sexta-feira, 31 de julho de 2009

Insight



Tenho a nítida impressão de que assusto.
Já me disseram tanta coisa e eu acreditei.
Já disse tanta coisa e não obtive retorno.
Não me engano com o que entendo.
O que não entendo discuto.
Sempre, é isso, sempre estarei a postos para o novo.
É só assim que carrego a certeza que assusta aqueles que não têm coragem.
Se deveria escusas por minha arrogância?
Não.

Desculpas são apenas para aqueles que ainda não acertaram.


Nunca, ninguém, poderá dizer que não tentei.


http://www.portalphilosophia.org/index.php?option=com_fireboard&Itemid=37&func=view&catid=15&id=29#29


Estarei onde não esperam me encontrar.
Quando me vêem não me enxergam.
É preciso que fique claro...
Retornar não é uma opção.


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domingo, 26 de julho de 2009

Trato-me talvez também de um doente


Talvez, quem sabe, sofro também eu de algum desses males descobertos a todo instante pela nossa poderosa e conceituada cátedra científica.

Talvez não, quero dizer, não que não sofro, e sim, que talvez minha disfunção não tenha ainda um daqueles nomes complicados que somente tais estudiosos conseguem articular.

Aprendi desde muito cedo que ou se está com todos ou o errado é você. Quero dizer, minha professora não raro explicava o fato de um garoto estar sempre envolvido em confusão, que isto o tornava diferente dos outros, então ele, ou os pais naturalmente, precisavam intervir porque se todos iam numa direção; o erro, naturalmente, estava situado no indivíduo que agia contra os princípios da maioria.

Partindo deste princípio, observado por esta forma simplista de análise chego a conclusão de que sofro de algum mal que não me deixa enxergar o óbvio, afinal não consigo concordar com o que diz a maioria daqueles com quem me deparei até aqui.

E a conclusão derradeira, novamente, descamba para o ócio, afinal, não tenho recursos para procurar alguém que trate desta moléstia, - entendo que o serviço público tão pouco terá condições, dado o que assisto nos noticiários, ainda mais agora, tão envolvido com uma nova pandemia – e assim pôr-me em alinho com os meus iguais sãos.


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sábado, 25 de julho de 2009

A placenta terrena não é o fim



Mesmo depois daqui. Mesmo depois desta existência. Mesmo depois de um milhão de existências; se de alguma sorte, tivesse eu que contar com um dos meus de agora; sabendo deles o que sei: como poderia apostar que seria tudo diferente, confiar em suas medúsicas súplicas, e incontáveis pedidos de perdão, por mais sinceros que pudessem no momento ser, e então, voltar e tentar mais uma vez?
Como faria isso sabendo que nem um décimo do que os fez me julgarem culpado foi trabalhado, - talvez o contrário sim - e então, o verme apenas adormecido durante o choro, com certeza tornar-se-ia latente mesmo antes de as lágrimas secarem, após descerrado mais uma vez o véu de Maia?


-0-

O líder no mais das vezes sabe quão desgraçados são seus liderados, que muitas vezes não possuem a mínima consciência da importância da batalha a ser enfrentada; mesmo assim, imbuído não se sabe bem por que, talvez acreditando mais neles que na própria vitória, talvez imaginando que a própria derrota os trará novamente para mais próximo dele, se joga na carnificina que a certa altura poderá se tornar autofágica não poupando nem mesmo ele.


Dentro disso está contido um dos princípios intocáveis de o porquê as lutas jamais cessarão.

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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Sobras de uma guerra particular



