sábado, 26 de novembro de 2016

Selfie da notícia












O pensar sobre o não pensado.



Definitivamente estamos em movimento; apenas parecemos estáticos, “só que não”. Ansiosos, pessoas em ebulição, “indivíduos a beira de um ataque de nervos”, literalmente. Não entendemos nada do que é estacionar e meditar, daí: a construção que não para, obviamente, precisa avançar. Somos como a lava do vulcão escorrendo em direção ao vale, sempre fervendo, fervilhando. Se encontrar um obstáculo, destrói. Acumula-se até sufocá-lo. Ao chocar-se com o mar, deposita-se nas margens ainda que nelas se auxilie; segurando, apoiando-se de qualquer forma. E, de caso não pensado, de alguma maneira historiadores contam que o mar “recolheu-se”, quem sabe se isto não se dará novamente, então, o que teremos à tona? A lava secular petrificada, tornada rocha, úmida, fria, no entanto, viva – nossa existência vem se tornando paulatinamente uma aposta futura.

Assim é o homem que não pensa; a sua maneira: existirá para todo o sempre. Tudo ao seu lado tende a ser modificado, porém, externamente determinado, resiste e o fará independentemente do que aconteça: continuará fazendo, existindo, agindo, e, pensando? Depende – se não; perigosamente: alguém o fará por ambos, em singular benefício. Com a atenção devida para que o serviçal não se extinga totalmente.

Todo homem pensa o que pensa, mas o que pensa; o pensado: é único em cada um. Para onde este pensamento o conduz é uma incógnita a todos, muito embora, ainda que pensem em centenas de respostas, todas dependem do pensamento individualíssimo a que temos livre direito, e seu uso ainda que diga respeito única e exclusivamente a si, é desequilibrado por conta de um número incontável de mentes pensantes que sobrevivem permitindo passivamente que assim não seja por não pensar sobre. Tornando-as presas fáceis daqueles que pensam servir-se enquanto possível através de seus macros pensamentos egocêntricos. 

As tribulações obrigatórias a que estão submetidos os indivíduos nascidos nas últimas duas gerações não permite que se tornem sujeitos pensantes. Ao nascer cada um recebe as recomendações necessárias ao seu desenvolvimento. Sejam elas religiosas, políticas, de entretenimento, baseado na condição social vigente ao estado escolhido; não há como escapar, está tudo redondinho, melhor, quadradinho e, invariavelmente, estas significativas convenções há muito não são contextualizadas.

Impossível então pensar por si. Algo pode ser observado, alguns rompantes abusados podem ser assistidos até certa altura da adolescência, uma espécie de revolta – natural; os especialistas avalizam. Prenúncio ainda tolo que, observado com sérios e profissionais critérios, poderia se manter até algum tipo de discernimento mínimo quando então deve haver a transição para o homem maduro onde naturalmente se daria à escolha a sempre obrigatória consciência crítica inteligente. Porém é raro que isto – ambos – aconteça. O corrente estado social precisa alienar a todos para as obrigatoriedades. E fazer a diferença não combina em nada com fazer diferente. Até pode fazer a diferença, se ela se adéqua – é autorizável - ao quadradinho em que está sendo executada – e este diminutivo pode ser bastante elástico.

Nossa movimentação estática/ansiosa, então, – sempre incentivada a ser amainada nas academias e com bastante sexo – cunhou outra máxima, um verbete para designar todo este estado de coisas: “pós-verdade”. Não seria ela o prenúncio de um catastrófico epitáfio?

Originalmente esta expressão é direcionada ao público que deve fazer a diferença; mudar ou manter o plano em andamento, que, uma vez em campanha, e com falta de tempo para buscar as informações devidas sobre o que realmente está acontecendo. Por não mais saber interpretar; não entender o contexto do que está “rolando” e por esta forjada escassez de tempo ter sido criada por conta do executar e do entreter-se e não para pensar. Toda a massa votante observa o que é mais rápido. Precisa basear-se no “flashe”, na “chamada”, no “start”. Voltados tão somente ao alarde da inauguração. Não é mais possível enfronhar-se em tudo, decifrando os acontecimentos. A vida cotidiana transformou-se numa enciclopédia de “selfies”. Não da selfie fotográfica, imagética, mas da selfie da ação, tudo é apenas fundamentado na “chamada”, no furor momentâneo da campanha, sem que se observe como se chegou ali, muito menos, - e a cada dia com maior intensidade - impossível imaginar como será o depois.

Finalmente vivemos no agora. Um agora criado, forjado, subjetivo, desprovido de histórico e de perspectiva. Ao invés de vivermos a Liberdade Filosófica do Agora, conseguimos, obrigatoriamente afinal, convertê-lo em prisão definitiva.



Se não tínhamos capacidade de interpretar os fatos, de conectá-los, muito menos de contextualizá-los, hoje estamos obrigados apenas às chamadas, e como fazer uma leitura de mundo apenas recorrendo aos “selfies da notícia”; à perfis falsos e “fakes” cuidadosamente arranjados!

