sábado, 26 de dezembro de 2015

Da fragilidade e da essência





No filme Kundun, durante a visita de políticos camuflados de negociantes íntegros e comprometidos, enviados da China para conversar com o Dalai Lama (atual) - com pouco mais de dez anos – antes da deflagração da série de crimes que até hoje são praticados por conta da invasão do Tibete, o menino, Verdadeiro Avatar, dono de pureza impar, tenta alertá-los - talvez sem a dimensão exata da sordidez de um grupo muito aquém da diplomacia: “não confundam nossa fragilidade com fraqueza”.

Para qualquer um que não participe da filosofia da doutrina Zen Budista, devido a sua sutilidade e uma série de particularidades singularíssimas, é bastante difícil compreender o significado destas palavras, mesmo familiarizado ao contexto em que elas foram ditas. Porém, ainda hoje, após as atrocidades da China naquele minúsculo país, a força do Tibete no que se refere a espiritualidade, supera enormemente o que todos, a boca cheia, tratam como “gigante chinês”.

Apenas por um motivo volto a esse assunto; diante da repulsa do ocorrido, entendo como uma espécie de correção, a atenção de registrá-lo, devido a minha gana pessoal contra esse acontecimento político dos mais vergonhosos da nossa era, e, ainda que sem intenção externa alguma, tenho como prática, firmar meus pensamentos, e então poder observá-los ainda íntegros. E é difícil explicar porque há um sentimento bom aqui; ao verificar que continuo firme na opinião contrária em relação aos assassínios cometidos durante essa invasão, no que prefiro denominar como: “monstruosidade chinesa”; cujo gigantismo nem tanto o é quando observado sob o prisma da covardia desse país inescrupuloso.

Voltei a essa página negra da demonstração de o quanto podemos cometer atrocidades e continuar figurando como exemplos, para chegar ao humano individual; quando é nossa fragilidade que está em jogo ao ficar a mercê dos gigantes a que obrigatoriamente somos expostos quando todos os veem como exemplos, e o quanto o frágil continua com a pecha de “loser”.

O mundo é feito de “fortes” e “fracos”, e não quero chamar atenção aqui dos “fortes”, esses o mundo todo acolhe como “vencedores” e preferidos - estes estão conformados, ou melhor, quanto a isso todos estão conformados.

Antes, gostaria de mandar um recado aos “fracos”.

Para que percebessem a força de suas fragilidades. Que, não fizessem qual velho que se enche de cremes, tinturas e químicas para ridiculamente camuflar a beleza, muitas vezes sã, da velhice. Nada. Busco aqui acordá-los para a força de suas fraquezas, a beleza do gentil, a sutilizada do suave, a – hoje - raridade do verdadeiramente educado, a sensibilidade do frágil, lembrando que a alma; o espírito, não carrega diferença de tamanho. Uma ginasta de pouco mais de um metro, possui uma alma tão igual ao brutamontes que ainda vê vantagem em ser aclamado por levantar quatrocentos quilos – não desmerecendo o esporte ou aqueles que escolheram o levantamento de peso como meta de superação; me refiro aqui ao indivíduo que não aprendeu a filosofia do esporte e o pratica apenas por exibicionismo.

Por quanto tempo ainda os verei fragilizados e acuados na vergonha de não serem reconhecidos por pessoas que não os enxergam, por apenas o fazer a si próprios ou ao que aprenderam com um sistema que premia apenas o “são”, quando são eles que continuam praticando insanidades ao relegar quem não pensa igual, não digno de créditos?

Portanto, senhores, homens de sentimento, não cometam os mesmos erros dos conformados. Muito menos aceitem ou acolham participar de seus joguinhos (dis)simulados. Não se apoiem no orgulho projetado por mentes perturbadas que se mimetizaram com o mecanismo acomodado do processo e então, de posse da pretensão voraz e destruidora, abandonam o entendimento da superlatividade da diferença sempre algo propício/positiva, trocando-a por uma segurança que mente a si próprio ao invés de manter-se em equilíbrio com a nata pureza, símbolo maior dos verdadeiros exemplos que o tempo tanto insiste em provas de que a natureza continuará durante bom tempo superando o homem em sabedoria.




