Sou e não sou três
Tão somente imaginando ser a cobiçada Força do Saber


040.M cqe

Da série; disfarçado



O bom escritor mascara suas ideias; o bom leitor busca desmascarar a ambos.





039.M cqe

Forte apenas ao fraco



O poder e o dinheiro não são garantias de uma personalidade boa, eles apenas camuflam a ruim.





038.M cqe

Michael



Os anjos, puros e equivocados, optam pela queda
Ao vale dos equívocos
Já aqui, percebem que o Agrado é distribuído a todos
É a condição primeira do Amor
No vale dos preconceitos
Invariavelmente, é misturado a pena
Entendido isto; retornam à sensibilidade
Somado a vontade dos céus
Que os recolhe a todos,
Um a um
De volta as suas verdadeiras esferas...
Agora...

Para sempre



























037.M cqe

sábado, 24 de dezembro de 2016

Amor e Oração



O verdadeiro altruísta humanitário, aquele que assumiu a igualdade entre os homens e que por isso se entrega as orações como ação não apenas da pia e verdadeira demonstração dessa vontade, mas também, como amalgama de seu Amor Universal; com certeza é menos feliz que todos os demais que não correspondem as suas ânsias.





O ser humano quando ora verdadeiramente é obrigado a reavivar as necessidades de toda a coletividade social, incluindo não apenas seus irmãos em raça, cor, gênero, mas observando toda a espécie viva dos reinos, mineral, vegetal e animal que fazem parte do macrocosmos que este entende único e naturalmente conectado.

Ao que ora é mais fácil interpretar todo este intrincado sistema existencial planetário, e no entanto, justamente por isso, não é possível que esta pessoa, por mais desprendida e que entenda estar observando de forma diferenciada as necessidades humanas. Fato que o classifica como um ser nato e honrado e que automaticamente o torna diferenciado de todos os demais: credenciado por ações que particularmente deveria enchê-lo de orgulho. Ocorre exatamente o contrário; o entristece.





Como é possível elevar o pensamento em oração buscando melhorar a energia do planeta e permanecer conformado, quando para isso todo o homem dado à súplica é conduzido automaticamente por caminhos que o levam a esbarrar nas obrigatórias ou forçadas necessidades humanas?



Para o homem de oração, não é possível viver, ao menos aqui, qualquer nuance de felicidade plena. 













036.M cqe

Todo; um contexto







Até o Todo é um limite; quando as referências o trazem à luz, era preciso entender que se lança mão tão somente de uma palavra simbólica – a expressão que plasma o não visível conectando ao entendimento – representada por um caractere que designa limite; o que o Todo não possui.









Precisamos concordar a estranheza de utilizar um termo estanque, limitador para expressar a existência que não cessa, ao retratarmos justamente o abstrato intangível e, portanto, incompleto...




Somente aquele que percebe a expressão “Todo” apenas como tal, pode se beneficiar do encaixe necessário de quem a utiliza com consciência, afinal, seu significado primeiro remete ao limite, algo que a essência do existir, definitivamente, não possui.



035.M cqe


Protecionismo perpétuo






Cadeia inquebrantável - Até onde vivemos em um estado onde o biltre adquire autoridade sobre o outro - equiparável apenas a insuperável insanidade em usá-la - ávido a lançar mão deste “preparo” a qualquer custo!



034.M cqe


Razão; ainda um conceito.
















Quando, realmente, a razão nos dá o direito a...(?)




Enquanto a insânia travestida de justiça social seguir legitimando o desacerto, principalmente entre irmãos - porém não apenas: a palavra razão não terá ultrapassado ainda o conceito didático; a mera classe das expressões.

