sábado, 30 de abril de 2016

Refinamento






Ao contrário de irmos de encontro à sensibilidade, processo natural do bruto. Do embrutecido ao civilizado. Quero crer que a cada dia mais o sensível é um ser raro, isso o valoriza, porém, empossado de sua ética moral arduamente preservada, não se aguça por sua raridade, ou singular distinção, ao contrário; mais se reserva em sentimentos, ao observar - enquanto perambula entre – o que lhe parece agora, rudes caminhos da civilidade, ao que esses se mostram: assustadoramente assenhorados, do que ela entende por eterno.


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Parelha



O que evolui (que espécie de vício, de bactéria, de mala cepa, tão nocivos quanto imperceptíveis) com nosso esclarecimento que, ainda que permaneçamos tenuemente (ou seria milagrosamente) equilibrados de alguma forma, não permitimos que o conhecimento sobreponha-se sobre a escuridão mental, e a desarmonia finalmente seja vencida?


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Sistema Livre



Estamos envoltos no processo democrático e não há saída, afinal, como nos libertarmos de um sistema que nos mantém presos se a sua política convence a todos que somos livres?

Compramos apenas a ideia de liberdade, mas, somado as tradições voltamos à recorrência do necessário ou oportuno atropelo: erros foram repetidos, leis foram adaptadas e, ou a sociedade critica ou a lei coage ao não enfrentamento quando um que outro percebe a armadilha... mas, uma vez sobrepujado pela teima ao não observa quão fraco é frente a sua atenção... investe e cai.

Entretanto, sensato, torna à solidão, quando, também em vão: resta-lhe apenas a prosternada revolta, caso busque manter-se livre...

...tornando e engrossando assim às tortuosas colunas de um “sistema livre”.

Da série; Círculo “Vilcioso”

A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas.
Winston Churchill

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sábado, 23 de abril de 2016

Passageiros



Ainda que descubramos como exatamente deveria ser nosso comportamento aqui na Terra para então coabitarmos socialmente par e passo com a sua exuberante natureza, alinhando homem/natureza, não o faríamos por conta das dificuldades a nós inerentes; se uma geração familiar apenas, é impossível de ser orquestrada em moldes aceitáveis, como seria possível com toda uma população sendo renovada a todo instante! Isso evidencia, ou, aqui reside a desconfiança concomitante: a prova de o porquê aqui nascemos.

...e, portanto, provando que nossa abertura, nosso querer uma sociedade responsável requer ou vai muito além das negociatas conhecidas. E que ela depende de uma vontade, inegavelmente existente e já provada possível, porém, que ainda está muito além da natureza humana até aqui conhecida, à custa de uma serie de fatores fabricados principalmente, por conta do bastante deficiente material humano, resultando, justamente, esse efeito canhoto.


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Abrupto












Às vezes penso que meu pensamento não transita em escalas uniformes e aritméticas, mas aos trancos e solavancos como se pulasse etapas lançando-me a mundos outros...



como que portais fossem rompidos, e ainda que a tudo estranho... 

...nada me é totalmente estranho.

Da série in the bus

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Aos seus lugares



Em qualquer bom evento, enquanto técnico; descendente das exatas; o especialista não é um qualquer. Em raras exceções, quando se sabe isso; profissional; sabe-se bom. Deve dominar ele, portanto, que sua opinião crítica precisa limitar-se ao máximo, as coxias. O correto, então, sempre, é: que seu confinamento seja restrito ao corpo técnico.

Uma vez tornado e assumindo-se técnico, aja como tal.

O especialista sempre será um instrumento. Sua opinião, quando solicitada, deve restringir-se ao assunto de domínio – aqui um exemplo; assim aqui, e em tudo mais.


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O homem é mais poderoso que Deus



Deus; o costas largas - Nietzsche afirma que Deus está morto, e a bem da verdade isso nada significa – celeuma morta e restrita ao século passado. No entanto, na escassez de assunto a um grupo escasso, poderíamos observar hoje, que independente de sim ou não, isso pouco importa se levarmos em consideração o que muitos entendem como Sua “Ausência”; porquanto, temo que o homem seja mais poderoso que Deus, relegando-O ao ostracismo, afinal quando um homem tende ao mal nada pode ser feito; Deus não interfere, e ele segue sua caminhada rumo ao caos. Uma vez bom; Deus também nada tem a fazer, e ele segue sua caminha da em paz... é claro, afora aqueles que O utilizam como muleta.