                             Frágil

A fragilidade intocada 
Supera a força bruta 
A matéria sufoca sentimentos
O invisível os exalta

                              Sutil

A fragilidade é invisível
A brutalidade é palpável
A sensibilidade rompe barreiras
A força nem as enxerga

                                                                   Pureza

Enquanto a força é mero instrumento de matéria combinada
Manuseada por mentes que ignoram o que não veem
A nata pureza é sã
Filha da natureza mãe

                                                                    Eterno

A mãe protetora
Apenas se utiliza da força
Mas apoiar-se-á sempre
No Eterno Sensível


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Sempre será antes; todos



O alvo como objetivo individual existe apenas no material; aqui nós o individualizamos – ou somos forçados a postulá-lo. Ainda que alguns de nós mire o Todo, somente em casos excepcionais encontraremos um pensamento que destoe da lógica egocêntrica.

A evolução apenas será concluída no que se refere a sociedade conjunta quando essa máxima for superada. Evoluídos não buscaremos o alvo comum, mas objetivos em comum; e o mais incrível é que a partir de então, estaremos livres para nossos objetivos particulares.


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Uma pitada de pragmaticismo clássico



Algo sobre “Os Evolucionistas” 

“A história da ciência não pode ser separada do ambiente cultural, social e político em que ela é buscada”.
A. N. Whitehead



E também sobre “Os Pragmáticos” 

Enquanto leio E. Mach concluo insistindo que; não estaria o princípio inegociável da ciência causando-lhe seu maior prejuízo?

Afinal, por conta das, muitas vezes inexistentes provas, - inexistentes por conta, justamente dessa “inegociabilidade” – não estaria talvez essa disciplina tão importante, muitas vezes, (se)perdendo (n)o fio da meada da continuidade que não cessa, se observada, amiúde, a verdade dita por H. L. Bergson, quando resume que ainda que vida e matéria são inextricavelmente ligadas, acaba tão genial quanto pode ser o simples a todos visível concluindo que, tudo é ”uma realidade se fazendo numa realidade se desfazendo”!


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sábado, 19 de dezembro de 2015

Para acordar é preciso acordar

A prática na prática

Esse plano não existe, se pensando a partir da perspectiva de ser um ponto desprezível diante do Todo, e, é claro, observado no sentido de materialidade; então por que aqui nascemos? Por que é importante não levarmos isso em consideração e torná-lo de suma importância a nossa evolução como seres obrigatoriamente transcendentalizantes?

*

Não acordamos antes da hora de ser acordado, aliás, tudo é assim, nada acontece antes. Porém, parece incrível que, podemos acordar (atingir o processo de conscientização), mas isso não significa que estamos prontos, ou necessariamente expressa ou dá como garantida a nossa prontidão; que acordados para o momento (que estamos devidamente atentos) – nada existe sem a prática, e é aqui que entra a importância inquestionável do nosso planeta Terra.

O processo é mais complexo que um moroso despertar. Percebi então que, para acordar (realmente, se iluminar – pegando carona no exemplo da cultura hinduísta) é vital estar acordado (atento, e jamais ter essa atenção desviada), ou seja, não basta acordar apenas, a conscientização é insuficiente, é necessário o insight – porém, antes de tudo isso, até chegar a esse processo, é inegociável entender que primeiramente devemos: acreditar que nossa vida não é o que assistimos no cotidiano.

Ao longo do dia estive pensando nesse rápido rabisco (inicial) e então resolvi acrescentar que: podemos até alcançar a conscientização do que é melhor para nós, mas isso não significa que os problemas estão resolvidos - apenas isso não basta.