Ao final do filme Charlotte Gray – Paixão sem Fronteira; quando a personagem, vivida por Kate Blanchett, retorna à França de trem, consegue o diretor passar a sensação indizível de paz, aquela sensação sem par onde suspiramos aliviados depois de terminado um pesadelo, no caso, a pior guerra por nós seres humanos até então vivenciada.
Como um incansável descontente, obviamente é está uma visão mentirosa; isso dá-se, por tratar-se eu apenas, de um eterno buscador de sentido para o existir, me pego olhando acima da caixa que transmite o final da película, e numa síntese do que foi meu existir até então, ou seja, que jamais me atenho, mesmo por um momento sequer, regozijando-me, quando é natural o refestelar-se, raramente junto-me aos demais, aproveitando os louros da vitória, se por alguma razão o faço, é de forma contida; comedido.
Recuperando então, ali também, de imediato, meu ar de seriedade, não me deixo contaminar pelo engano fácil dos prazeres que advém de um momento que em situação alguma é de calar-se, e aceitar a paz finalmente ditada por àqueles comandantes que mais cansados que envergonhados assinaram.
Não serei eu mais um a mostrar os dentes em um dos momentos mais tristes da história.
O que tínhamos a comemorar nós, sobrevivente da barbárie?
Nada. Então não seria uma “paz” divulgada por aqueles que foram tão culpados quanto o inimigo, que por-me-ia a beijar doidivanas disponíveis nos portos do mundo.
Paz não. O cessar daquelas atrocidades sem fim deveriam sim ser comemorado, porém, jamais com um espírito de alegria, muito menos de felicidade, foram momentos de muita dor para os humanos, mesmo assim, como sempre, deixando-nos enganar por aqueles assassinos que investidos de justiceiros continuariam governando; comemoramos como se todos os nossos problemas tivessem acabados, e mais, talvez seja por isso que ainda hoje vivamos como ridículos, acreditando, talvez no íntimo, que tudo é permitido, ou pelo menos possível, afinal sobrevivemos a segunda grande guerra e então podemos viver disso, que para muitos pode ser considerado como algum tipo de lucro, ou como se tivessem sido abençoados por Deus, poupados, e agora nada mais importa.

Somos os sobreviventes da guerra.
Sobrevivemos à maior atrocidade jamais vista neste planeta.
Porque deviríamos nos preocupar desde então com o que Realmente importa?
Já tivemos o suficiente suportável; porque não, agora,
apenas aproveitar?


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Sobras de uma guerra particular II


Da janela do trem, sentados, assistimos ao desfilar das telas que se intercalam alheias.
Parecendo também isentos, apreciamos a paisagem, despertando todas as sensações que dão prazer ao nosso sentido principal; de posse de um sorriso gratuito, e inebriados pelo sentimento tão fugaz quanto mentiroso da segurança, não percebemos que o dono da locomotiva aproveita o período de armistício para a única coisa que a seu ver vale à pena: armar-se.
Mais tarde então, os comandantes oportunistas, aproveitando-se do torpor provocado por tamanha cegueira, não verão mal algum em utilizar os mesmos trens para novos fins, transformando a vida de alguns passageiros; dando-lhes novos sentidos valendo-se de velhos motivos.
Tornaremos assim às faces enfarruscadas, que antecede as de espanto e dor. Talvez uma resposta dura demais como resultado por um estado, onde permanecemos ausente por demasiado tempo.
Muitos; nem mesmo muito tarde, verão razão.
Só aquele que sabe entende.
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terça-feira, 14 de julho de 2009

Sobras de uma guerra particular III


Com o sentimento de um sortudo tão raro quanto incomum, personagem de uma guerra que parece jamais terminar, orbito como um sobrevivente, a exemplo de alguém habitando um campo de concentração ou mesmo um refugiado em algum lugar bastante perigoso e minado de alcagüetes, que corre riscos diários como em “O Pianista”, onde pode ser apanhado a qualquer instante. Inocente, sobrevivo da incurável esperança de que finalmente seus comandantes envergonhados ou, também cansados, encontrem um termo as barbáries, e, com ele, acabe o meu pesadelo, sonhando que, com isso, possa novamente por em prática ou dar continuidade a uma vida normal, no mínimo, parecida com aquela vivida na adolescência, na qual, mesmo resistindo com pouco mais que a ração do dia, ainda assim era mais suportável; melhor que aturar tantos abutres sanguessugas mordiscando meus calcanhares.


Algo surgido após ter assistindo "Charlotte Gray – Paixão sem Fronteira"

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sábado, 11 de julho de 2009

Falácias do século passado e de agora


Talvez pensando contrariar, ou quem sabe provar quanto Ford Madox Ford havia precipitado-se; Ernest Hemingway fora viver na ilha, onde outro lugar que não apenas a Itália o consideraria um cavalheiro.