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O Corpo







Preservamos o carro imaculado, a casa. Não doamos ou emprestamos uma peça de roupa insubstituível, um bem estimado. Defendemos uma amizade, uma companhia; sem saber exatamente se ela merece toda a confiança depositada. Rezamos à alma, ao espírito, - também aqueles que não duvidam da comprovação de sua existência para além do agora; conscientes, portanto, que teremos oportunidades outras de resolver negócios pendentes, mesmo nos milhares de casos onde a ordem é desrespeitada - porém, ainda que perecível e mesmo mortal, o inigualavelmente precioso veículo posto a nossa disposição e aquele que mais depende das nossas vontades, sempre obrigado a seguir exclusivamente as nossas escolhas para vencer bem ou mal sua perecividade; uma máquina precisa a nossa disposição, com falhas ou não: o corpo simplesmente nos foi dado, - ou para os darwinianos evoluiu primorosamente - portanto, a despeito de tudo: é nosso maior patrimônio e, no entanto, tão obrigado quanto impossibilitado de responder as nossas vontades para com ele devido justamente ao contrassenso com que é tratado, segue a revelia seu ofício, porém, esquecido.

Independentemente tanto da sua quanto da nossa condição. Único; é o condutor, o invólucro, o veículo que possibilita, tornando-o, obviamente, co-partícipe incondicional do nosso desenvolvimento na Terra. Fabricado com perfeição, se mostra ainda mais, a despeito de todo o nosso relaxo, de toda a velhacaria praticada contra ele.

Teremos nosso pensamento, nossas lembranças, nosso conhecimento, nossa alma, porém jamais nosso corpo.

Comida ou falta dela em excesso – com ou sem condição -, sol, esforço físico, riscos os mais diversos, bebidas no mais alto grau de perniciosidade, estresse físico, mental e psicológico, e o pior; drogas – as mais variadas e criativas; oficiais ou não. Forçamos nosso corpo a exaustão. O expomos aos mais exaustivos testes sem nunca olharmos para ele com gratidão, apenas com vaidade. Encontrando seus mínimos defeitos, quando, a maioria deles foi causada por nossa displicência; ou nosso déficit de consciência crítica. 

Seria de suma importância que ao primeiro apontar; ao primeiro aflorar do indivíduo para a consciência, lhe fosse empregada com o máximo rigor a necessidade real de ver no corpo seu maior bem, seu maior amigo – o corpo é a essência da matéria.

Seria importante que todos aprendêssemos, como exercício, a imaginar na hora de nossa morte o sair do corpo, e ao olhá-lo, perceber que nunca mais o veremos. Aprendermos a imaginá-lo com a mesma força; como um bem precioso, um amigo, um filho que dele nos despedimos para sempre e que jamais se tratou ele de um estorvo em nossa breve existência. Deveríamos aprender a amar e respeitar nosso corpo também por conta de sua utilidade.

*

O corpo é o único bem que realmente podemos afirmar nosso. Nada mais, materialmente falando, possuímos, que realmente nos pertença. Porém, o corpo é matéria, e matéria se decompõe. Ainda em vida isso acontece. A medida do estrago, de quão ulceroso chegaremos a hora derradeira depende única e exclusivamente da conscientização da importância e também, da total dependência nossa – ou seria mutua - desse bem tão precioso que conhecemos como Nosso Corpo.   


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Som e fúria




Os cães farejam medo logo não podem me encontrar



Me Deixa – O Rappa

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sábado, 16 de abril de 2016

Isso em...




Quanto ao mais importante dos nossos sentidos – o nosso senso interno do intervalo entre desejo e posse, que nada mais é que o sentido de duração, aquele sentimento do tempo que antes se comprazia com a velocidade dos cavalos -, ele agora considera os mais velozes trens vagarosos em demasia, e nos afligimos de impaciência entre um telegrama e outro. Ansiamos pela sucessão dos eventos como se fossem comida que nunca está suficientemente condimentada. Se não há, todas as manhãs, um grande desastre no mundo, sentimos um certo vazio: “Não há nada hoje nos jornais”, dizemos.

Paul Valéry (1935)

Do Livro das Citações


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A vaidade transformada













A vaidade nada mais é que o querer não atingido.

De alguma maneira sabemos que podemos ser a nossa vaidade sem a sua presença, ou seja, ínsita. Quem poderá adivinhar e a que nível de energia seremos apresentados: diante de tal quadro de pureza; onde gestos, olhares e nuances de entonação produzem então o que fora imaginado pela vaidade !?!


Homenagem a Germaine Necker Staël-Holstein; Madame de Staël.