Depois de acordar conscientemente para as nossas reais necessidades, (de eliminar traumas, manhas, bardas, ranhetice, marra, desrespeito, impaciência, preguiça, crítica, egocentrismo, doenças psicossomáticas, ganância, raiva, ódio, petulância, soberba, orgulho, criminalidade, racismo, trairagem, puxa-saquismo, ciúmes, inveja, pré-julgamentos, etc...) e da obrigação de nos afastarmos desses ID´s agora aceitos e tornados indesejados, há um longo caminho pela frente que é a disciplina de resolver questões que uma vez observadas ao admitir suas nefastas existências, acabam gerando todo o desequilíbrio a nossa volta e, então, finalmente; aqui também reiterado que: não depende apenas desse aceite, conseguir suprimi-los.

E tudo isso pode ter como infeliz exemplo o sobrepeso. Quando não se trata de doença comprovada, sabemos que algo não está correto, e que alguma ação precisa ser tomada – afinal os especialistas estão aí. Geralmente há o protelar das medidas, às vezes até a morte vem antes, a diferença aqui é que a morte não resolve nada, afinal, sabemos que a vida continua.

*


(para aqueles mais desesperados após essas palavras que lançam as trevas sobre qualquer boa intenção inicial, ainda que relutante em tocar nesse assunto devido a sua fragilidade e complexidade; a partir do instante que insistimos em sendas que nos direcionam a caminhos dignos de atenção por parte do Todo que é Uno, há uma conexão inegável, que, de maneira muitíssimo sutil auxilia, ao menos no que se refere a segurança, e, se da parte de quem procura insistir; persistir na escolha, é certo que todo esse processo aqui descrito desaparece porque não nos olharemos mais como antes; só o entendemos como difícil até que o vivenciemos; isso é fato, e não as traições de nossa mente que finalmente será usada a nosso favor, e por sua vez, são das desistências que o planeta Terra vive... sobrevive... existe...)

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Do que é ou não relevante





Finalmente, 
diante do belo, quando não se é dado a perda de tempo, o inferior a esse desaparece, 
ao tornar-se desinteressante.

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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Nas escadas


Nosso palco vida é uma escada.
Nossas ilusões e devaneios nos dão uma posição,
nosso norte outra,
e a realidade...
uma terceira.




Nosso palco da vida é uma escada onde vida e vida se entrelaçam – sempre é só vida. Nossos sonhos e ilusões nos posicionam aqui, nossa consciência diverge entre esse aqui e um possível acolá, e a realidade, sempre a postos, uma terceira.


Mas... sempre... tudo... é ganho, e são as linhas da vontade e do acreditar, ajustando as escolhas, que então traçam o destino de cada um.

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John Lennon - 08 de Dezembro








Amo a liberdade, por isso deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as possuí.


John Lennon



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sábado, 5 de dezembro de 2015

Não por acaso







Ao menos àqueles que acreditam estarmos evoluindo; precisamos dar ou somar um novo significado ao acaso, contextualizá-lo, já era hora, pois, a cada dia mais devemos entendê-lo como um aceite; uma obrigação de ajuste ao novo: o aceitar de uma nova realidade e não uma ocorrência aleatória; desconexa.

Hoje, não entendê-lo, não compreendê-lo e muito menos não aceitá-lo, é sinônimo de vagar em meio a obscuros escritos de antigo passado; pareados a limitada e persistente cegueira científica sempre rica em elementos e pobre de instrumentos.


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Por que não me vês



Toda a minha força está concentrada em permanecer ao Seu lado.

Sou um tsunami de força.

Mas o que vês é a praia, murcha, vazia, estéril.

Minha força está em Você.

Com Você... no meio do oceano.


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Capacidade apenas para incapacitar


O incapaz, quando soma à sanha invejosa, o despeito; o recalque; aponta como capacidade única e exclusiva, incapacitar, tolher, frear um ou quantos mais possam ofuscar sua ilusão; calcado em seus medos cultivados a custa desse comportar-se, por temer que a vítima se mostre superior a ele.