Da série; Hábitos herdados


033.M cqe

Da crítica e do exagero



Então pensou que sua crítica exagerada poderia ser usada de forma positiva. Poderia cala-la. Mas, não saberia avaliar qual séria o mal maior se conseguisse isso. Pensou que: ter se tornado um observador mordaz lhe fazia bem. Não o fazia contra ninguém, afinal sua crença na transcendentalidade posicionava a todos no mesmo patamar das conquistas, apenas, ora impossível; e, diferente; de outra maneira: não seria possível dar vasão a tanto se não fosse sua inexplicável audácia. Até onde seu comportar crítico existia como algo que não existe, ou não precisasse existir? E se fosse fisiológico – agora lembrando de seus críticos. Encerrou sua autocrítica imaginando que era positivo continuar fazendo uso da crítica exterior, afinal somente assim poderia registrar observações que seriam impossíveis sem ela.












032.M cqe

sábado, 17 de dezembro de 2016

Em despertando!?!

















O homem é sua própria ponte, contudo, poucos possuem a coragem de atravessá-la.



031.M cqe

A consciência que precede a morte



“Qual velho espírito carregado das experiências dos tempos, asseverava que vivia o seu processo particular de morte consciente desde tenra idade, e repetia: sobrevivo dia-a-dia imaginando o que fazer para um continuar melhor; somente a verdadeira consciência da morte nos remete a isso.”



030.M cqe

Da série; contatos



À ouvidos moucos, a metafísica não pode ser considerada verdade ou ser em si não porque não é, e sim por não pertencer a realidade materialmente limitada.

Nosso além é limitadíssimo – E a uma gama maior: verdade é tão somente o que convencionamos aos nossos limites. Somos ousados, porém, aqui, em persistindo nossa caprichosa insolência: jamais chegaremos a tanto.

029.M cqe

Vênias forçadas


Preste atenção; observe o inclinar contrário que assiste; trata-se de uma vênia cordial respeitosa ou um ligeiro camuflar que esconde o inconveniente do encontro?


028.M cqe

Idiotia; como acordar para ela?

Em um universo muito superior ao imaginado, em exposições verbais, venho somando negativamente contra eu e meus ouvintes. Quanto seria melhor que aqueles ao meu lado me impedissem de falar sério. Toda vez que o faço, sinto-me ainda mais tolo. Deixar de sê-lo parece tão mais impossível que admiti-lo; como poderia fazer com que as vítimas futuras dessa idiotia pudessem frear-me em benefício de todos?


027.M cqe

Tome a sua Vontade




(...)
“A maioria das pessoas são mais ou menos escravas da hereditariedade, do meio social em que são formadas, etc, e, portanto, manifestam muito pouca Liberdade. São influenciadas pelas opiniões, costumes e pensamentos deste ambiente externo, e também por suas impressões, sentimentos, humores, emoções terceiras daí emanadas. Não manifestam domínio algum, digno de nome. Elas, indevidamente, repudiam essa afirmação, dizendo: "por que, eu certamente sou livre para agir e fazer como me apraz - faço exatamente o que quero fazer", mas não conseguem explicar de onde surge o "quero" e "como me" apraz. O que os “faz" querer "faz” querer fazer uma coisa em “detrimento” a outra. O que os dá "prazer" para fazer isso e não fazer aquilo? Não existem "porquês" em seus "prazer" e "desejo"? Apenas o Mestre pode mudar; transformar esses "prazeres" e "desejos" em outros na extremidade oposta do polo mental. Ele é capaz de despertar o "querer por querer", em vez de querer porque algum sentimento, humor, emoção ou sugestão ambiental que provoca, “desperta” uma tendência ou desejo dentro dele de modo a executar uma ação impensada a isto o leva.”