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Os novos crucificadores







São olhos sem vida, porém ávidos; não se sabe se um dia possuíram luz. A que os ilumina hoje é artificial e emprestada das telas digitais. Seus olhos faíscam ao refletir a ilusão prometida. Avaros reais, já aos primeiros toques buscam o terceiro desavisado que se deixou cair nas garras desses zumbis eletrônicos. As vítimas: aqueles que “erram”, que defendem uma posição contrária ao miseravelmente descaracterizado corpo de jurados, enfim, incautos que inadvertidamente pensavam encontrar ali o consolo que as sempre, ainda que em realidade, estranhas frases feitas inseridas na automaticidade do gesto rápido, desprovidas sempre de sentimento verdadeiro algum, pregaram-lhe uma peça quando agora, finalmente, foram entendidas da pior forma possível: não passar da mesma farsa inseparável, arraigada, aos falsos defensores.

Movidos a factoides (informações fragmentadas e incompletas) somado as suas análises de comedores de fast-foods, lançam mão de opiniões baseadas na netética (ética não oficializada, formada apenas por opiniões rasas da rede, porém que é entendido como passível de validação) e então decretam a sentença do “acusado” da vez, crucificando-o; calçados apenas em opiniões da choldra ensandecida que pouco ou nada sabe realmente a respeito de nada, por não saberem nada da vida e muito menos sobre a situação em si; o fazem por prazer e por nada melhor terem a fazer.

Crucificam, sem direito a apelação. Donos do pedaço; movimentam-se alternando ora entre os papéis de juízes, juris ou promotores. Tudo o que o desavisado falar (postar na rede), será deturpado e usado contra ele.

Utiliza-se de valores mesquinhos e das mais inventivas mentiras e enganos pessoais para os acusarem do que eles próprios seriam capazes, por expedientes que esses apedrejadores contemporâneos usariam se tivessem que se defender ou lançar mão para enganar. Por sua vez, o descuidado, geralmente por desconhecimento ou ingenuidade; por não conhecer o “modus operandi” ou como funciona a mente insana do psicopata humano covarde que se entende protegido em seu quarto, não raro utilizando-se de um “fake”; expõe-se desnecessariamente, ficando ainda mais desprotegido, gerando, ou armando esses escrotos insensíveis com munição suficiente contra si próprio.

Essa é a nova massa humana crítica, fruto da combinação do desconhecimento com o perigo do anonimato que a esconde e covardemente a protege do risco da dor física se mostrasse sua cara de sem vergonha.

Ao pobre desavisado resta o consolo de não ser uma celebridade, quando então seu calvário, ainda que visto em boa parte do país, materialmente, sofrerá as consequências apenas no seu reduto físico.

Digo que os verdadeiros vilões ainda não chegaram, entendo que aquele que conseguir dominar esse filão desregrado será o pastor do apocalipse.

Aquele que dominar a Legião Net formará o novo cristianismo, o novo islamismo, e dependerá desse os caminhos da massa maleável.

Se eles promoverão a mudança a tanto aguardada, ou serão o continuísmo; se selarão a continuidade apocalíptica a que aqueles que, muito distante dessa luminosidade artificial amarelada continuam a ela voltados e acreditando que, mesmo relegada ao esquecimento, em algum lugar, uma brasa mínima respira voltada à humanidade, aguardando um sopro que a avive e então algum caminho perdido possa ser retomado.

*

Ao que se traduz da história, Jesus Cristo, Joana Darc, perseguidos da inquisição, judeus e palestinos, por exemplo, e alguns outros mártires alheios tiveram bem poucos defensores para fazer frente àqueles que a nada se apegavam a não ser ao ataque gratuito independentemente da direção a ser lançado. Algo que ocupasse suas vidas vazias, – indivíduos que, por desconhecimento, seguem a tendência das massas - enxergando suficiência em achacar os mais fracos e insignificantes, os “errados” ou contrários aos seus olhos críticos; compartilhando de execrações públicas até por diversão. Corroborando com atos infames da história que, absurdamente, teve, por diversas vezes mudada seu curso, justamente por conta de déspotas manipuladores que se aproveitaram oportunamente do poder que outorgava-lhe convenientemente, servir-se do estado gerado.

Uma crucificação, uma bruxa a ser queimada, um enforcamento, um apedrejamento, qualquer coisa servia para ocupar lhes a descarregar as ânsias de uma vida ainda embrutecida.

