domingo, 30 de setembro de 2012

Sentimento é bom, mesmo que enxertado




Existirão quem sabe, em algum tempo, disciplinas que didatizem os sentimentos?

Por mais triste que esta questão possa ser, por maiores que sejam as contradições que ela possa conter; devemos entender que em tempos de desvaloração do poder do coração, talvez a única saída seja inaugurarmos uma escola onde iniciemos uma disciplina que ensine o significado do sentir.

É certo que a primeira vista isto soe demasiadamente frio, e até agressivo, porém esta ideia pode ser explicada.

Temos que nossa convivência é, principalmente, uma somatória de fatos e acontecimento. De histórias que nasceram e se entrelaçaram, de acertos e convenções que cada um, cada grupo, cada país, foi desenvolvendo, adequando e aceitando como certa; possível ou obrigada, mas se bem analisarmos os sentimentos vieram a reboque, acompanharam a história a margem. É certo também, que participaram.

 Temos relatos clássicos, vivos e pulsantes de ações onde o motor principal: a paixão; foi o que deu o tom. Deu início a uma avassaladora soma de sentimentos, de energias concentradas que culminaram em acontecimentos que mudaram resultados, alterando caminhos e histórias. Ok, é preciso que isto não seja esquecido e mais, seja respeitado; mas, e estes sentimentos sempre serão assim despertados? - seja em conjunto ou individualmente. Apenas como um tempero dos acontecimentos que entornam ou equilibram os pratos? Como se respeita o velho guarda-chuva atrás da porta que se sabe o terá sempre à mão na precisão?

Estamos a falar daqueles que não apenas desconhecem os sentimentos existentes encoberto pela camada espessa do orgulho, ou mesmo daqueles que sabem da sua existência mas são sempre arredios ao seu toque. Existem outros tantos destes que entendem os sentimentos apenas como preconceito e outras tantas situações que não precisam aqui serem lembradas, será que estas criaturas não poderiam ser tocadas sobre a beleza que é ter sentimentos, sobre a beleza que é ser alguém sensível?

Não é possível saber o que uma escola para enxertar sentimentos, uma escola para despertar sentimentos, uma escola para equilibrar sentimentos, uma escola para desenterrar os sentimentos natos que possuímos e nem mesmo entendemos como utilizá-los, poderia fazer de útil para a humanidade, mas se fizesse o que imaginamos ser possível, haveria um segundo big bang neste universo, algo impossível de ser dimensionado. A ação produzida não apenas corrigiria a rota da humanidade. Mesmo a da Terra – que não descartamos a possibilidade de ter sentimentos - teria que se render a ação inversa a que temos provocado hoje.

Quando então chegaremos à conclusão de que os sentimentos poderão ser estudados e trabalhados de forma a temperarem as nossas vidas tornando-as mais palatáveis.

Quem não entende que isto é uma opção, ou mais, que ela seja urgente?

 

“Vamos prorrogar a existência dos sentimentos”
Bhonachinho
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Portinholas




A forma mais acessível de contatarmos com reinos e planos a nós estranhos sem que se instale a confusão comum em nosso pré julgar, é através das pesquisas.

Por meio do binômio ciência/pesquisa o homem tem acesso a caminhos que, embora viáveis, não podem ser acessados a não ser que os busquemos através da procura exaustiva e dedicada que se dá através da insistência séria e diligente.

É através das pesquisas que cientistas dedicados conseguem fazer com que portinholas de acesso se abram entre a nossa necessidade primária e o plano superior da assistência.
 
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Pensar o pensado




Se alguém pensa melhor do que a gente, não é motivo de preocupação, mas precisamos nos preocupar se não estamos nem mesmo pensando sobre o que ele pensa.
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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Alan Moore



Quando cumprimos a vontade de nosso verdadeiro Eu,
nós estamos inevitavelmente
cumprindo com a vontade do universo.

Cada alma humana é a alma do universo inteiro.

Assim, a coisa mais importante que podemos obter
é o conhecimento do verdadeiro Eu.

Porém uma quantidade assustadora de pessoas tem urgência por ignorar seu Eu.
Isto é horrível, mas ao menos vocês podem entender o desejo de simplesmente desaparecer, com essa consciência, porque é muita responsabilidade possuir uma alma, algo tão precioso.

O que acontece se a quebra? O que acontece se a perde? Não seria melhor anestesiá-la, acalmá-la, destruí-la, para não viver com a dor de lutar por ela e tentar mantê-la pura?

Creio que é por isso que as pessoas mergulham nas drogas, na televisão, em qualquer dos vícios que a cultura nos faz engolir, numa tentativa de destruir qualquer conexão entre nós e a responsabilidade de possuir um Eu.

Alan Moore
The Mindscape of Alan Moore

Alan Moore é um dos mais marcantes, populares e criativos autores britânicos; verdadeiro gênio quando falamos em graphic novels e Mago.

