sábado, 26 de abril de 2014

Companheiro de estimação



Conforme se dá nossa caminhada de ajustes (ao terceiro) em busca da parceira perfeita – como se o fossemos -, aquela que se adéqüe às nossas preferências; aos nossos quereres esdrúxulos. Continuamos apontando, exigindo, retorquindo, podando, tolhendo os modos da escolhida, até que, dependendo do grau de submissão ou de amor que ela nos guarda, tenhamos moldado, ou tenhamos adestrado nossa companheira de estimação, sim, é nisso que, inadvertidamente, a transformaremos.

A pessoa, quando ama de verdade, - porque apenas quem ama de verdade se submete aos mais duvidosos caprichos para agradar o parceiro; e já por isso não deveria ser perturbada – e com maturidade, busca equilibrar a relação; necessariamente precisa se anular, é somente assim, então, que finalmente teremos alguém ao nosso gosto, sem prestar atenção que castramos o mais divino que ali existia: sua Alma, sua Essência.

Fato é que a inspiração não vale como desculpa; usemo-la, então, como uma forma de autopunição e também um mínimo de reconhecimento de nossa destemperança criadeira, prenhe, imaginando quão simples seria se o perdão ou o arrependimento encerrasse finalmente todo o malfeito.


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Individualismo XXVI



Estamos, equivocadamente, aos poucos, aprendendo a ser individualistas,sem nem mesmo ter completada 
a etapa onde entendemos o social.


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Bipolaridade



Todos, indistintamente, sofremos de transtorno bipolar; concluí isto ao assistir os filmes de Alexander Payne. A diferença entre aqueles que convivem melhor entre seus iguais patológicos é apenas a de descobrir-se assim também, e então – assumido este estado - saber alternar, saber administrar suas destemperanças entre àqueles que precisam por escolha ou obrigação aturar.


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Intelectuais e políticos



Não é de se estranhar que todo o intelectual honesto, em seu tempo, detestasse a forma política vigente? Há que se entender que havia nessa inteligibilidade uma inversão de papéis, quem sabe; ou devemos realmente aceitar, de uma vez por todas, que no mais das vezes, os menos indicados a fazer política pública são os próprios políticos que se vendem como tal.


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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Ignoras? Então serás aceito



Às vezes não fazemos as perguntas para não parecermos idiotas quando o somos justamente por isso.

Sabemos muito do que pouco conta e muito pouco do essencial, por nos pretendermos espertos no que nada soma ao nosso existir quando nada sabemos sobre aquilo que deveria ser indispensável.

         Talvez venha daí nossa insegurança em parecermos idiotas sobre nossos questionamentos mais íntimos – inquestionavelmente reais e propositados; quando é somente nos assumindo como tal que poderemos entender que tudo o que nos imprimiram até então como verdade é deveras transitório, e excepcionalmente superficial.

Toda verdade humana é volátil, porém sua ignorância como um todo insiste em conservá-las. A falta de prática, isso é fato, mantém-nos em um processo minimamente ajustável, já o questionar e a inovação, a ânsia ao novo; a procura: gera desconforto obviamente, porque todo aquele que se sobrepõe ao desconhecimento, ou seja, em seu aviltamento supera em grau o desconhecer comum, - preferindo habitar o breu da alma, pendendo à perversidade - na sua ignomínia, busca transportar a sociedade para uma espécie de zona de conforto social. Astuto, em meio aos seus ardis, sabe que os caminhos do questionamento contribuirão ainda mais para o arrastamento, para a não concretização do aceitar calado; para que este estado sórdido de letargia geral não se solidifique, pois é certo que, devido, principalmente, a sua capacidade reduzida, ignora também que isso seja impossível, ou ao menos, jamais se complete na sua totalidade, pois, ainda que seja acertado afirmar que o ser humano se mantém inerte; anelado à sua consciência presa, em seu imo, ele tende a ser um perscrutador, e se este estado não é manifesto, isso se deve somente por desconhecer o gênero humano que entre tudo o que lhe é mostrado: o essencial ainda não encontra asilo; o indispensável lhe é apresentado como espetacular - e o espetacular para nós é tido como não tangível; como não digno de crédito.

E o que nos falta?

Precisamos apenas despertar, primeiramente, para o fato de que somos questionadores; e que: idiota, não é aquele que não pergunta, e sim, aquele que entende-se idiota ao fazê-lo, e então... continua não fazendo.


Da série:
Decifro-te,
através das perguntas que fazes. 

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Diferenças



Brincou o mestre:

Pegue um homem de consciência; você fará o que quiser com ele, basta ter uma boa moeda de troca;

Peque um homem sem consciência; você fará o que quiser com ele, independente do valor da moeda.

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Silêncio sim; esquecimento jamais



Não confunda meu silêncio com esquecimento

Mas...

Também não confundas minha tagarelice com sociedade apaziguadora.

Tudo isso significa que ora ou outra sou um ou outro, porém não sou, nem sempre, o que possas pensar a meu respeito.

Em todo caso...

...se lhe ocorre que esqueci o que me fizeste, podes apostar que não é isso, provavelmente estou fingindo uma socialização harmoniosamente conveniente ou coisa que o valha; de posse disso, não misture as coisas; ou este estado que provavelmente não está sendo controlado por você.

*

Prefira-me com a máscara do intragável inconveniente em nossas obrigações conjuntas corriqueiras, provavelmente quando não sou isso, não estou sendo sincero; a sociedade assim exige e o filósofo há muito afirmou: “sem uma dose diária de mentiras não nos suportaríamos”.