“Pós-verdade” é na realidade uma mostra que, inserida ao lado da palavra ”campanha”, (uma adequação educada de quem assim a projetou) parece intencional a não intimar os críticos verdadeiros ou pensadores responsáveis ainda de plantão a emitirem uma saraivada de impropérios contra o que nada mais é que o “selfie”; o perfil atual escancarado da humanidade geradora ou mantenedora da máquina.

Emojis; finalmente achamos ou estamos dando início ao fim do sentimento como o conhecemos, onde partimos da emoção constituída para ditar o que deverá ser a tendência a provocar mais emoção, e por aí vai.

Quem sabe chegará a humanidade ao estapafúrdio instante em que “emoção” tornar-se-á moda, a palavra do ano a ser relembrada, ou até se institua “o dia do sentimento”. Apenas não será possível resgatá-lo verdadeiramente, quando renomados pesquisadores insistem que aplicativos futuros serão capazes de apontar não apenas qual a melhor direção a tomar na vida, mas também pressionar botões emocionais manipulando o indivíduo numa extensão muito superior a externa assistida hoje.  



019.M cqe


sábado, 19 de novembro de 2016

Hermetismo



Quando envolvidos por um turbilhão que segue “sem rumo”; um insight, um único lampejo, numa inspiração – como sempre se dá - é adquirida a consciência crítica. Intuitivamente, nenhum destes insistirá em ali permanecer. Há a vontade e a necessidade urgente de escorregar para fora. É certo que abrir espaço esmurrando todos não é mesmo, a melhor solução, - há aqui um paradoxo; invariavelmente o esforço contrário e aberto nos manterá imóvel no invisível jogo das oposições, pois, enquanto lutamos perdemos o tempo do avanço e acabamos por esquecer as razões da luta. Afinal, às vezes estamos bem afundados e a galera é tão volumosa quanto ativa em defender posição nenhuma. Por isso, quando se chega em determinado nível baixo de compartilhamento, a premissa inicial é adquirir paciência e daí perceber que os vencidos argumentos que lá o esqueceram precisam ser tornados degrau para que algum objetivo maior seja – inicialmente – vislumbrado. Então, uma vez atento, é correto – ou mais acertado - caminhar deslizando a favor, para a lateral, assim que acordado para uma teima serena. Há um ponto em que não depende do apostar na esperança. O querer nos apresenta à razão, e como num passe de mágica o que sempre esteve presente se manifesta, neste caso: ao constatar que todo o volume, tumultuoso ou não, possui suas marginais; atinja-as e então saia do fluxo obrigatório, só assim estará livre.

(...na maiorias das vezes para outro, e para outro... até voltar-se para você que por si só possui complexidade suficiente para a energia que possui.)


 018.M cqe

dinheiro – monopólio - commodity - (COP22)


Há pouco a ser feito

Que não se preocupem – ou seria não se enganem - os “ecocientes” e os “ecochatos”; estamos nos estertores, na respiração final do planeta sustentável como o conhecemos, e com as escassez ou dificuldade de extração ou produção de commodities, o dinheiro automaticamente substituirá o vazio deixado - existem aqueles que a cada dia mais, estão seriamente empenhados na possibilidade da realização deste absurdo.

*

Como detectar realmente onde reside a linha divisória entre a luta panfletária e a fundamentada intenção de equilibrar o planeta a partir de protestos ou veementes e esclarecedores comunicados, passiveis de discernir entre ser ou apenas parecer bem intencionados em meio a comunicação fácil?

Se a resposta é: observando nosso histórico; esqueça.

Não é possível debruçar o pensamento sobre as mais que arranjadas – ainda assim chamadas - conquistas.

Qualquer bom pesquisador que realmente se dedique a este exercício facilmente conclui que não há mesmo a menor intenção de lutar efetivamente a favor de mudanças climáticas, ao invariavelmente chegar à dedução estéril de que: todos aqueles que possivelmente podem, por que deveriam se comprometer; se estão de posse da matéria prima que não corre risco algum - devido ao sórdido trocar de mãos - no colapso: o poder econômico?

Com ela monopolizada, podem calmamente, sem serem afetados, portanto sem atropelo algum - por parte deles -, dar início ao novo estado enfraquecido com todo o dinheiro do mundo.

De certo temos que: quando a sobrevivência é a causa principal do povo, faz-se de tudo para mantê-la, e, - aqui sim por conta de sórdido histórico bem traçado - alguns adquiriram esta sabedoria sem nunca ter passado perto de algo do gênero.

















017.M cqe

“Black Mirror”










Ingenuamente,
apenas previmos que o inferno era aqui,
muito antes do Universo Eletrônico.




016.M cqe






domingo, 13 de novembro de 2016

Sinistro - E se hoje for o último dia!?!