Algumas delas:
Monstro do Pântano, Watchmen, Do Inferno, Lost Girls, A Liga Extraordinária e V de Vingança.

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domingo, 23 de setembro de 2012

Quanto a definições

 
 
 

Somos dados às definições. Até mesmo grandes personagens buscaram deixar as suas opiniões com relação às definições. Definir os grandes momentos da humanidade ou do humano e embora elas sejam de muita importância para o entendimento comum, para a escola que ensina alunos, no sentido genealógico do aprendizado, entendo que diferentemente tudo o que é, tudo o que adquiriu um estado conquistado de superioridade de existir, ou seja, já o é; não precisa mais que especulações de pessoas totalmente formadas existam no sentido de lucubrar desajuizadamente, digredir, aventar sobre o seu verdadeiro significado, ou sobre se este opinador concorda ou não ou mesmo o que pensa ou como pensa o assunto.

Definir arte, amor, família, sentimento, grandes nomes ou clássicos da humanidade ou da história humana em geral no mais das vezes não passa de especulação e portanto perda de tempo, a menos, é claro, que seja para figura em livros de bancos escolares.

Quanto mais insistirmos com as definições, – impensadas ou pensadas apenas no fator vaidade do autor – em encontrar aquele que diga maravilhas sobre o já estabelecido, estará enclausurando a águia, quanto mais se insistir em definições baratas mais remetemos o que nasceu livre à clausura.

Enquanto não entendermos que a mera definição, que a insistência na definição que se busca acertada não passa de uma forma tola na tentativa de possuí-la, esta sempre será a mais clara evidência de que não se a possui.

De alguma maneira básica o que se busca com as definições são somente duas situações, primeiro, tentar com que alguém de grande opinião, ao emitir a sua, mastigue-a, como a ama-de-leite assim o fazia na infância, para que aquele que não aprendeu a pensar, cole, uma resposta ao seu pensamento colcha-de-retalhos-alheios, (não seus) e com isto, enclausure aquilo que é de natureza livre.

Prova aí está que, por conta disto, encontramos uma série de nomenclaturas aprisionando ideias originais aos mal fadados registros que arquivam-nos sob os mais variados títulos ou a famígeros rótulos.

Já em um segundo momento e de maneira intrínseca, o que se busca ao “apertar” alguém – já de natureza fraca por ceder à armadilha, ou à capitular falta humana de atenção, por exemplo – de opinião impar, para que defina o indefinível, é a busca de igualá-lo aos demais. Afinal, embora estes que buscam as definições não saibam, o que se fez indefinível, é superior, e muito, a qualquer um que ouse o exercício da exatificação objetiva, - não por acaso “exatificar” encontra-se muito próximo a “fixar” ou mesmo “limitar”, nos dicionários - porém, devido as razoes humanas que nenhuma razão real desconhece, é sabido de o porque o humano assim age, prostrando-se como opinador, “o definidor” (talvez porque alguns de nós nos posicionemos superiores a todos os movimentos possíveis do universo), e com isto este seja mais um a acabar também preso a armadilha lançada a exaustão por todos àqueles que apenas a isto se prestam ao longo de toda a história, e assim, onde tínhamos os primeiros que pareciam ser bons homens, ao fazerem o que os maus buscavam, temos o que decepciona; devido a este comportar-se, a estes então também, acabaram se emparelhando.

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domingo, 16 de setembro de 2012

Transcendente a natureza

 
 
A questão principal então, diz, falando sério, como um velho pastor, puro, porém ingênuo - se é que eles existam: “é como promover a mudança. Como fazer com que o humano exceda, transcenda sua crença, saia da ilusão e caminhe até o que é?”.
 
Não estranho à colocação, digo que não se preocupe: apenas se ocupe em fazer o que entende por certo; aquilo que tem por fim o melhorar humano, mais não se poderá fazer.
 
Aquele que amadurecer para o que é; para a diferença que soma; para o que transcende: fará o contato.
 
Tudo o mais que aqui assistimos com algum objetivo extra para que se tome partido é para que a elipse do grupo se mantenha ou ganhe algum espaço, e mesmo que isto se dê com a mais honrada intenção, nada garante que haja mais do que se está a mostrar.
 
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Não é força, não é jeito, e tão pouco tem a ver com a natureza... e por ser de dimensão à nós desconhecida... nada há à ser feito.
 
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Lembrando-se de ser original

Todo aquele que alcança a supremacia sobre os demais ao buscar um cargo superior de grande relevância, dificilmente leva consigo a originalidade; a falta de originalidade está diretamente ligada à força, ao tamanho da luta enfrentada – o agir agora mecânico, revela o quanto se peleou para ali estar.
E isto é simples de ser entendido. Não é possível que seja dispensada um mínimo de desatenção ao verdadeiro objetivo em disputa, e por outro lado, a originalidade mecânica pode muito bem ser trabalhada e agregada posteriormente; fingi-la, então, não ofuscará o brilho do cargo conquistado. 
 