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sábado, 4 de julho de 2009

O erro dos outros é o que os mantém errando em seus postos medíocres


Jogo em sua sem
vergonha e medrosa
face, a Verdade
dura que pensou
ter eu esquecido.
Não consegue me
encarar nos olhos
e com a já
manjadíssima
simulação que
não enganaria nem
um igual seu,
sai com o celular
na orelha
mostrando o
quanto é
ocupado para
ficar perdendo tempo com verdades que não resolverão sua situação de imediato, muito menos fácil de encarar, pois se realmente o fizesse, deixaria ainda mais exposta uma vulnerabilidade que aqui jamais poderá ser aplacada.
Você só precisa fazer algumas coisas
certas em sua vida,
desde que não faça muitas coisas erradas.
Investidor Americano

Me coço de vontade de comentar isso.
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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Jamais conseguiremos

Humanos:

Valorizamos o pensamento em equipe com um sentimento inimaginavelmente individualista.
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Alguém disse que o pó não deve ser incomodado


Adoro quando você demora a tirar a poeira da casa;
assim posso escrever:
“eu que Amo Você”,
no vidro da cômoda

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Dos segredos que não podem ser revelados


Entremeio ao que não parece ser e digo, muito a contra gosto, que bendigo o que já muito cedo me foi dito. Não espero, como sempre, respostas do Nada, Ele, como a amante ardilosa, só me olha quando pergunto, então nem mais pergunto; espero. Também como com ela sei que terei tudo se souber dominar a ânsia. A paciência, igualmente, há muito foi aprendida, ela corre nas profundezas, longe das corredeiras ingênuas que querem ser fotografadas e domadas. Quem não se dobra mais, orbita ou muito abaixo, ou muito acima do que está aberto e exposto para uma deflora. Sempre será agarrado aquele que negocia. Em verdade vos digo que estes são como o símbolo mágico da cobra engolindo o próprio rabo.
Pode-se orbitar o mesmo lodo e continuara impune?
Não busco respostas para minhas perguntas, respostas são um fim para quem o quer encontrar, mesmo sendo uma derivação para outra pergunta, caímos no símbolo citado, e então corremos o risco de desvendar mistérios. Nunca desvende um mistério se não estiver pronto, no mínimo, para um maior, talvez um que te ponha ainda mais em perigo. Este é o paradoxo do medo: se ficas, ficas, se vais podes retroceder ainda mais.
Não mexer-se pode ser um segredo?
Não sussurro segredos. Segredo é só para um, sempre o segundo terá que morrer.
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Desprendimento



Se, como insistem alguns, viemos de Deus; somos uma centelha desprendida Dele;
significa que lá eu já estive.

Quero estar com Ele estando onde estou.
(colaboração LVX)

A ambigüidade paradoxal do barco afundando




Como agiremos se para nós se descerrar o Céu?
Somos a síntese da dúvida
Nada sabemos da ilusão
Nada sabemos da Verdade
Numa incógnita, erramos
De que adianta ter as respostas?
Quando simples; não são ouvidas
Quando sérias; são aniquiladas/abafadas
Os loucos as possuem
Como entendê-los?
Como ouvi-los?
Ensinaram-nos, que pertencemos a um gênero a parte
Mesmo sendo um pouco;
Dizem não ser o suficiente para creditá-los
Por que eles existem então?
Não tente entender
Entenda que Deus é Perfeito
Toda a sapiência humana é tacanha, mesmo aquela esquecida em ideogramas e hieróglifos sob as montanhas dos Himalaias, tão inacessível quanto o seu possuir; são como disse um dos que foram: “Servem apenas para quem não sabe ler.”
De que adianta seu emprenho em falar se eu não quero escutar? Eu não quero o depois, Você mesmo ensinou-me sobre a importância do Agora, então por que me preocupar?
O paradoxo do existir é a resposta da existência, seus olhos vêem; mas você não enxerga.
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Astro soturno


Diz o Sábio:
Aja como um astro soturno, gigante, que visto ao longe, se mostra inerte e inalcançável; parecendo inativo, mas, os que sabem sabem, que em seu interior, as transformações jamais cessam.
E mesmo quando tentam explorá-lo, lançando mão das mais precisas ferramentas, percebem que a impossibilidade desse querer se mostra ainda mais patente.
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