“A maioria das pessoas são arrastadas como a pedra que cai; obedientes ao meio acima apontado, às influências exteriores, às condições, humores internos e desejos etc, não falando dos desejos e das vontades de outros mais fortes que elas, da hereditariedade, da sugestão, paixões e calor momentâneos, que as levam sem resistência da sua parte, sem exercício da Vontade. Movidas, como peões no tabuleiro de xadrez da vida, elas tomam parte neste e então são abandonadas depois que o jogo termina. Mas os Mestres, conhecendo a regra do jogo, se elevam acima do plano da vida material, se colocam, harmonizam-se em e com relação as mais elevadas forças de sua natureza. Dominam seus próprios estado de ânimo, caráter, qualidades e a polaridade, assim como o meio em que vivem. E deste modo tornam-se Motores em vez de Peões: Causas em vez de Efeitos. Os Mestres não escapam da Causalidade dos planos mais elevados, mas concordam, são consonantes com as leis superiores, e assim dominam devido ao entendimento, as sempre significativas circunstâncias do plano inferior. Eles formam assim um pacto consciente com a Lei, sem serem simples joguetes ou meros instrumentos cegos, manuseáveis e sem vontade própria. Enquanto servem nos Planos Superiores, mantém o governo, mantem-se em controle, no Plano Material.”



...

“Os Sábios servem no Superior, mas governam o inferior. Eles obedecem a Leis que estão acima deles, em seu próprio plano e aqueles abaixo deles; governam e ordenam. E, ainda que assim ajam, formam uma parte do Princípio, sem se oporem a Ele. O Sábio concorda com a Lei, e compreendendo seus movimentos; opera somando em vez do comportar escravo; cego. Assim como o hábil nadador, a sua maneira, doma seu caminho. Indo e vindo conforme sua vontade, em vez de ser como o barco que é levado aqui e ali - assim é o homem sábio em comparação com o homem comum – e contudo, barco e nadador; Sábio e tolo, estão sujeitos à Lei. Aquele que entende isso está consonante com o caminho do domínio.”

(...)

O CAIBALION
The Kybalíon
Three Initiates





026.M cqe

sábado, 10 de dezembro de 2016

Edward George Bulwer-Lytton










“Ninguém é tão desprovido de amigos para não encontrar um suficientemente sincero que lhe diga verdades desagradáveis.”














“Todos os caminhos levam à morte, apenas um à Glória.”










“Possui livros, mas não consintas que eles te possuam. Lê para viver, não vivas para ler.”













“Nada é tão contagiante como o entusiasmo.”








“Contentar-se 
com o seu destino 
é vencê-lo.”












“Em ciência lê os livros mais novos, em literatura lê os mais antigos.”



 






“A magia da linguagem é o mais perigoso dos encantos.”



025.M cqe

Até adquirir sabedoria e...



Ao longo do nosso existir estamos expostos a toda sorte de desistências. Invariavelmente decidimos que às complexas não estamos prontos a assumir, enquanto as pequenas nos agarram como parasitas a drenar forças essenciais ao serem utilizadas em escolhas entendidas como importantes sem maior grau de observação, nos desviando das primeiras que, invariavelmente devem interessar sobre tudo.


024.M cqe

Engenho




A engenharia também consegue ser poética; quando é desviada para a dedicada ocupação de construir pontes entre o criativo e o ordinário. Por conta do aflorar dessa particularidade, os melhores profissionais derivam para a arte. Mas sua missão é ainda maior por agirem no desenvolvimento sócio econômico. Portanto, o engenheiro não apenas precisa desenvolver mecanismos, instrumentos e equipamentos que facilitam a convivência humana, como também buscar que seu engenho possa ser decifrado e tornado uma utilidade segura a todo aquele que não possui a mesma natureza engenhosa.


023.M cqe

sábado, 3 de dezembro de 2016

Absoluto aceitável



No reino da associação, o nosso, em algum instante aceitaremos que não há aqui o absoluto, porém ainda assim caminharemos através das inquietações normais por conta de teorias incompletas e conspirações ficcionais ou não ao nosso absoluto particularíssimo.