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sábado, 8 de setembro de 2012

De alguns livros e de seu conteúdo ímpar

É de grande sorte, a nós míseros mortais endividados, que alguns bons livros sejam comercializados com base na cultura comum dos consumidores, mais por  necessitar o comércio que entes também sejam somados ao consumo ordinário. 

Ao contrário, se fossem avaliados e apreçados pelo conteúdo, somente alguns poucos felizardos cultos e polpudos leitores os possuiriam.

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Nenhum sentido

 
 
Acabamos por descobrir muito tarde que o que faz sentido não faz sentido algum.
 
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Nietzsche & Paulo de Tarso

O expressar exclusivo, diferenciado, pode fazer com que a colocação de algumas palavras leve o próprio autor às lágrimas, embora seja difícil afirmar que todo o analista singular carregue em seu peito, qual seu pensar, um coração de proporções diferenciadas, afinal nem sempre é possível dizer que se trate ele de alguém especial também em sentimentos – embora seja justo registrar que no mais das vezes assim o é: sua sensibilidade é igualmente privilegiada.
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Esta observação inicial tem como intuito chamar a atenção para a disparidade do comportamento, e na consequência: o julgar comum que leva a secção, ao analisar comodista que separa e assim mantém por anos ou mesmo séculos até que uma nova observação sobre algo que sempre foi observado e determinado como possibilidade de via única, - como é o caso aqui, do que parece ser (e o mundo tem como) dois opostos: o apóstolo Paulo de Tarso e o filósofo Friedrich W. Nietzsche - mereça então um ensaio que ouse a união do jamais pensado, e que particularmente nesta situação, que a ousadia busca postulá-los próximos, classificá-los para um mesmo escaninho, ao menos no que diz respeito ao aqui proposto.
Não podemos afirmar a existência de algum grau de ineditismo nestas observações, também pelo fato dá impossibilidade de pesquisar o material disponível a respeito, porém a possibilidade não pode ser descartada; agora também é possível afirmar que, se existir um local (in)adequado para este registro, é aqui; uma página de internet onde é lugar comum, ao menos o anseio democrático à ideias.
Não se pode também culpar estudiosos passados, por situações onde convencionou-se, ficou “determinado” como: “assim é para todo o sempre”, por razoes e motivos históricos, muitas vezes pontual apenas à época, porém que as camadas do tempo acabaram por sedimentar tais determinações agora – ou seria há tanto(?) – inoportunas. Acordos que jamais deveriam passar para séculos seguintes ou acompanhar a transformação histórica que se quer positiva, sem uma avaliação mais criteriosa, tendo ignorado assim o fator básico de que o homem, geração após geração, participa também de um evoluir natural; porém, é fato: sempre que este mecanismo não for respeitado toda a evolução humana está comprometida.
O princípio do entendimento que devemos buscar é simples; uma filosofia das mais práticas possível, – ou ao menos que deveria ser - o propósito, sempre, deve ser: não eliminar o velho, nem mesmo esquecê-lo, porém par e passo a este pensamento, - como se buscasse o equilibrar da balança – não esquecer que: o velho precisa constantemente ser contextualizado, o que não deve acontecer, jamais, é que o velho ensinamento seja eternamente aceito como irrefutável, como uma causa naturalmente vitalícia e (im)posta radicalmente ao longo de um período descabido: continuado e administrado como atual; ainda possível. Como uma lei irrevogável. Isto não serve como opção aceitável ou mesmo viável.
As populações sucedem-se naturalmente superiores, isto é científico, porém este evoluir é achatado devido a ensinamentos arcaicos ou exclusivamente interesseiros, por exemplo. É preciso que as velhas leis sejam adequadas, recicladas constantemente quando assistimos um avolumar-se de falta de opções para os novos caminhos que se descortinam para o existir humano, é preciso então que se estabeleça, que seja formado algum tipo de organização séria e enérgica – não necessariamente adversa, mas aberta ao que vem sendo assistido ao longo de determinado período - para que todo o velho aprendizado sofra a contextualização devida.   
Como repetem sempre aqueles mais centrados a respeito do que foi legado com propriedades à humanidade: era preciso simplesmente, que se atentasse para o fato de que há uma continuidade de vida acontecendo também com o volume deixado, e que à muitos parece estanque, mas ao contrário, trata-se o volume de verdadeiro organismo vivo, independente se estes tantos consideram este material apenas como pertencente à posteridade; tratando-o como um rastro de cometa fadado ao desaparecimento após a partida de seu autor para outro plano. Assim, cabe aos seus contemporâneos vindouros fazer com que, contrariamente as partículas que se dissiparão após a passagem do astro espacial; a obra deixada pelo astro humano permaneça eternamente contextualizável, formando então um rastro de estudiosos de seu caso, e são estes que tornarão o material aparentemente estático, posto, pronto, em um organismo vivo que se transformará ainda mais à medida que outros seres de mesmo naipe aqui aporte.