*

É atestar nossa parvoíce, anular alguém superior em capacidade, utilizando alguns níqueis de poder que por agora nos permite abafá-lo.

E da miserabilidade...

Somente o fraco observa o seu oposto como ameaça. Invariavelmente é apenas quando nos percebemos incapaz perante o que assistimos, que procuramos descobrir nos outros a nossa miserabilidade; buscando terceirizar nossas falhas ao criticar o alheio.

Esse comportamento não existe entre os seres preparados, e enquanto os primeiro caem exponencialmente, os demais excedem na mesma aritmética; o desafio é tornar isso compreensível.


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Por conta da covardia, do orgulho, do interesse... somados




Se observado com critérios justos a linha histórica da humanidade; e de posse dessa honestidade revirar hoje consciências que se mostrarão apenas em biografias futuras, é fácil concluir que: por conta da nossa histórica e inculta falta de coragem de dizer não, ou para agradar alguém com um sim: centenas, invariavelmente sofrer de uma única decisão que não carrega justeza alguma em sua confirmação.


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Até aprender – Life or games!







Considerando todas as causas ainda pendentes; e agora perdidas devido o avançar da idade, disse qual lhe pesava mais; a mais cara. E que, até onde entendi e agora repito em parte com as mesmas palavras o que me foi dito, destacando que, observado no todo, me pareceu de uma simplicidade estulta, somada a dúvida de porque ele não teria conseguido...

“O que digo é o que é, e é o que deveria ser para todos, porém entendo que é aqui que existimos agora, e se não pude chamar todos à razão de como deveriam se comportar, ao menos saberão, após partirem, o porquê não se adequarão em um mundo superior, precisando aqui voltar, até aprender”.


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Até aprender II - Life or games!




Vídeo Game

A diferença de podermos voltar incontáveis vezes no vídeo game e às nossas “inumeráveis” voltas à vida como novos velhos seres humanos é a falta de prazer; quando isso se der, - ainda que isso pareça impossível - estaremos prontos para avançar de nível.

Em tempo:
Provaram-se estéreis nossos starts até aqui?
Afinal, diferente dos jogos eletrônicos – e aqui eles servem apenas como referência –, é o fato de que, poucos de nós procuramos entender a mecânica aqui proposta - nem mesmo entramos no jogo ainda.

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Expansão e Contração




Fizemos maravilhas nos odiando; 
do que seremos capazes nos amando!


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sábado, 28 de novembro de 2015

Do suportar toda uma vida sob uma oração



É fato; constato. Há homens que constroem todo o espaço de uma vida sob o jugo de uma única frase que disseram compreender ainda que não a tenham interpretado por si mesmos e/ou a contextualizado sob o foco de seu universo, agora apagando-se por conta disso.


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A propósito, Spinoza















Para elucubrar era preciso estar com a razão nos eixos, e sem ela assim, ninguém cogita.




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Quem sabe o que faz não espera as câmeras



Não é o feito aqui

que o destaca fora,

mas é o contrário,

que o evidencia

para somar 

com o planeta de agora.


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Preferência às conveniências






Vivemos em um plano onde a mentira deve ser mantida, e a verdade é preferível que permaneça convenientemente calada no coração de alguns homens.




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E sobre aprender a discernir. . .




 . . . faça-o, que o resto se acomoda 

Independentemente de quem seguimos, 
seguimos sempre

Todos os grandes em verdade não devem ser seguidos cegamente. Seguir caminhos que convencionamos como mau não necessariamente o são, apenas sofremos mais ao trilhá-los, mas as experiências nem de longe serão perdidas; nada é exatamente bom ou mau, ou converge para filosofias de bem e mal; tudo se resume a experiências que deixarão marcas indissociáveis em nossas almas ao longo da nossa jornada rumo ao desconhecido.


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Organismos escravagistas. . .



. . . instrumentos tornados necessário

Quanto terão eles que adorar deuses esperando que cumpram a promessa de tudo prover até que lhes deem um mínimo de inteligência para saberem que estão enganados!?!

