domingo, 15 de fevereiro de 2026

Catástrofe

 









As adversidades são um imperativo intrínseco e condicional ao nosso estado atual da existência; e há muito pouco a se fazer, além de ser de difícil execução, para escapar desse indigesto contexto. Raça, status, poder; nenhum ser humano está minimamente imune a tribulações de toda ordem, nem mesmo em um mísero ano de uma vida octogenária.   










Se se é ousado ou não, se se mantem estagnado, inerte à vida, entregue à espera ou se trata você de um visionário, um empreendedor, mesmo adepto totalmente às leis, ao respeito generalizado; de fé inabalável ou adjudicado ao bem — esses, ao que parece, suportam uma carga extra de perrengues —, a regra dos dissabores atinge a todos.










E somente o conhecimento pode amenizar as inexoráveis ondas de toda sorte e vaticínios que pairam sobre nossos espíritos — ainda que muito do que conhecemos, vem, justamente, dos rescaldos dos sinistros enfrentados e apreendidos à duras penas. 









E podemos imaginar como é perder tudo? Afinal essa é uma realidade que pode atingir mesmo pessoas abastadas; e em se concretizando, era preciso entender que isso não é o fim, e embora se deparar com esse infortúnio estarrecedor, esporadicamente, leve um que outro personagem a loucura, a insanidade ou a desatinos perturbadores; novamente o conhecimento e certa paciência somado a resiliência, poderão tornar o existir de volta aos trilhos, fato que se dá de formas diversas, caso a depressão e o vício não torne tudo mais difícil ou impossível.










As vezes somos obrigados à resiliência, me parece que ser resiliente não é algo a que possamos nos vangloriar — antes é preciso entender que nem sempre se há outra escolha àqueles cuja lucidez não lhe foi tirada —; as pessoas com essa condição, apenas são mais determinadas, menos propensas a preguiça ou a falta de vontade, ou dotadas daquele orgulho bom que instiga ao recomeçar; sob este ponto de vista: essas não são apenas vantagens mas requisitos pessoais, frente ao universo de condições, alinhamentos e perspectivas que nem imaginamos possuir exceto quando de ocorrências calamitosas, onde, independentemente da forma, todos merecem o mais sincero respeito por todo e qualquer desprendimento.










Deveríamos entender que a situação catastrófica que se apresenta, ao contrário do que vemos à primeira vista, aos poucos, se formos minimamente razoáveis ao assumirmos que não há o que fazer e nada vai acontecer se ficarmos lamentando o ocorrido, paulatinamente, a escuridão, obrigatoriamente se dissipará, afinal, ao se perder tudo, há uma oportunidade de começar um caminho novo se a vontade for aplicada com toda a energia que ainda existe naquele que não se deixou abater. Quantos de nós realmente amamos o que fazemos ou gostaríamos de testar novas experiências? Tudo, se observado com algum discernimento, pode ser a porta para nova oportunidade; e nesses infortúnios, ao invés de se perguntar, “por que comigo”, “o que eu fiz para merecer isso”, não é a solução; milhões de pessoas no planeta podem estar em condições ainda piores a que nos encontramos naquele instante, no entanto, resignar-se passivamente também não irá ajudar; quem garante que acontecimentos similares não se dão para, em momentos chaves, nos oferecer oportunidades únicas: mostrando que é hora de nos enxergar além do que vínhamos imaginando ser.










Após um exame mais detido, quem sabe tentar projetos engavetados, ainda que inicialmente se mostrem simples, mesmo baratos, ou apenas sobreviver em condições menos tumultuadas. A reconstrução é difícil, porém possível. Voltando a resiliência, uma das nossas maiores vantagens é que somos criativos e, basta uma fagulha de vontade para fazermos coisas belas acontecerem. A catástrofe que pode nos atingir é uma das melhores oportunidades para reconhecer verdades fáceis a serem finalmente esquecidas para então embarcarmos em recomeço definitivos e auspiciosos.








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