Seria impossível enumerar a quantidade de autores que tentaram através de defesas verbais ou textuais, credenciar a diversidade existente entre os iluminados Nietzsche e Paulo de Tarso. Este, por sua vez, não vai ingenuamente, ou desavisadamente apontar outra vez a obviedade, mas sim, chamar a atenção para que se atente para as sutilezas destas diversidades. O que está oculto em milenares discussões controversas? Pode que elas não sejam totalmente contrárias, ou tão diversas entre aqueles que assim agem ou parecem sempre discordar.
O que nos é apresentado é o comum manifesto; divergências, o repetir eterno é até bem vindo. Aquele que primeiramente ocorre entre os autores afins e imediatamente ganha força, - mesmo quando estes ainda vivos – da assistência que tanto para o bem quanto para o mal manterão a obra viva - é bom que assim seja, diga-se de passagem, afinal foram as dúvidas e discórdias históricas que geraram parte das expedições, das buscas e descobertas mínimas para um caminhar humano avançado.
É a partir então, desse divergir, deste não encaixe de ideias que, onde temos dois ou três escritores de boa pena não os encontramos todos no mesmo partido político, não os encontramos executando iguais defesas ideológicas, ou então se os compararmos: são tão diversos entre si, tanto em ideias quanto a libertação dos homens, quanto em seguir modismos e esquisitices tão normal a estes tipos. Assim também acontece com pensadores, renomados pesquisadores, religiosos diferenciados, ou velhos estadistas até que se dobrem; vencidos pelo tempo, onde finalmente acabam por depor tolas ideologias e se voltam para coligações para eles impossíveis no calor da juventude, dando lugar a um comportamento mais voltado a conciliação.   
Por alguma razão que não estudei ainda o porquê, as grandes personalidades que tentaram realmente ou ao menos trouxeram para esta existência um querer diferenciado em relação à busca de um acertar-o-passo-humano, sempre divergiram, - não raro, em demasia - em questões próximas, parecida ou comum a ambos; não conseguindo, mesmo sendo pares contemporâneos, ajustar então ideias afins, a fim de equalizar este pensar, transformando o seu pensar singular, porém individual, em um pensar plural; somado, entendendo que a partir desta soma evidenciar-se-ia o ganho qualitativo óbvio. Por outro lado isto já foi posto em outros textos; mas a oportunidade manda repetir.
De alguma maneira, é fato, sempre, com ou sem intenção – afinal não sabemos a que tipo de sorte estavam ou foram regidas – o pensado foi exposto sem que o autor se preocupasse com a mente – agora – comprovadamente menor, inferior, mesquinha, maldosa, perversa, pequena, do leitor/decodificador, ou simplesmente, da massa que de posse também de todas estas (des)qualidades estariam totalmente desamparadas, tanto quanto a obra que ficou a deriva, a mercê destes decodificadores, - atuais, proprietários autorizados e autoridades máximas, eleitos por senhores muitas vezes tão ignóbeis quanto seus leitores – é preciso que se registre que se este foi ou não um ato envolto em algum tipo de aureola de vaidade do autor, menor problema tem ele que seus decifradores caso os resultados não tenham sido “positivos”.
Quando não são contemporâneos, como é o caso que motivou esta construção de ideias; que motivou este texto. Sempre o que nos vem é que a dificuldade de se conseguir resultados que adicione, deve-se ao fato de autores de pensamento contrário estarem carregados, talvez, de orgulhos e sentimentos descabidos ou desproporcionais, bem como, devido a um observar apenas nuclear; nada holístico – pois inteligentes e conhecedores, todos o foram.
Não é possível saber se o segundo autor, aquele que contesta ou que não concorda, entende o que, ao decodificar, dissecar as ideias, buscou exatamente; quais eram os quereres do primeiro. Talvez se isto se desse, pudesse aprender (ou apreender) as colocações “observatícias”, contestadoras, não cerrando então as portas ao pioneiro, por não obter total fundamento, esquecendo que provavelmente, aquele fora prejudicado por estar adiantado ao tempo e sem as devidas ferramentas ou fontes agora disponíveis ao contestador (e o que fazer então?).
Mesmo quando existe uma cultura aproximada, por exemplo, por parte dos novos autores em relação ao conjunto em discussão, a força destes gera uma espécie de bloqueio, entendido muitas vezes como natural por uma unanime plateia, mais por esta não possuir conhecimento suficiente a respeito para fazer uma defesa eficiente, ou contestar algo em defesa do impotente autor. Há aqui então, como resumo, um desperdício de energias; o resultado fica muito aquém das forças envolvidas no processo, pois acaba por não se finalizar acordos que provavelmente catapultariam a consciência, o desenvolvimento humano à esferas de entendimento muitíssimo adiantadas, acertando ou ao menos direcionando o passo humano rumo à níveis que não nos pareceria hoje tão minguados; à índices tão vergonhosos.
