domingo, 24 de novembro de 2013

Autossuperação



  Richard Dawkins conta que durante um programa de entrevistas em uma determinada rádio americana, chamou-lhe a atenção um ouvinte que pareceu o provocar, dizendo que, se Deus não existe - tese defendida farta e abertamente pelo escritor - ele pode sair às ruas e cometer qualquer tipo atroz de crime que nada lhe acontecerá no que diz respeito a “pagamento” ou punição futura. Caso escape das leis comuns à sociedade; pois entende, a partir da explanação de Dawkins, que, a inexistência de Deus o exime de qualquer punição.

Devemos entender que toda esta história é um absurdo, mesmo da parte do autor que garante que a viveu, quanto a do pobre diabo que telefonou-lhe, pois, independente das ideias do primeiro – é certo que cada um pode lançar na mídia o que bem entender, afinal todos tem seus interesses e formas que encontraram de fazer fama ou gastar seu tempo como bem lhe aprouver -; Deus jamais nos corrigirá. Será simplesmente, em algum tempo distante, - em algumas situações é muito distante mesmo – que nós mesmos enfrentaremos nossas consciências (quando finalmente descobrirmos que a possuímos e para que servem), quando enfim entendermos com outras perspectivas que não a limitada mente humana, que então estamos vivos e somos eternos, porém isto não terá nada a ver com Deus, este momento jamais envolverá Deus como alguns de nós O temos devido a garantias terceiras, mas sim, esse encontro se dará, ele será: de nós para nós mesmos. Deveremos chegar a um estado onde Deus finalmente será assimilado pela nossa consciência, (mesmo que continue sendo importante para um determinado grupo e não para outro) e então o ser pensante entenderá finalmente que seus caminhos quando obtusos e egoístas independem do Ser Magnânimo ou ao invés de continuar trilhando apenas o caminho Dele inicie um caminhar com Ele.

O que desagrada mais nesta historieta do ouvinte é sua falta de jeito, afinal devemos buscar uma posição confortável de existir onde nossas atitudes jamais serão o reflexo deste ou daquele amigo, parente, pai, ou Mestre Enviado. Teremos que alcançar um padrão de existência pessoal e único que nem mesmo Deus deverá ditar nosso comportamento, por que em assim sendo, se o fizermos; se moldarmos nosso portar-se mesmo em Deus, significa que ele não é singular, não é nosso, é de alguém outro. 

Por um tempo incontável será louvável que nos espelhemos em grandes nomes e até no Ser Magnânimo que tudo criou para que tenhamos sempre a Alma que preceda a nossa chegada onde quer que seja. Este deve ser um objetivo, mas não o principal. É essencial que ele evidencie o que somos; que façamos com que nosso espírito puro exale a nossa pureza; demonstre a nossa força de vontade, o nosso caráter, que pode ter sido adquirido de incontáveis existências, mas jamais deve ser o que é por estar apenas vinculado a alguém; a um modelo.

Somos únicos, e como tal, devemos conquistar a unicidade verdadeira, plena e total.  

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Zerando



E o Mestre continuou...

        ... e o mais correto seria viver isso a partir de então – é somente a partir de uma apurada conscientização que poderemos apontar um sentido real à vida. Zerar todo o processo pessoal em andamento e com inteligência, - somente alguém com uma inteligência afinada é digno de fazê-lo - reinventar sua vida mesclando o aprendizado que lhe foi útil até então com essa nova consciência de que não temos capacidade suficiente para ir além de nossa evolução pessoal* neste plano – que poderá, ainda assim (dotado dessa consciência superior), ser mínima, diga-se de passagem, e, mesmo que esteja impregnada de razão, deve não ser radical em raciocínios e deixar-se mesclar pela sensibilidade sempre essencial a pavimentar uma vida de sentidos.
 

*Algumas pessoas, buscadores ou curiosos, acabam chegando a conclusão única; comum; de que não é possível ir além da matéria neste plano, e ainda que descubram formas alquímicas ou sensitivas de transgredir as barreiras grotescas que delimitam a matéria, ainda assim descobrem que, independente de o quanto sabem, sempre - uma vez neste plano - estarão conectados radicalmente ao corpo físico que é um limitador inflexivelmente incômodo para as experiências mais sutis.