Da série; Ser Único unido em uníssono


022.M cqe

A efetivação do paliativo



A despeito da legião de desavisados que desconhece, misturados a porção mínima que finge não saber. À medida que avançamos, somos confrontados com situações novas e de maior complexidade onde não há nada a fazer a não ser rezar e esperar que os especialistas estejam errados ou que os céus, mesmo a partir daqueles que não acreditam neles roguem a quem ainda crê. Executem a tempo os urgentes milagres necessários.

Somos tentados, a toda nova solução apontada, a acreditar que não há mais solução definitiva para nenhuma necessidade social – representativa ou não. Chegamos a era das respostas paliativas.

Não que assim não fosse, porém nunca foi como é. E ainda que possa parecer motivo de escárnio essa colocação óbvia e redundante, a observação é bastante séria afora a licença poética.

Enrolados por nossas próprias linhas de condução e como se o emaranhado não tivesse ponta, somos obrigados a encontrar espaço em meio a intrincada trama para suportar uma resposta que vendemos ou somos forçados a aceitar como definitiva, porém quem sabe sabe: escasseiam-se a medida que avançamos quando também estas estão cada vez mais raras de serem obtidas. 













021.M cqe

Sofra e deixe sofrer



Nem sempre é fácil entendê-lo, mas...

“Salvo o quase sempre traidor e instintivo ímpeto. Em situações específicas não devo alertá-lo sobre suas ações que me incomodam, disse. Afinal, se te importas em corrigi-las a partir de então; que garantias tenho de que não foi apenas a meu pedido? Não estarei assim interferindo de forma direta em sua originalidade!

Afora a observação e ajuste a partir do exemplo, toda interferência seja ela razoável ou passional é um tipo de coerção.”

Da série; páginas não publicadas.


020.M cqe

sábado, 26 de novembro de 2016

Selfie da notícia












O pensar sobre o não pensado.



Definitivamente estamos em movimento; apenas parecemos estáticos, “só que não”. Ansiosos, pessoas em ebulição, “indivíduos a beira de um ataque de nervos”, literalmente. Não entendemos nada do que é estacionar e meditar, daí: a construção que não para, obviamente, precisa avançar. Somos como a lava do vulcão escorrendo em direção ao vale, sempre fervendo, fervilhando. Se encontrar um obstáculo, destrói. Acumula-se até sufocá-lo. Ao chocar-se com o mar, deposita-se nas margens ainda que nelas se auxilie; segurando, apoiando-se de qualquer forma. E, de caso não pensado, de alguma maneira historiadores contam que o mar “recolheu-se”, quem sabe se isto não se dará novamente, então, o que teremos à tona? A lava secular petrificada, tornada rocha, úmida, fria, no entanto, viva – nossa existência vem se tornando paulatinamente uma aposta futura.

Assim é o homem que não pensa; a sua maneira: existirá para todo o sempre. Tudo ao seu lado tende a ser modificado, porém, externamente determinado, resiste e o fará independentemente do que aconteça: continuará fazendo, existindo, agindo, e, pensando? Depende – se não; perigosamente: alguém o fará por ambos, em singular benefício. Com a atenção devida para que o serviçal não se extinga totalmente.

Todo homem pensa o que pensa, mas o que pensa; o pensado: é único em cada um. Para onde este pensamento o conduz é uma incógnita a todos, muito embora, ainda que pensem em centenas de respostas, todas dependem do pensamento individualíssimo a que temos livre direito, e seu uso ainda que diga respeito única e exclusivamente a si, é desequilibrado por conta de um número incontável de mentes pensantes que sobrevivem permitindo passivamente que assim não seja por não pensar sobre. Tornando-as presas fáceis daqueles que pensam servir-se enquanto possível através de seus macros pensamentos egocêntricos. 

As tribulações obrigatórias a que estão submetidos os indivíduos nascidos nas últimas duas gerações não permite que se tornem sujeitos pensantes. Ao nascer cada um recebe as recomendações necessárias ao seu desenvolvimento. Sejam elas religiosas, políticas, de entretenimento, baseado na condição social vigente ao estado escolhido; não há como escapar, está tudo redondinho, melhor, quadradinho e, invariavelmente, estas significativas convenções há muito não são contextualizadas.