Quem sabe talvez, quando Deus finalmente suplantar os seus “enviados” e, falando diretamente as Suas ovelhas, devolva-lhes um mínimo de inteligência que aqueles trataram de anular, para que assim deles dependessem para Amá-lo as mais diversas – e impróprias - maneiras.

... e ainda precisamos admitir que mesmo que alguns tenham decifrado isso por ora; esse enigma continuará indecifrável por séculos. Então temos que aceitar que esse círculo vicioso fez muito bem; cumpriu muito bem seu papel, afinal, hoje, se fosse possível que os tornássemos órfãos desses pais postiços, o processo todo seria ainda pior.


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Organismos escravagistas. . . II



. . . instrumentos tornados necessário

Até quando iremos ignorar que a política de manter o povo ignorante não está dando certo, e mais; como se pode estar certo de que, de um momento para outro essa massa que ignora não adquirirá força suficiente para romper as amarras que a conduz sob o jugo de alguns poucos que a mantém acabrestada? 

Algumas poucas instituições adaptaram a lucrativa política da escravidão para seus negócios escusos amparados inicialmente em leis ou criando uma falsa necessidade no povo, e o fizeram de uma tal forma, usando um princípio de engenho poderosíssimo, que hoje já não é mais possível que sejam desmanteladas essas instituições. Foi criada uma tal dependência; foi gerado uma superfície exageradamente vil fora de seus domínios que seus escravizados, - e ainda que eles não saibam – estariam ainda pior fora dessas organizações, cujos muros contém ares tão perniciosos hoje quanto aqueles respirados externamente.


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Organismos escravagistas. . . III



. . . instrumentos tornados necessário

Mantra da hipocrisia

O mundo evoluiu mais do que pudemos perceber, e isso deveria ser motivo de comemoração, afinal nós nos superamos, mas ao contrário, isso é decepcionante.

Nossa criação corre a nossa frente; e como pode isso?

Tanto é difícil de ser explicado quanto tarda o acerto de isso ser entendido. E ainda não é esse nosso mal maior,  porém outro: o de nos livrar de uma vez por todas de famigerados vórtices que mantém pessoas recitando mantras de velhas ideologias quando estas atendem apenas a grupos que não entendem que perturbar ou mesmo interferir na vontade alheia é sinal de desrespeito e que isso se torna, ao final, superior ao seu mantra da hipocrisia. 


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sábado, 21 de novembro de 2015

Sã e insã



...então ela disse algo incomum ao comum, e tão incompreensível quanto belo em tempos de auto explosões radicais – literais ou mentais, insanas, iradas e impetuosas: “Sou mais feliz sofrendo junto com aqueles que aqui nasceram; sinto-me melhor. Uma espécie, uma sensação de... menos culpada. Que felicidade há em ser feliz sozinha?... aproveitar o que se conquistou dentro de uma célula exclusiva?... isso parece um pouco egoísta. Ou é todos ou é ninguém... como olhar para trás e avistar... imaginar um único injustiçado e continuar sorrindo!”.

Contribuição da MSBAmada


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Propedêutica comutada



Ainda que o processo inicial caminhe da exposição e explicação e daí evolua para o enxuto e despretensioso e minimamente precisado... pôr-se a relatar o que pensa: quem muito pensa, aos poucos, naturalmente, diverge para considerações exclusivas, que acabam por abafar ideias outras de mais fácil entendimento ao todo generalizado; que poderiam então ser entendidas de pronto se decifradas; servir de ferramenta para decodificar as inegavelmente densas e indecifráveis a curto prazo.

...quando é atingido então o estágio do desentendimento; passa-se, quando presta, à fase da contemplação.

Se não há o hiato entre o entendimento e a contemplação; ambos já habitam o mesmo plano; mas na inexistência; no “não haver” desse coabitar metafísico, também ocorre a contemplação; é inegável que há uma desconexão entre aqueles que apenas apreciam o belo e a ferramenta que nasceu para executá-lo; porém, não há a compreensão do como se dá o processo na sua magnitude.

