domingo, 8 de setembro de 2013

Espero que não



Após pouco ter entendido do que explanou, falei-lhe, num tom que se deu entre um misto de ameno e conciliador. Sobre o quão importante foi sua conferência, embora sentisse, ao olhar para a assistência, (vi-me na obrigação de observar) que nem todos entenderam a natureza de suas análises (nem mesmo o pouco que havia eu assimilado) a julgar pela falta de comentários ao final.

Estava realmente incomodado; mais, (naquele momento acreditava) devido à falta de participação, ou no mínimo apatia dos demais ouvintes. Em algumas situações a gente se envergonha pelos outros; do comportamento alheio. É uma espécie de escusa, que ao final sabemos; é ineficiente.

Entendeu minha colocação e agradeceu, e, buscando me acalmar, como sempre simpático, assustou-me, dizendo que não o preocupava que não lhe entendessem agora, e afirmou: “Em algum momento futuro, e aos poucos, um a um entenderá que estava certo”. Então se calou.

Fez-se um minuto de silêncio enquanto, ao menos eu, contrito, pensei um pouco melhor no seu discurso, e particularmente, em algo que se encaixou dando um nó em minha mente, e então respondi.

“Espero que estejas errado.”

091.f cqe