domingo, 9 de janeiro de 2011

Raul Seixas, o Ser


Estou incluindo a partir de hoje um novo marcador: Raul Seixas, o Ser.

Não é Raul Seixas o Senhor, não é Raul Seixas Sir, é Ser, de ente, entidade.

Ente tem a ver com existir, com ser. É justamente neste ponto, a partir da idéia de existir, que parte a idéia da criação deste marcador.

Chamar a atenção, ou melhor, mudar o foco do louco Raulzito para o ser a entidade que trabalhava; que agia, nos bastidores, nas coxias; porém somente é possível que o visualizemos, quando retiramos os véus propositadamente inseridos para que o ser real não fosse revelado.

Raul Seixas, o louco, era o homem transado de rato para assim poder copular com as ratazanas que corroem incessantemente as gorduras, as sobras, ou mesmo, quando esfomeadas, acabam fartando-se de matéria nobre, que poderia ter um destino também nobre.

Através da fachada de louco ele pôde então orbitar de maneira menos traumática os três mundos. O mundo Arte, onde ele, ao seu modo criava, distorcia, invertia, traduzia o seu pensar para que então suas idéias fossem transformadas e desta forma então, aceitas pelo mundo sério, controlador e acima de tudo censor, para finalmente poder ser assimilada pelo mundo a que era destinada; o povo.

Agora, aqui, a minha homenagem tem a ver com um quarto mundo, o mundo sério do Raul Seixas ser; comprometido.

Na definição “ser”, na filosofia aristotélica, é aplicada a lógica da construção, da formação, onde um apanhado de matéria pode formar ou se transformar em objetos dispares, ou seja, dependendo do manuseio ou da adição de um número maior ou menor de determinados elementos, combinação ou adição de outros, teremos logicamente objetos únicos, distintos. Disto temos que a matéria separada é matéria, e pode continuar sendo matéria, porém transformada é qualificada e classificada em gêneros diversos. Por exemplo, a farinha, o sal, o açúcar e o fermento separados ainda não constituem o pão.

O ser humano, a construção do ser humano parte do mesmo princípio, muito mais complexo, mas é a mesma coisa.

Aqui entra a minha idéia com relação a modificar nosso pensar com relação ao Raul.

Como não se corromper e mesmo assim fazem com que seu pensar atinja o objetivo principal.

Ao perceber que existia uma única forma de comunicar ao mundo suas idéias, sobreviver fazendo, não apenas o que gostava, mas entendendo que tudo aquilo não poderia ficar guardado apenas para o seu grupo restrito, optou (fez um acordo com ele mesmo) em mostrar-se com uma caricatura alucinada, extrovertida, entendendo que somente assim conseguiria mostrar ao mundo suas idéias revolucionárias, e aqueles incomodados, mesmo contrários, acabariam aceitando seus desaforos, mesmo porque possuíam instrumentos para, de uma hora para outra intervir. Por sua vez sabia que o povo, embora o amasse, a qualquer momento poderia ser lembrado – caso houvesse qualquer avanço sobre a linha divisória - de que seu ídolo panfletário era quase um louco completo.

Ele, até o final, foi o termômetro dele mesmo, sabia que se extrapolasse teria que parar; se mudasse o repertório, a forma de comunicar, se tentasse desvestir a máscara de louco ele estaria fora. Aí temos a maior prova de sua inteligência e de como foi duríssimo manter-se firme em seu propósito, arrisco um palpite de que, continuar a caminhada mantendo-se dentro de um propósito que não lhe abriam portas sérias para contextualizar suas idéias, fazendo com que finalmente estas, fossem analisadas de outro prisma, – o verdadeiro - e assistindo que o povo, objetivo principal de seu pensar continuava apenas rindo de sua arte de seu espectro, sem olhar para a prancheta onde a letra fora depositada, tornou-se seu pior tormento. Não havia conseguido.

Digo que eu vi. Digo que eu vejo.

A idéia então desta homenagem é resgatar este Raul Seixas Ser.

Este ser que, feito do mesmo material que nós, pensou o que ninguém pensou, por outro lado, de uma maneira das mais inteligentes que já vi, passou para o povo este pensar. É verdade que superestimou este povo, imaginou que o povo poderia de forma mágica modificar-se apenas ouvindo a música. Sofreu esta derrota e acredito que descobriu isto muito antes de sua morte, porém não abandonou sua feição burlesca, pois àquela altura, o povo já amava o Raul Seixas caricato.

-0-

Abaixo uma idéia deste trabalho.


Resgatar trechos, citações; das mais contundentes, das mais significativas e, descontruindo-os das músicas, comentando ou não, levantar questão, com a idéia única de que a síntese, o sentido real seja destacado.

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Como eu ia saber?