*


Niilismo literário - O bom escritor, o bom autor é um niilista desses que provocam o caos, a derrocada dos pensamentos até então comuns; sim, porque ao nos depararmos com um bom texto, com uma boa obra, é causado em nós uma revolução a tal nível que não nos é mais possível insistir com ideias níveis abaixo do agora acessado.


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Da série; “interessante”



É no mínimo curioso observar a anotação de certos aforismos. A agitação contida, ou a atividade que eles provocam. Onde o sujeito aceita e assume a culpa; enquanto outros vociferam: em qual dos grupos nos encaixamos; daqueles apenas culpados ou no conjunto dos ainda animalizados!?!


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A segurança que trai

Cuidado, em algumas situações a segurança pode se revelar uma perigosa companheira; a moderação sempre será bem vinda e não pode ser posta de lado quando ainda não temos a certeza sobre a diferença existente entre o convencimento ilusório e a confiança consolidada.


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Quando a pureza se perdeu


Para se ser também um modelo de simpatia - ainda que pouco importe; é preciso conhecer, ter seu entendimento expandido para além de seus domínios para então ser um modelo na arte escolhida para fazer a diferença. E, ou, quando o sendo por conhecimento de causa; superar as pretensões vãs que afloram ao fazer a diferença. Porque é somente quando não se leva em consideração ser diferente que fazemos a diferença. Daí nasce o modelo genuíno tornado cânone, digno de interesse, ainda que isso não busque aquele que se quer um ícone que preste.

O modelo, aquele que temos como um espelho para nossos ideais, não raro é atacado por maneirismos e excentricismos que mais são suportados que aceito; como seria o modelo que assim não se acha; não se quer, ainda que a isso se dedique, ou seja, a dar um sabor a mais, ou diferente ao já apreciado mantendo-se impoluto?


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sábado, 14 de novembro de 2015

Atalhos




Não há mérito algum em ser um pensador, um filósofo; a coisa toda já é. Este apenas “acorda” antes, é um prematuro, talvez venha daí sua fragilidade

Não raro morre um bufão até que o exumem e lhe deem aos ossos um mausoléu.


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Arquivo vivo/Arquivo morto





Não precisamos aprender por estar grafado, mas para apreender... apenas isso não basta.


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Fracos de compreensão


Fora de uma corporação, fazer-se compreender é para os fracos; apenas os fracos buscam que o compreendam.

Uma homenagem a Heráclito
que pouco se esforçou
para que o compreendessem.



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Liberdade de expressão




Não raro, 
é o que nos é inapropriado, justamente, 
o que nos é deixado à mostra.





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Crítica vã - Uma homenagem

Um argumento infantil não pode ser redarguido, deixamo-lo, por se entender a inutilidade de fazê-lo.

Não há limites à criação, e ainda que uma razoabilidade seja necessária, é muito provável que ela jamais seja entendida na sua extensão.


A busca deve se concentrar em atingir esse voo além das nuvens que provocam o ruído; compreende ser isto próprio delas? O atritar da matéria... têm elas a ciência limitada a sua natureza de fazer chover. Cabe ao que sabe... calar.

Pensei esse texto após ler a carta de Salman Rushdie,
transcrita abaixo,
por ocasião da abertura do
Parlamento Internacional de Escritores.

*

O texto abaixo é de autoria de Salman Rushdie que integra o livro “A força da palavra” de Betty Milan.

O autor de “Os versos satânicos” redige à época, uma Declaração de Independência, a carta de princípios do Parlamento:
Esse, criado depois da condenação de Rushdie, que passou a viver na clandestinidade, em junho de 1993, concomitante a uma atrocidade se par, onde vários escritores são assassinados na Argélia. Face a esses crimes, um grupo de cinquenta escritores e intelectuais europeus e americanos, apoiando-se numa ideia do sociólogo francês Pierre Bourdieu, que propõe a fundação do Parlamento Internacional dos Escritores (International Parliament of Writers - IPW).