Mas é certo que em algumas situações não se pode fazer nada – se não ocorresse como ocorreu não seria maravilhoso; e então voltamos ao marco zero, onde mais uma vez nos damos por vencidos, e esperando - como é prática de nosso gênero. Esperando que sejamos compensado de outra forma, afinal nada pode ser feito quando a humanidade se depara com gigantes alinhados na rinha da existência, cada qual defendendo sua posição; quando nos parece que uma vez mais estes soberbos senhores desenharam na eternidade um quadro também de desperdício como o acima exposto e que nada mostra; onde nada é diferente de outras tantas situações, que muito mais lembram capricho de seres especiais que vieram para expor o que sabiam, independentemente dos resultados ou dos absurdos que cresceriam a partir de suas obras.
Talvez este conjunto de ideias aqui descritas esteja mais voltado para o senso comum, a continuação, ao entendimento deste desentendimento entre os grandes, aqui apontado, - afirmando o: está certo como está - do que remeter a uma questão de cunho discutível. Porém a busca, a intenção maior é expor uma opinião com relação a dois humanos verdadeiramente notáveis; dois exemplos de coragem humana, que fizeram o que fizeram simplesmente porque entendiam, estavam plenamente conscientes, carregados de certezas; as suas certezas - e embora assim sendo, continuaram.
Isto que aqui defendemos de alguma forma é bastante perigoso, porque devemos compreender que mais de nós durante estas centenas de anos assim agimos – e nem todos são modelos a ser seguido, mas esta é outra questão - o fato é que se fossemos um tipo de juiz dando um veredito sobre algo que muitos autores ainda condenam com as mais decididas paixões, precisamos aceitar que ambos devem ser homenageados; jamais tachados de culpados, ou qualquer outro epíteto depreciativo.
Temos aqui Nietzsche e Paulo de Tarso. O primeiro, se buscarmos o registro dos especuladores de plantão veremos em todas as suas observações com relação ao trabalho do segundo uma negativa veemente. E para quem não está acostumado ou não é dado ao pensar proporcional, para Nietzsche, Paulo é o próprio anticristo, ou ao menos o primeiro cristão indicado a vestir este epíteto, e, portanto, um dos disseminadores das piores atrocidades que assolam a humanidade desde então, e o coloca, o classifica, ou o transforma; tirando-o de um semeador do entendimento, de Esperança – A VERDADEIRA – de Vida, de Amor, de Compaixão, Paz... em um promulgador da dor, da morte, da destruição, do desentendimento, mas principalmente: do atraso humano.
O que Paulo queria? Fazer com que o povo entendesse como Ele entendeu a Mensagem do Cristo; só. O que há de errado nisso? Nada. Por que não deu certo? Aí, - neste mesmo ponto, ou este é o ponto em comum que há entre os dois - Nietzsche se engana com relação a Paulo e o mundo se engana com relação a Nietzsche.
Aqui, então, reafirmamos, é o ponto inicial, talvez o único possível até então, onde os dois podem ser emparelhados. É claro que algo assim só pode ser explicitado por alguém partidário dos dois, afinal quando assim é, o que se busca entre os afins é a união, o entendimento a reconciliação, e no caso possível hoje, uma ousada união mesmo que esta se dê de forma atemporal.
Embora de pureza igual, ambos fizeram o que dita esta: seja; aja! E então, foi o que fizeram; apenas agiram.
Paulo, conta a história, abandonou o orgulho político e se lançou no deserto atrás de mudar o comportamento, infundir o Amor na cabeça de homens que as possuíam tão áridas, tão estéreis quanto à própria terra habitada. Ele não se preocupou, e nem deveria, com o resultado, afinal ele viu qua falando em nome do Amor do Cristo por alguns anos, se por um lado entendeu ser o mínimo, a contribuição menor de servo dedicado a fazer, de outro, devia acreditar que, com um avalista do porte de um Santo, nada poderia dar errado, e também se ele, um político, foi modificado, tornando-se uma ovelha, o que as Leis de Deus, anunciadas com Fé não fariam àqueles que ainda mantinham-se puros – e quantos destes não encontraria!?! Pessoas que jamais poderiam imaginar, por exemplo - devido à pureza de espírito ainda manifesta que carregavam - que poder tem um político para fazer o mal. Não poderia dar errado. Não era possível que isto acontecesse, - dada a crença que ele havia testemunhado. Ele afinal, era a prova de que precisava, ninguém precisava dizer-lhe mais nada – mas é claro que Paulo nem mesmo cogitou uma mínima parte disso, Ele deve ter apenas feito, é isto que aconteceu; é isso que pessoas decididas fazem – é preciso que Nietzsche seja avisado – se ainda não o foi - que existe algo de inconsciente na crença cega também daqueles que se tornaram os escolhidos, assim como no orgulho de se estar certo; estar com a razão – embora “razão” e “certeza” são sempre pontos onde todas as assertivas são questionáveis.