 

Detalhe do texto “O quão póstumo sou? – Minha Moeda é o Mal”

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Amigo não pesa



Ao amigo não nos pesa dizer sim,
mas ah! Quanto pesa ter um pretenso amigo;
vivemos o dilema de não podermos dizer não
e a inconveniência de
forçadamente aceitar o que nem sempre nos agrada.

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terça-feira, 19 de novembro de 2013

arterisco*



*Não existe arte sem risco
 
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Unanimidade positiva



Em um mundo onde se aprendeu a elogiar por interesse e a criticar por despeito, ninguém conseguiu nos últimos tempos uma unanimidade de opiniões emocionadas e obrigatoriamente sinceras quanto Ayrton Senna.
 
Nossa homenagem aos 20 anos
da última vitória de Ayrton Senna
 
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Isso em 1945



O rádio é o que é não porque exista algo inerentemente vulgar, imbecil ou desonesto em todo o aparato de microfone e transmissores, mas porque todas as transmissões de rádio atuais em todo o mundo estão sob o controle dos governos ou de grandes companhias monopolistas que têm interesse ativo em manter a condição reinante e, portanto, em impedir que o homem comum fique muito inteligente. (…) Cada vez mais, os canais de produção estão sob o controle de burocratas, cujo objetivo é destruir o artista ou, ao menos, castrá-lo.”

 

A Poesia e o Microfone, de George Orwell

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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Utopia



...porém,
se pudéssemos elevar o plano conhecido
à um nível à alguns graus a mais de sutilidade;
à níveis mais espirituais.

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Pessoas que me calam





 
O amigo que a toda conta busca
 silenciar-me
 não o faz,
 tanto quanto
 aqueles que incentivam a expor-me

 
Os tempos mudaram; já se vão longe os dias em que uma boa conversa me animava a continuar a falar ainda mais. As alegrias dos contatos não percebidos. Não percebidos sim; porque não tanto a inocência, porém mais pela falta de entendimento, da não compreensão de como é a maioria dos contatos verbais sem maiores pretensões; sem as seriedades da vida: vagos e quase sempre, estéreis para uma continuidade que acresce, então, jamais foram percebidos com a atenção devida.

Tudo está mudando, e rápido. A cada dia, mais pessoas me calam. Quanto mais elas falam mais elas me calam. Elas não deveriam me dar tempo para pensar, porque, assim que o faço é fácil entender que nossa conversa mais uma vez foi em vão.

Reluto contra um amigo, (alguém mais querido que me pede paciência) mas peço perdão, não é mais possível essa perda de tempo. Ainda que o tempo não exista é preciso calar-se para qualificar o que talvez um dia tenha que ser dito. É sabido que a quantidade nivelará diretamente a qualidade final embora não seja apenas por isto que entendo a necessidade do calar-se e sim porque existe muito ainda daqueles que insistem em que falemos apenas porque têm eles a ânsia vazia de continuarem, a reboque, manifestando-se a exaustão.

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Assim manter-se



De posse de padrões sérios de moral e ética, é relativamente fácil entender-se assim ou assado, ao fazer uma auto avaliação mais demorada sobre si mesmo ou em algum momento especial ponderar positivamente sobre uma atitude de modelo exemplar tomada em detrimento de uma série de outras nada ou não tão nobres; porém a dificuldade real; maior, reside não em saber, ou auto conhecer-se e entender ser capaz de atitudes elevadas, mas sim, conquistar a certeza de que agirá sempre assim. 

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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Alta fidelidade




Usei aqui o título “Alta fidelidade” porque ao ler o texto do senhor Fabio Silvestre Cardoso sobre A. Camus no Rascunho de novembro entendi perfeitamente o seu significado, tanto que resolvi criar este pequeno espaço para também homenagear este homem, singular em suas reflexões, e é claro, parabenizar estas páginas escritas do Fabio, que podemos entender como uma compilação lúcida de idéias e opiniões.
 