Ao ouvir um colega comentando sobre uma, de milhares de discussões que revolteiam nas redes enquanto revoltariam se pessoas de bem e ocupadas, delas tomassem conhecimento. Em um dos inúmeros insanos assuntos que hoje entretêm esses novos crucificadores, nesse caso em especial dizia respeito a duas mulheres, uma, mãe do Rian Brito, neto do humorista Chico Anysio, encontrado morto dias depois de seu desaparecimento e outra atriz global acusada de vender drogas ao rapaz. Voltou-me então a memória, após o relato de algumas barbaridades protagonizadas nem tanto por elas, mas por toda uma plateia desocupada, tornando-as assim simples objeto de discussão, jamais pessoas a serem auxiliadas; afinal, o que de realmente prático e útil restará a elas, agora tornadas joguetes, ou pior, indigentes sem valor algum a serem execradas, depois dessa exposição/execução? E aos seus executores? Qual será o provável resultado das cenas medievais de tortura psicológica que possivelmente sofreram, num misto de justificação e imaturidade, enquanto prostradas como rés, em seus modernos cadafalsos digitais que, embora não culminem às vias de fato, é certo que os estragos causados não são realmente dimensionados?

Comentei com minha esposa uma vez mais, sobre o não cair; o não se expor.  Pois os novos crucificadores, mesmo que não entendam levar uma vida de paranoicos digitais, insistem em fazer justiça com suas pobres palavras, tão pobres quanto pobres são seus espíritos. Não respeitando ninguém por desconhecerem significados do tipo que considere aspectos externos a si próprios, e, lançando mão uma vez mais da frase do Grande Mestre que sabia sempre a tudo responder, ou como contemporizar; quando disse sabiamente e há muito vem apenas ilustrando situações forjadas. No entanto serve também aqui, - e quem sabe por quanto mais servirá -; “pai, perdoa-os, pois não sabem o que fazem”; e, o que choca, é o fato de todos se nomearem cristãos.     


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domingo, 3 de abril de 2016

Sinteticamente sintetizados












Longe quanto do futuro estamos; onde os especialistas, ou seja, as pessoas que passam uma vida toda centrada tão somente em meia dúzia de assuntos - inclusive exclusivamente domésticos - que os suportem por toda uma vida; ainda será possível ou continuará sendo viável a uma sobrevivência razoável como indivíduo social minimamente autossuficiente, a partir do agora?

*

A morte do escritor Umberto Eco chama a atenção também para isso. Pessoas que o conheciam e o sabiam ler como indivíduo; ressaltam que seu ecletismo, sua leitura generalizada, sua opinião ampla lhe permitia com propriedades que apontasse tanto sobre o clássico quanto o folclórico ou do que é chamado de “pulp fiction”; do Graffiti às obras mais conceituadas dos maiores museus. Dos HQ´s, do boteco, do gueto, da política, da economia, do cotidiano plural, a moda, ao cosmopolita que se quer soberbamente singular.

Se observarmos a crise, ou as crises do mundo moderno incluindo a do nosso país e ler as barbaridades que pessoas letradas assumem em suas palavras. Justamente aquelas que não foram enlaçadas por traiçoeiros tentáculos monetários, comum a todos os governos; mas apenas por simpatia a esse ou aquele partido, ou devido ao puro e simples ato de manifestar-se diante do tenebroso quadro exposto. Cometem gafes, dizem sandices, fazem diagnósticos e pior, prognósticos desprovidos de qualquer vínculo com a realidade.
Considerando apenas uma parte do processo, sem a visão holística, externa, ampla, razoavelmente distante e imparcial tão somente creditando esses disparates a seus parcos e centrados conhecimentos, e a paixões frívolas; mas, a vontade de se expressar sem ter o cuidado de onde, da extensão real do campo minado a ser pisado e daí a realidade muito aquém da leitura quase romanceada da verdade que não tem nada a ver com ficção há uma distância impar.

Chegamos finalmente? Penetramos no monstro social que pensadores há séculos previram como – espaço/tempo - apocalíptico, porém, e como sempre, poucos de nós estamos preparados para ele!?!

Não apenas continuamos pensando em células, em nichos – sociais ou profissionais - quando esse analisar, visando uma sobrevivência condizente com os novos tempos exige, provado por Eco, não apenas uma visão globalizada do mundo, se não do universo: bastante mais atenta, mais aberta, ampla, menos cética e mais crítica, e mais do que nunca buscando a comunhão com todos – no entanto, jamais as paixões tiveram a obrigação de passar estrategicamente o mais longe possível. Devemos, urgentemente, retomar a razão fria e calculista, porém dotada da mais arguta inteligência.