Por sua vez, então, Nietzsche fez a mesma coisa com relação ao seu pensar analítico totalmente fora do comum, ou como ele mesmo diz, “pensamentos que já nasceram póstumos”, ele apenas agia, é fato que quem o ler de forma mais apurada entenderá, afora os maus pensamentos de leitor, um orgulho do tamanho da sua obra, porém se pensarmos como humanos comuns: qualquer um o faria. Quem em sã consciência, e partidário do seu pensar não se orgulha apenas de entendê-lo parcamente, como então não se orgulhar sendo o autor, o divulgador ao mundo de tal erupção vulcânica de pensar. E é preciso entender melhor isto. Podemos até negligenciar sua obra, podemos até condená-la ao pior desejo, do pior dos seus detratores, porém algo não pode ser negado jamais: a partir de Nietzsche: que poderes de pensar têm; carrega dentro o homem!?! Isto é inegável, e isto é só dele, e quem sabe de uma meia dúzia de privilegiados.
Agora é preciso entender que o orgulho do Filósofo de Röcken fez toda a diferença, afinal se não fosse ele um apartado do rebanho, jamais daria continuidade a seu pensar nem mesmo durante seus anos de professor.
Ao final, deveríamos entender que não podemos condenar ninguém que de posse de um querer indomável teve a coragem de manter-se firme em seu propósito, muito embora eles – nos parece - não tiveram escolha, partindo do princípio que é inequívoca a existência, em casos específicos, de um Poder Maior ainda a nós desconhecido, ou a poucos revelado, agindo, ou ao menos contribuindo; observando.
Quando algo assim é proposto, o nosso cérebro é fraco demais para comandar uma negação; o processo todo é muitíssimo superior ao poder humano já alcançado. Nosso cérebro nestas situações é fraco, está aquém das necessidades para que sejam realizadas tarefas de tão significante monta, o cérebro então é trabalhado de forma exclusiva, que conexões, falando toscamente, jamais sonhada por especialistas, são ajustadas, de maneira também singular; são alcançados ajustes finíssimos, e essas modulações somente são possíveis em seres especiais, e estão afinadas para que estes homens distintos consigam um mínimo de adaptação quando de sua movimentação entre seus iguais – não é raro que sejam condenados a imundos abrigos como loucos, porém este é outro assunto.
O importante é que em algum momento se aprenda sobre a grandiosidade de todo o trabalho, - mesmo que tardiamente; o fato de nascermos ainda em meio ao atraso cobra o ônus devido de voltas e voltas em tordo do desconhecido; ou o de não se ter petulância nenhuma ou adequada para acessar considerável monumento de ideias - e quanto mais há se observado o processo em toda a sua amplitude, afinal estamos falando de um mísero acesso a um todo minimamente desvendado. Para ilustrar isto, basta que pensemos em um almoço elaborado de algum tipo de bodas qualquer - aquele que passou por isto sabe do que estamos falando – voltando então ao fator “proporção”, é fácil entender que volume, que grau de comprometimento e complexidade precisa ser atingida para que seja depositado no planeta seres da envergadura a que se relaciona este texto.
Nosso cérebro então não foi constituído; nem de longe está pronto para aceitar pressão tão díspar, ele é fraco, este é o ponto, para comandar uma negação a algo de natureza totalmente incompreensível ou adversa. É fato também que pode haver aqui um tipo de discrepância, (normal e perfeitamente aceitável devido à indestrinçabilidade do assunto) mas era preciso entender que, se Paulo tentou levar um pouco além do tempo curtíssimo do Cristo a Mensagem do Amor; Nietzsche por sua vez, tendo observado que a população dorme, encontrou a “sua” forma de “acordá-la”. E só Deus sabe com ele tentou.
Ele cutucou, - como um chato insistente, e de todas as maneiras. E devemos agradecer, antes de tudo, a este benfeitor humano, ao seu espírito generoso. Parece-nos que ele não guardou nada para si, distribuiu sua chatice - como dizem alguns de pensamento mesquinho - de todas as formas possíveis. O que nos resta; é extasiar-nos, - mesmo que em algumas situações nem saibamos o porquê, somos ótimos nisto; o fazemos porque mais de nós estão a fazer - afinal sem saber(!?!), ele estava sendo condescendente com a humanidade.
Ao final, em algum ponto é possível entender que poderemos, ainda, cada um de nós, ser surpreendido pela existência afora. A partir de Nietzsche, Paulo de Tarso e tantos outros; portais insondáveis são abertos à visitação, e de posse deste entendimento podemos ter a certeza, aqui valendo-se, pegando carona em uma das defesas símbolo do filósofo, o Eterno Retorno, que o homem tem em algum lugar dentro de si espaço e poder suficiente para suplantar o comum.
Obrigado Paulo, obrigado Nietzsche.
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domingo, 2 de setembro de 2012