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Romanos I: Visitantes IX



Se obténs algum poder qualquer sobre a Terra, ou mesmo sobre seu pequeno torrão, serás inominavelmente infeliz caso tenha revelado um mínimo de consciência moral neste estado se por ventura venha a sofrer um descaso mais pungente, antes, sendo um comandante terreno, continue a ser também um ser desprovido de discernimento ético crítico; apenas estes não sofrem ainda que não vivam jamais.

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Interpretação



Contada em uma lenda antiga, a história faz referência à um professor de matemática que lança uma questão aos alunos; onde sobre uma determinada estrada vagam perdidas cem ovelhas, e uma delas entra por um vão de cerca, a questão é: quantas restaram na estrada?

Escolhido, o filho do pastor da vila inquirido, imediatamente responde: nenhuma. O professor paciente contesta, observando o atraso do aluno, e corrige afirmando que a resposta é: noventa e nove.

Sem pestanejar o mestre é contradito quando retruca o aprendiz: O senhor pode entender de matemática, mas eu entendo de ovelhas, se uma toma uma direção, todas as outras a seguem.

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domingo, 13 de abril de 2014

Times of Kali Yuga



O homem é inquestionavelmente filho de Deus, pois tornou tão perfeita sua imperfeição que consegue transformar todas as Ideias Perfeitas Dele em armas para a própria danação.

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Nem o tempo



         Enquanto ciclos se alternam e o tempo devora velhas importâncias que perderam seu reinado.

         Enquanto símbolos dão sinais de que o tempo infalível agasta significados.

         Enquanto assistimos transformações e tudo o que pensávamos eterno dá sinais de falência.

         Posso afirmar ainda com mais força: o tempo não desgasta o que vivemos juntos.

         Posso afirmar ainda com todas as forças: o tempo não tem poder sobre nós.

         Enquanto poderes vãos se alternam em lutas insanas que asseguram matéria.

         Enquanto impérios são construídos baseados em jogos humanos de monta e desmonta.

         Enquanto verdades garantidas são estraçalhadas pelo caminho devoradas por outras verdades.

         Posso afirmar ainda com mais força: o tempo não desgasta o que vivemos juntos.

         Posso afirmar ainda com todas as forças: o tempo não tem poder sobre nós.

         Enquanto os outros discutem o que para nós é sempre a solução do que não buscamos.

Enquanto nossos pais comemoram as férias merecidas e eternas do ocaso nem sempre saudável.

Enquanto a mídia apresenta as estatísticas do que um dia significou juntar os trapos.

Posso afirmar ainda com mais força: o tempo não desgasta o que vivemos juntos.

         Posso afirmar ainda com todas as forças: o tempo não tem poder sobre nós.

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sábado, 5 de abril de 2014

“Imagine as pessoa, tudo”



Não é possível que ainda discutamos se a vida tem um sentido maior; afinal, a esta altura, isso é fato. Porém a maior verdade encoberta, é que todos têm, e isso também é fato, capacidade de descortinar isto ainda em vida, e poucos possuem capacidade de imaginar: o quanto isso é maravilhoso.

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Outorga




Talvez a dificuldade maior do Governo Espiritual do Planeta não seja clarear a mente dos humanos no que diz respeito a sua existência, e sim vencer a auto outorga daqueles que se entendem seus enviados e com propriedades a falar em nome desse governo quando antes estão impregnados da mais pura vaidade predadora da política daqueles que até então (e por muito ainda) os governam(ão).
 

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Vigilância



Paute a sinceridade, meu espírito que esteve sempre à mostra para todos, ao menos, verdadeiramente, àqueles poucos que me assistiram com diferença.

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Intrigante





É ético e profissional não comentar ou fomentar situações desconfortáveis que todos, mas, principalmente os autores gostariam de esquecer no meio ocorrido, porém este expediente extrapola até mesmo a moral, quando levado intencionalmente para outra seção.
É certo que no campo profissional instaurou-se uma batalha feroz, e quando se tem a oportunidade de expor um concorrente direto, ou até mesmo um superior fraco na arte da empatia, nem todos pensam duas vezes antes de fazê-lo.
Mas, é preciso uma dose de cuidado, sempre. No ímpeto da jactância com a falha alheia, o profissional desqualificado sai a espalhar aos quatro ventos o que entende: desmoralizará o alvo da vez; e isso pode até acontecer, mas dependerá muito do histórico do segundo.
Então, seria aconselhável que este infeliz entendesse de uma vez por todas uma lição que mais uma vez se fará inócua, porque tais tipos não são dados a aprender lições em vida, e discutirão até mesmo com alguém superior a ele que após a morte lhe tente mostrar o quanto desperdiçou da vida fornicando questões alheias, ainda que provado. Pois o conselho é simples; embora exija um que de inteligência.
Não sabe “o futricas”; que nem todos estão nivelados por baixo, e ainda que lhes deem atenção, não são seus pares na apreciação de comentários que denigrem a imagem alheia, e, por ignorar esta regra básica, nos afã de espalhar o mal feito alheio, não discrimina esse daquele, e isto acaba por enterrá-lo ainda mais, pois onde o fraco enxerga uma oportunidade de subir desmerecendo o outro, o inteligente procura uma forma de manter-se afastado do fofoqueiro, porque nada é mais triste para um profissional sério que perder tempo ouvindo histórias de cunho escuso de colega ineficiente.
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