É lícito asseverar que amornamos, e muito, o envolvimento familiar, e que pouco nutrimos sentimentos fraternos, porém nos agarramos as falsas paixões que entendemos assegurar uma condição estável de sobrevivência, tão necessária quanto conveniente ao meio. Contrariamente do que estamos fazendo com nós próprios: bastante acomodados por nos entendermos maduros, prontos para o nosso tempo, ou estamos dependentes do estado, ou da falsa confiança que o mundo hoje nos proporciona; essa ilusão precisa ser combatida com a busca, com a procura, com a pesquisa, com o interesse aumentado no; por que ainda que conquistamos facilidades e comodidades jamais sonhadas por nossos ancestrais a sensação de insegurança só aumenta.

E isso se deve por estarmos muitíssimo enganados em relação ao que verdadeiramente sabemos. Nosso conhecimento eclético é tênue e se quer sofisticado. Queremos, comodamente, nos entender espertos e antenados, e pior, nos adulamos mutuamente para assim, perigosamente, nos suportar, quando, se analisado condignamente, descobriremos que, o que entendemos não nos livrará de perigo algum uma vez que com ele nos deparemos.

Tornamo-nos seres sintéticos. Somos apenas uma casca finíssima de suporte. Nossa psique vem sendo moldada em frente às telas e é incapaz de mostrar a que veio se formos surpreendentemente intimados em uma única das milhares de esquinas onde a realidade espreita.

E enquanto nos concentramos no pequeno, no núcleo, no íntimo, nas especializações – confiando na asa mãe do poder. E de posse desse conhecer frágil nos entendemos prontos o suficiente; o mundo, o universo e mais, a sobrevivência exige a ecletia, a versatilidade, o diverso, o dinamismo, o rompimento de todas as barreiras – o universo em contração exigindo, cobrando a expansão do indivíduo. Mesmo em estado de retração o universo permanece mais ativo do que nunca. E nos parece que por trás disso que todos entendem sobrevivência ao cotidiano, reside a pior das apatias consensada jamais vista. Ela é silenciosa e covarde, e basta observarmos nas entrelinhas dos noticiários para entender como ela tem feito suas vítimas, as milhares, todos os dias pelo mundo.


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Usina de energia



O néctar da dor é a reza; o mantra; a súplica... 
Dê-lhes dor e teremos oração. O momento da oração pura se não é o instante mais belo do homem, apenas perde para o trabalho digno e bem aceito.


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Algo sobre a constância



Constância é também manter-se sereno mesmo que aquele a sua frente inadvertidamente afirme verdades quando sabemos que o tempo dirá que ele mente.



“Ator Rei: Acredito, sim, que [tu, atriz rainha] penses o que dizes agora; mas aquilo que decidimos, não raro violamos. O propósito não passa de servo da memória, de nascer violento mas fraca validade. E que agora, como fruta verde, à árvore se agarra, mas, quando amadurecida, despenca sem chacoalho. Imprescindível é que nos esqueçamos de nos pagar a nós mesmos o que a nós é devido. Aquilo que a nós mesmos em paixão propomos, a paixão cessando, o propósito está perdido.”

Shakespeare












“Aquilo que um homem diz, promete e decide na paixão deve depois sustentar na frieza e na sobriedade – tal exigência é um dos fardos que mais pesam sobre a humanidade. Ter de reconhecer, por todo o tempo futuro, as consequências da ira, da vingança inflamada, da devoção entusiasmada – isso pode suscitar, contra esses sentimentos, uma irritação tanto maior por eles serem objeto de idolatria, em toda parte e sobretudo pelos artistas. [...] Por termos jurado fidelidade, talvez até a um ser apenas fictício como um deus, por termos entregado o coração a um príncipe, a um partido, a uma mulher, a uma ordem sacerdotal, a um artista, a um pensador, num estado de cega ilusão que nos pôs encantados e os fez parecer dignos de toda veneração, todo sacrifício – estamos agora inescapavelmente comprometidos? Não teríamos enganado a nós mesmos naquela época? Não teria sido uma promessa hipotética, feita sob o pressuposto (tácito, sem dúvida) de que os seres aos quais nos consagramos eram realmente os mesmos que apareciam em nossa imaginação? Estamos obrigados a ser fiéis aos nossos erros, ainda percebendo que com essa fidelidade causamos prejuízo ao nosso eu superior? – Não, não existe nenhuma lei, nenhuma obrigação dessa espécie; temos de nos tornar traidores, praticar a infidelidade, sempre abandonar nossos ideais. Não passamos de um período a outro da vida sem causar essas dores da traição e sem sofrê-las também.”

Nietzsche


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