Distúrbio ótico


 
 
O filósofo; o pensador percorre uma elipse maior, ou melhor, seu caminhar descreve uma elipse, um trajeto maior para atingir determinado ponto de encontro com os demais do grupo, disto invariavelmente ocorre que jamais chega ou então se atrasa... não raro, desiste.
 
Enquanto aqueles de quereres superficial mantém o foco em algum alvo qualquer que os distraiam, mesmo que estes os tenham como um objetivo de valor inegociável, o postulante a um observar mais demorado; ao essencial, quer alcance ou não este mesmo objetivo, o fará muito posteriormente àqueles que enxergavam na ação escolhida, o objetivo, muitas vezes, repetindo, primordial daquela etapa de suas vidas.
 
A diferença está em como se chega a este ponto.
 
Para aquele que entende haver mais no caminho que apenas uma distância entre o querer e o objetivo, o caminhar se faz lento; entende ele, como um catador de luxo, que algumas peças que pareciam insignificantes para a maioria, ou nada mais do que mera distração a ser observada sem muita perda de tempo, torna-se sempre objeto, no mínimo, de um prestar atenção mais demorado, buscando entender se há ou não algum significado maior, se há ou não um objetivo maior de o porque aquilo está se doando ao transeunte, principalmente porque em algumas situações naquele ponto da estrada, ou naquele caminho: tem-se a certeza de que somente passam andarilhos relapsos.  
 
Este pinçar, este analisar então, é demorado e acaba atrasando o caminhante mais atencioso.
 
Durante toda uma existência isto ocorre em abundância, por isso é quase impossível que um observador nato alcance os mesmos objetivos daqueles que tem no objetivo escolhido seu foco principal. E por terem sido treinados para isto, deles não se distraem - distraem-se é certo, com outras banalidades, mas estas são ainda mais fugazes que o objetivo que se tem como principal, e por serem adequadas ao caminhar, já estarem incorporadas par-e-passo com o caminhar traçado, acabam ocorrendo de maneira que mais amenizam que prejudicam o traçado antes da conquista, antes do alvo ser atingido.
 
Vem daí também, o motivo de o porquê, assistimos tantas comemorações. Elas são frequentes porque frequentes são as conquistas, elas são rápidas e estão se formando novos motivos para iniciar uma nova busca a todo o instante. Mesmo na comemoração de alguma, já se comemora, aproveitando o momento, o iniciar de outra, e todos comungam este espírito vencedor, conquistador, até alguns que estão sempre por ali, e nunca conquistaram muita coisa além do fato de ali estar, comemoram junto. É preciso entender que mesmo aqueles que estão ali apenas para fazer número devem ser aceitos, afinal todos entendem o quão equânime é o distinto grupo, e se ele nada conquista, mas vibra, é quorum para que a festa de comemoração seja um sucesso, deve-se observar nisso a simpatia dos vencedores, os conquistadores não são mesquinhos; todos somos iguais.  
 
Muito atrasado, em algumas situações, quando a grande festa dos vencedores não passa de um arquivo qualquer daqueles que mantém apenas as fotos esquecidas que registraram um momento de vitória, chega àquele que observou o caminho. Está feliz pela conquista, - mas também ele é um inconformado ansioso e por assim ser, pouco comemora – seu foco, seu alvo também já foi desviado - as observações ao longo da estrada acabaram por desviar sua atenção do objetivo anterior – então, mais uma vez não consegue comemorar o alcançado como deveria, ou como dita a lei da comemoração. Demorou tanto que sua chegada perdeu o sentido, ao menos não irá decepcionar ninguém, pois a ninguém prometeu festa ou insinuou que estava participando de alguma empreitada.
 
Alguém disse que “o filósofo é odiado e destratado ao longo de toda a existência pelo comando geral que se quer tão grande quanto seu ignorar de quão pequeno é”.
 