O apelo é enviado a mais de duzentos escritores do mundo inteiro e aceito unanimemente.

Reivindicando a autonomia da literatura em relação aos diferentes poderes e insistindo na necessidade de uma estrutura capaz de organizar um movimento de solidariedade internacional, o grupo funda o parlamento em novembro de 1993.

O trabalho do Parlamento exige instâncias de deliberação e de execução. Isso resulta na criação de um Conselho, presidido por Salman Rushdie e composto por Adonis (poeta libanês), Breyten Breytenbach (escritor sul-africano), Carlos Fuentes (escritor mexicano), Édouard Glissant (escritor martinicano), Jacques Derrida (filósofo francês), Pierre Bourdieu (sociólogo francês) e Toni Morrison (escritora americana).


“Os escritores são os cidadãos de muitos países – o país limitado e ladeado pelas fronteiras da realidade observável e da vida cotidiana, o reino infinito da imaginação, a terra semiperdida da memória, as federações do coração simultaneamente incandescentes e geladas, os estados unidos do espírito (calmos e turbulentos, largos e estreitos, regulados e desregulados), as nações celestes e infernais do desejo e, talvez a mais importante das nossas moradas, a república sem entraves da língua.
São esses países que o nosso Parlamento dos Escritores pode, sinceramente, e com tanta humildade quanto orgulho, pretender representar. Em conjunto, eles englobam um território bem maior do que o jamais governado por qualquer potência terrestre; no entanto, as suas defesas contra esse poder podem parecer muito fracas.
A arte da literatura exige, como condição essencial, que o escritor possa circular entre aqueles numerosos países como bem entender, sem necessidade de passaporte ou visto, fazendo o que quiser com eles e consigo mesmo. Nós somos mineiros, ourives, homens sinceros e mentirosos, bufões e chefes, mestiços e bastardos, pais e amantes, arquitetos e demolidores. O espírito criador, por natureza, não tem limites nem fronteiras, rejeita a autoridade dos censores e dos tabus. É por essa razão que ele é frequentemente tratado como inimigo por potentados fortes ou insignificantes, os quais atacam a arte por construir imagens do mundo que ferem ou sabotam as suas próprias representações, mais simples e menos francas.
No entanto, não é a arte que é fraca, os artistas é que são vulneráveis. A poesia de Ovídio sobreviveu; a vida de Ovídio foi miserável por causa dos poderosos. A poesia de Mandelstamm continua viva; o poeta foi assassinado pelo tirano que ele ousou nomear. Hoje, no mundo inteiro, a literatura continua a se opor à tirania – não de maneira polêmica, mas negando-lhe a autoridade, trilhando o seu próprio caminho, declarando a sua independência. O melhor da literatura ficará, mas nós não podemos esperar do futuro que ele a libere das cadeias da censura. Muitos autores perseguidos também sobreviverão, de uma ou de outra maneira, mas nós não podemos esperar em silêncio o fim de sua perseguição.
O nosso Parlamento dos Escritores existe para lutar pelos escritores oprimidos e contra todos os que os perseguem – a eles e a suas obras – e para renovar incessantemente a declaração de independência, sem a qual a escrita é impossível; e não somente a escrita, mas o sonho; e não somente o sonho, mas o pensamento; e não somente o pensamento, mas a própria liberdade.”

Salman Rushdie

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Acordo



Em sociedade, é bastante natural que as pessoas se permitam caladas; e onde muitos imaginam que esse frágil equilíbrio advém apenas da educação, águas mais profundas entregam a bonomia covarde, semente da classe da não evolução. 