Venho observando vidas
Os acontecimentos
Seus curvados sobreviventes
Que
Após o rescaldo dos destroços
Com suas fotografias fragmentadas 
Pela umidade ou pelas chamas
Ou até mesmo por ação compulsiva
Que levou alguém 
Ao ato extremo de rasgar
Àqueles que foram registros dos momentos mais alegres
Que previam um futuro bem diferente
Daquele que agora teimosamente vive
Projetado
Autoritário
Insistente
Ainda que embaralhado
Em meio a fragmentos que jazem sem sentido...
Invariavelmente
Então
Há o arrependimento
E entre pensamentos desconexos
A frase que escapa de gargantas embargadas
Ou conectadas entre teclas
é
“se fosse a partir de agora, faria diferente”
"como sou idiota".

Da série; por que não, hoje?

015.L cqe


“Cadun-cadun”



“Oh! Senhor
Cegai-os de sobre mim
Desviai os maus olhos de sobre a minha boa vontade
E mostra apenas a mim os meus erros
Mantenha-me lúcido para assumi-los
E conserva-me forte para combatê-los.”


XVIII




013.M cqe




Ser Crítico












Não é questão de tornar-se um opositor; é uma questão de acordar o “Ser Crítico Inteligente” que está adormecido por conta de motivos que a própria falta de criticidade, por falta de saber criticar, (ou mesmo desaprender) acomodou ou acomodou-se em nosso ser que a cada dia mais se torna menos racional, menos emotivo; o que é bom: podemos agora partir do zero e encontrar um caminho que conduza, unidos em equilíbrio: razão e sentimento.

Vítimas fáceis - Até onde estamos nos tornando os adultos transformados na “Folha em branco” de Locke; ou seja, tornados alvos fáceis a serem conduzidos a um objetivo externo por falta de objetivos próprios?

Yuval Noah Harari

Quando finalmente a ciência dá os primeiros passos em direção a Deus, Yuval Noah Harari, avançado, há anos de qualquer sistema voltado a ortodoxia-capital-tendenciosa; inicia, já agora, um olhar visionariamente crítico sobre a onipresença da tecnologia salvadora.

(ou seja, em que século o homem pretenderá interpretar a tecnologia; trazendo-a, posicionando-a naquilo que nós realmente necessitamos para evoluir conscientemente?)



013.M cqe

Discernimento




Quando ensimesmado, o cientista simplesmente explica o mundo dele, ninguém precisa tomar para si àquilo que somente à loucura, à soberba e a necessidade dele cabe – ou, assim deveria ser.


012.M cqe

sábado, 5 de novembro de 2016

Ser imortal



Em algum espaço ignorado, em uma célula intocável e ainda não descoberta de um órgão não especificado do nosso corpo deve existir um lembrete com a frase “Eu Sou Imortal”. Por mais que não acreditemos mentalmente nisso, nosso espírito parece confiar nessa verdade. Cada um de nós, inconscientemente, tem contato permanente e inequívoco com esta célula; com este átomo que nos dá a garantia de que: ainda que ajamos dando frequente mostra de desconhecimento e destempero; ainda que provoquemos a extinção deste planeta, todos nós, mesmo que não admitamos entender a nossa imortalidade, e, por conta disso, executemos os imprevistos mais comprometedores. Cometamos os crimes mais bárbaros; somos apontados como praticantes de vilanias e insanidades de torcer olhares. Cuspir em escritas sagradas. Formar irmandades com os interesses tão sórdidos quanto escusos. Destruir países e raças por conta de jogos de importâncias comuns aos políticos e autoridades que aos holofotes pairam acima do que consideramos senhores e sumidades, quando estes apenas assim se mantém por conta do massacre de centenas de irmãos destes mesmos que os elegeram intocáveis; por mais descrentes e desconectados da razão que possamos parecer: há aí um elo, uma ponta solta a nos garantir a eternidade inquestionável, ainda que baldada ao nosso assumir verbal. 

Afora o saldo desta conta auto imposta; devemos entender que a natureza circula por este meio... participando.

Então, ontem foi uma ressaca, amanhã um vulcão, na próxima década talvez, um terremoto precedido de um tsunami e ao final, quem sabe, um meteoro de proporções de uma hecatombe que provocará o colapso final do planeta, porém, há algo que não poderá ser mudado, o pequeno diamante fundamental que cada um de nós carrega no mais profundo da alma cuja inscrição traz; “Eu Sou Imortal”.

Portanto, que continue a bestialidade, o bestial espetáculo; quem se importa, continuaremos vivos, muito além de nossa insanidade.

Contribuição da Minha Sempre Bem Amada


011.M cqe

Nada a perder










Se ainda não tens certeza sobre o depois não seria mais inteligente viver imaginando a possibilidade de uma continuidade?






Da série; motivos para manter-se íntegro


010.M cqe

Perdidos



De que adianta saber se as plantas agarradas ao tronco das árvores indicam o norte se não sabemos para onde ir?



009.M cqe