E este destrato não se dá apenas pela incompreensão, pelo que é conhecido como medo ou aversão ao que se desconhece. Por algum motivo de difícil explicação, - teríamos que recorrer a compêndios externos que explicam o que é inexplicável ao comum – aqueles que comandam sabem que sua antipatia pelo filósofo não se dá apenas por não compreendê-lo; em algum lugar seu, existe uma luz piscando, um sinalizador, uma placa de alerta indicando intermitentemente, e para sempre que o caminho por eles escolhidos para seus seguidores nunca foi o mais acertado. E este sinal de alerta somente será eliminado, apagado, retirado, quando aquele que tem o poder sobre as conquistas fúteis observar o que observa hoje o filósofo.
 
Este então é o castigo maior para aqueles que se entendem além do bem e do mal e ditam as leis neste estado; este é o motivo de torcerem o nariz para o que observa o caminho, para o que mantém o foco apenas nos alvos que sua vista privilegiada alcança, em suma, uma boa parcela do todo ativo é totalmente, ou míope o suficiente para entender apenas o alvo comum à sua miopia, e não existe um mecanismo ou algum tipo de aparelho que os façam enxergar além, porém há uma desconfiança de que há mais, e por sua vez: o odiar àqueles que afirmam isto por não sofrerem do mesmo distúrbio ótico.
 
Uma vez são; não é possível explicar ao míope nato como é ver o mundo caso não fosse doente.
 
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A verdade não existe*


A verdade como a conhecemos, como nos foi ensinada não existe fora do nosso plano; ou dentro de uma comunidade ou uma sociedade que se quer correta; a um grupo que entende a evolução do homem olhando-a, alinhada aos Grandes Mestres do Existir.
O processo verdade somente existe porque nós somos falhos, somos ignorantes ao saber, ao acreditar que tudo o que aqui temos é nada. E isto se dá devido ao processo de poder, de conquista de poder que nasceu nos primórdios, quando os primeiros indivíduos da espécie entenderam que este processo de criar algo superior automaticamente tornava superior também seu criador.
Isto nasceu quando o homem entendeu-se superior ao processo de criação, ao processo que o criou; a partir do momento em que iniciou-se a ilusória tomada de consciência de que ele era superior a todo o universo habitável e não habitável, negligenciando até mesmo o mundo imaterial.
Daí nasceu a ação de iludir, de ludibriar, e então, a mentira e consequentemente seu oposto; a verdade – porém a verdade não nasceu, ela sempre existiu, o fato, a ocorrência, a ação do caminhar continuado é fruto da gene da existência, portanto a verdade é a negação da mentira, e somente pode fazer sentido aquele que não entende que ela é um apêndice criado a partir da necessidade do homem conquistar.
Ambas então: são resultantes de um processo humano de conquista de poder. Se ao contrário, virmos a tratar de essência, do que é, do que está estabelecido, não existe verdade ou mentira, existe o conhecimento, a passagem de conhecimento do velho ao novo, ao que ignora.
O novo não desacredita porque não lhe é inculcado o vírus do não é, do não ser, o conhecimento que é passado ao que chega, e é feito em toda a sua plenitude, não o é dando com intenções de interesse e passagem de conhecimento do maior para o menor quando a relação mestre/discípulo segue o curso livre envolto em aura de pureza; da essência. Não é prometido que de posse desse conhecimento tornar-se-á o novo: mais poderoso.
Quando então se atinge um estado de consciência plena, tudo faz parte de um processo normal de ser, não existe o não ser, por isso não existe o conceito de não ser, de descrença e obviamente de mentira e verdade, estes conceitos falhos são apenas para nós enquanto momentaneamente humanos e ainda falhos como tal.
*O conceito verdade que tem como oposição a mentira ou o não é.
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“Faceoff”


 
 
As redes social se proliferaram de alguma forma porque as fronteiras foram extintas, “nós” e “eles” estamos novamente “juntos”, a sociedade está outra vez unida porém com uma diferença, eu faço parte de teu ciclo de amizades; social, embora com uma condição, você lá e eu cá, ou seja, estamos todos engajados como sociedade, estamos cumprindo nosso papel social, eu aceito mais e tenho muitos amigos (seguidores) embora, ou contanto que, não preciso ter contato com eles, contanto que não precise olhá-los nos olhos.
 
Adicione-os através da rede; é a melhor forma de tê-los, de cumprir seu compromisso social sem ter que olhá-los nos olhos.
 
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Do que assistimos por aí



. . . eles se roçam e se entretém
trocam confidências comuns,
restritas,
e que,
se fazem sentido,
faz sentido apenas
ao gênero ao qual pertencem.
num cocoricar inaudível
e indecifrável aos outros
tramam mesquinharias sórdidas
que a nada levam
que em nada dá
e riem
riem
e se riem
sentem-se felizes
sem ter razão de ser
e sentem-se bem
sentem-se bem se um outro não está
mais ainda se sentem melhor
se fizerem com que o outro fique mal
a alegria pertence ao ignorar
ao triste...
...resta o exercício da compaixão

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