Par e passo a política da industrialização, viemos caminhando e afunilando para uma espécie de comportamento conveniente e pernicioso à nossa convivência. Atitude essa, que ganhou força, estabelecendo-se, na mesma proporção que, anula, deteriorando a nós como indivíduos nestes tempos que orgulhosamente propagandeamos como era moderna. Nos suportando sob a máscara do, “vou te enganar; porque alcançamos o estado onde não temos mais vergonha de nos auto propor isso, de nos permitir pelo simples fato de que estamos juntos e atolados nessa filosofia de conveniência hipócrita” – e nessa cadeia nos permitimos às mais pérfidas liberdades. Porém, imaginando e confessando para nós mesmos que devemos; que precisamos aceitar e concordar por entender que chegará a nossa hora de “cobrar o favor”; necessitaremos da troca; da cobrança, - até do revide - onde o outro, antes algoz, pode (agora obrigado) fazer o papel de refém por ter batido à porta e nos submetido ao que nem sempre passa de um capricho seu, um abuso, uma invasão; de sua fraqueza no que quer que seja, por não avaliar sua necessidade camuflada então em velado – desconhecido ou infame - “desrespeito”, transformada em conivência, agora, mimetizada na imperceptibilidade convenientemente ajustada – aceita – entre ambos.

Nos acostumamos a isso; incorporamos à nossa natureza fraca esse aconchegar-se enjoado – essa negociada “harmonia de ocasião”. Nem podemos afirmar que aceitamos, por ser essa a nova forma – tendência - social; pois somado a nossa histórica falta de raciocínio aceitamos essa mecânica como alternativa outra de convivência social, onde nos queremos queridos, amáveis, envoltos em uma película extremamente fina que, quando rompida, caso alguém não concorde com nossas necessidades podres, mostraremos toda a revolta da não aceitação represada, todo o nosso ódio, o nosso enjoo até então escondido, porque, um dos pilares desse verniz nojento é não receber um não como resposta; portanto, não pode haver aqueles que assim não pensam – dissidentes que possam viver bem fora desse ambiente pesado.

Estes poucos então, por raciocinar e cientes de todo esse processo, tentam viver reclusos, - não porque são especiais, ou porque não os amam, (até o fazem mais) - mas porque entendem que para haver uma sociedade justa deve antes haver o respeito espacial, hoje, totalmente esquecido - porém esses precisam ficar longe do todo costumeiro a essa cultura, porque do contrario, não serão poupados, simplesmente por não concordar com esse sistema invasivo e desrespeitoso – tornado mesquinho em alguns casos; então escolhem a reclusão. Mas essa também é uma escolha difícil, porque o grupo maior não aceita ou não quer entender que pode alguns poucos pensar melhor, ou diferente do todo maior; como pode ser? Questionam. Como podem existir alguns pacatos vizinhos que não aceitam ser obrigados a concordar com sua nova e vencedora forma mentirosa de sociedade!

E assim continuamos, e nos parece que tão logo, também esse pensar equivocado não será abandonado, dando lugar enfim a uma conscientização de que essa cultura confusa não será possível para sempre; é certo que não vingará; além de seus próprios muros ilusórios, essa forma de convivência de alguns nichos sociais que precisam, devido ao seu estado econômico, viverem como vizinhos. Aliás, é mais do que certo que isso não poderá nos levar a uma convivência harmoniosa, porque antes de tudo deve haver a educação e então o respeito, não podemos chegar para o nosso vizinho e impor – de forma dissimulada, por saber que não dirá não, que aceitará a proposta desavergonhada por polidez – uma vontade, um capricho nosso imaginando que também o faremos (pior ainda quando sabe que não o faremos) na nossa vez, como se ambos assinassem e trocassem promissórias invisíveis, compromissos negociáveis ainda que existente apenas no comprometimento invisível, tornado obrigatório por conta de velados ardis. É preciso conversar e dizer sim ou não com clareza, e é preciso também que, em havendo o consenso, dentro da sensatez necessária, que não seja negligenciado o respeito; mas principalmente respeitar a vontade do outro, sem rusga, como adultos civilizados e conscientes, entendendo todos que comunidade alguma cresce sobre o pilar apenas do favor, ou pior, do favor ao que se prevalece à sociedade.


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