Rascunho


 
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Felicidade e idiotia



 
O filósofo Luiz Felipe Pondé ao finalizar uma colocação na TV Cultura no programa Matéria de Capa deste domingo lembrou que devemos ter cuidado, pois através da felicidade podemos ser levados a nos comportar como idiotas. O que é uma verdade, porém é preciso não confundir as coisas e relaxar, não esquecendo também, que existe uma situação ainda pior, que conduz o indivíduo a um estado de contentamento, porém neste caso é preciso ter um pouco mais de cuidado, e isto acontece quando o sujeito está apenas alegre e se entende feliz; no caso esta satisfação, quando exagerada e não percebida, pode, facilmente, ser chamada de idiotia.

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domingo, 10 de novembro de 2013

com.cordância




Eu fico a falar sobre o quão iguais todos somos no sentido inapropriado do existir, e o meu público de nunca mais de dois, por pura simpatia, face-a-face, concorda. Enquanto em seu pensar, na realidade entendendo-se diferente, de mim discorda, ainda que – desatentos - ajam como os personagens da prosa...

...ou talvez por isso.

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Dos contatos com Nosso inseparável Dragão



        Mostre a mim como me conter? Como não chorar? Ou melhor; não me mostre.

        Conto o que sinto e então dirás – mas para isso antes: precisa sentir algo - a partir do meu e não do teu ponto de vista, se deves ou não corrigir sua negativa; sua crítica; seu menear de cabeça contra meu sentimento fraco e consequentemente de meu destempero, meu desequilíbrio frente ao que comove.

         Tome lá então...

        Se o Dragão chega até você; - não é um... é O – e independente se Ele está de bom humor e aparente ser uma iguana doméstica bem alimentada. Você O tem como o É. A águia não perde sua majestade e deixará de ser respeitada por parecer uma chama inofensiva enquanto brinca com seu filhote.

         Com sua baforada benfazeja e secular, totalmente apartada de qualquer humor injusto por carregar Ele a Sabedoria da diferença. Emite sua rara opinião, porém mais; explico. É muito provável que não tenhas notado isto antes de atacar-me: que meu pensamento foi aprovado.

Agora o ponto. Antes de sê-lo, aconteceu aquele que para um simples mortal é o néctar de todo um trabalho que vem se processando a mais de uma década: disse-me Ele que não havia entendido e sugeriu que explicasse... repito, este é o ponto.

        A aprovação posterior era inevitável, (ou melhor no meu entender menos valeria então); e digo que lanço mão aqui de toda a simplicidade possível que eu possa reunir. O bom pai reconhece o apelo do filho entre milhares de outras vozes.

        Senti-me na obrigação então de explicar a você, - um ser ausente de coração, e tão presente em olhos. Contrariado. Mesmo sabendo que sou horrível fazendo isso. E também, não apenas por você e sim por todos aqueles seus parceiros que por não entender o meu sentimento puro fizeram coro contigo desrespeitando tanto a mim quanto ao Meu Mestre Inatingível. E agora talvez eu possa repetir a questão primeira. Entendo que compreendestes e estás pronto tanto para rever seu ar assoberbado de troça quanto à respondê-la: Mostre a mim então como conter-me? Como não chorar? Mas lembre também que isto é retórico, é apenas uma licença poética, o que quero mesmo é que nada fales...

não tente me mostrar nada.

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domingo, 3 de novembro de 2013

Solidão da alma




Dizer querer aplacar minha solidão real e querida não como alguém que se doa e que sente a necessidade de outrem, mas sim para aplacar a sua enquanto busca apanhar ainda mais um – como um sacerdote ávido a igualar sectários. Por não entender como um sujeito desapossado consegue ser só e ainda assim aparentar ter mais do que alguém que se julga um exemplo social e que possui tanto quanto todos, numa mescla confusa de curiosidade e descrença; é tanto não entender quanto deixar a mostra um tipo de egoísmo ainda desconhecido.

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“Fala-nos das roupas”



 
 
“Vossos trajes ocultam muito de vossa beleza,

porém não escondem o que não é belo”

 

                                                                                                                                              O Profeta   

Gibran Khalil Gibran

                                                                                                                                               ACIGI/1980

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