Impossível então pensar por si. Algo pode ser observado, alguns rompantes abusados podem ser assistidos até certa altura da adolescência, uma espécie de revolta – natural; os especialistas avalizam. Prenúncio ainda tolo que, observado com sérios e profissionais critérios, poderia se manter até algum tipo de discernimento mínimo quando então deve haver a transição para o homem maduro onde naturalmente se daria à escolha a sempre obrigatória consciência crítica inteligente. Porém é raro que isto – ambos – aconteça. O corrente estado social precisa alienar a todos para as obrigatoriedades. E fazer a diferença não combina em nada com fazer diferente. Até pode fazer a diferença, se ela se adéqua – é autorizável - ao quadradinho em que está sendo executada – e este diminutivo pode ser bastante elástico.

Nossa movimentação estática/ansiosa, então, – sempre incentivada a ser amainada nas academias e com bastante sexo – cunhou outra máxima, um verbete para designar todo este estado de coisas: “pós-verdade”. Não seria ela o prenúncio de um catastrófico epitáfio?

Originalmente esta expressão é direcionada ao público que deve fazer a diferença; mudar ou manter o plano em andamento, que, uma vez em campanha, e com falta de tempo para buscar as informações devidas sobre o que realmente está acontecendo. Por não mais saber interpretar; não entender o contexto do que está “rolando” e por esta forjada escassez de tempo ter sido criada por conta do executar e do entreter-se e não para pensar. Toda a massa votante observa o que é mais rápido. Precisa basear-se no “flashe”, na “chamada”, no “start”. Voltados tão somente ao alarde da inauguração. Não é mais possível enfronhar-se em tudo, decifrando os acontecimentos. A vida cotidiana transformou-se numa enciclopédia de “selfies”. Não da selfie fotográfica, imagética, mas da selfie da ação, tudo é apenas fundamentado na “chamada”, no furor momentâneo da campanha, sem que se observe como se chegou ali, muito menos, - e a cada dia com maior intensidade - impossível imaginar como será o depois.

Finalmente vivemos no agora. Um agora criado, forjado, subjetivo, desprovido de histórico e de perspectiva. Ao invés de vivermos a Liberdade Filosófica do Agora, conseguimos, obrigatoriamente afinal, convertê-lo em prisão definitiva.



Se não tínhamos capacidade de interpretar os fatos, de conectá-los, muito menos de contextualizá-los, hoje estamos obrigados apenas às chamadas, e como fazer uma leitura de mundo apenas recorrendo aos “selfies da notícia”; à perfis falsos e “fakes” cuidadosamente arranjados!

“Pós-verdade” é na realidade uma mostra que, inserida ao lado da palavra ”campanha”, (uma adequação educada de quem assim a projetou) parece intencional a não intimar os críticos verdadeiros ou pensadores responsáveis ainda de plantão a emitirem uma saraivada de impropérios contra o que nada mais é que o “selfie”; o perfil atual escancarado da humanidade geradora ou mantenedora da máquina.

Emojis; finalmente achamos ou estamos dando início ao fim do sentimento como o conhecemos, onde partimos da emoção constituída para ditar o que deverá ser a tendência a provocar mais emoção, e por aí vai.

Quem sabe chegará a humanidade ao estapafúrdio instante em que “emoção” tornar-se-á moda, a palavra do ano a ser relembrada, ou até se institua “o dia do sentimento”. Apenas não será possível resgatá-lo verdadeiramente, quando renomados pesquisadores insistem que aplicativos futuros serão capazes de apontar não apenas qual a melhor direção a tomar na vida, mas também pressionar botões emocionais manipulando o indivíduo numa extensão muito superior a externa assistida hoje.  



019.M cqe