Trechos da Música

“Como eu ia saber?”
de Raul Seixas

Enquanto eu crescia
Meus cabelos cresciam comigo
E eu me sentia cada vez mais forte
Eu já podia segurar minha guitarra
E tinha certeza de que podia cantar

Mas, hey! como eu ia saber
Que o vento soprava com a chuva?
Hey! como eu ia enxergar
O que eles iam fazer de mim?

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sábado, 8 de janeiro de 2011

Estatística

Na TV, o especialista em meteorologia afirma com convicção acadêmica, baseada em estatísticas, que é apenas um mito, o perigo apontado pelos antigos de que um raio venha atingir a pessoa se estiver segurando uma tesoura ou uma colher dentro de casa durante uma tempestade de raios.

Abro questão então com minha Eterna Bem Amada.

Será correta sua base?

Posso confiar nela e continuar fazendo minhas refeições durante as freqüentes tempestades tropicais de verão?

A estatística mostra que isto não mais acontece, porém isto pode se dar justamente, pelo fato de as pessoas estarem avisadas de que é perigoso segurar talheres durante as tempestades de raios.

Não reside exatamente aí, o fato de não existirem mais pessoas atingidas com raios durante o momento em que seguraram os talheres, por um lado, corroborando assim com as estatísticas, porém, por sua vez, não deveríamos nos atentar para a existência da possibilidade de que elas assim o procedem, - largando suas tesouras - justamente por respeito ao conselho dos antepassados, por puro receio, medo, julgando que os velhos ao nos prevenirem sabiam de inúmeros amigos seus que foram vitimados por este mal horrível de outrora fazendo assim com que as estatísticas em verdade sejam mentirosas ou não propriamente verdadeiras?

Afinal o que as empresas de cunho “escrutinista” não revelam, é se existe uma estatística ou não, questionando as pessoas que se salvaram da tempestade de raios; se elas estavam ou não segurando algum talher durante a tempestade.

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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Covardia



“A ignorância salva

- acode o homem -

em todas

as suas

imperfeições;

com exceção

na covardia”


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Covardia II



“A covardia
 é o ato
 mais inqualificável
 praticado pelo homem,
 de tal forma,
 que nem mesmo
 quando praticada
 contra um covarde
 é justificável”


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domingo, 2 de janeiro de 2011

Pride

Feliz 2011

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Pride II


“Nenhum sofrimento é em vão,
difícil é superar a dor
apenas lembrando esta máxima”

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Respeite a Vida


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Respeite a Vida II


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Ainda um troglodita

“Leio um clássico assim como faço uma refeição preparada por Minha Mulher:
Consciente de que não estou preparado para ambos”

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Produzirá ele também algo?

O homem do ano do jornal Frances Le Monde irá falar.

Passará do que mostrou ser um fantástico operador “Ctrl+C, Ctrl+V”, para um digitador de textos desconhecido.

Ou seja, até agora ele, ao dispor de toneladas de documentos apenas copiava e colava as informações, ou as fofocas, sim porque ainda não entendo por que tanta balburdia, afinal foram somente fofocas diplomáticas, não houve nada de realmente assustador ou comprometedor em suas colagens de um arquivo para outro.

Suas cópias apenas deixaram muitos diplomatas numa tremenda saia justa, coisa que para esses caras-de-pau mancomunados, e rabos-preso... é café pequeno.

Digo que o Sr Julian Paul Assange está diante de uma oportunidade única para mostrar a que veio, poderá manter-se dentro de uma postura séria e compromissada tentando mostrar a população o que só se pode fazer nas entrelinhas; ou deixar-se levar por esta onda gigantesca tão rapidamente formada e jamais imaginada ser possível, afinal o seu nome de um “Mr. Who”, foi cotado, em praticamente meros dois meses de exposição na mídia, ao “Homem do Ano” em varias bancas de apostas, e é claro no “sem nada pra fazer”, Le Monde.

O que quero dizer é que: irá ele se vender barato? Temos já um claro exemplo do que são capazes, ao observarmos o caso do jornal Frances, onde prefere transformá-lo em homem do ano, bajulando-o e indo contra todo um sistema que quer derrubá-lo, dando mostras de que o apóia talvez, apenas para não se tornar um alvo futuro por não saber o que existe por trás de 250.000 páginas de documentos, e quem sabe se tornar alvo das famigeradas: “Ctrl+C, Ctrl+V” da WikiLeakes. E olha que estamos falando da imprensa, é importante que isto seja lembrado.

Fato é que este “ex senhor nada”, pode com suas palavras fazer finalmente o que algumas dezenas ainda não corrompidas gostariam. É certo que será tentado como parece ter feito o Le Monde, imaginando assim talvez mantê-lo ameno, como também o é que: nas últimas décadas não houve um sequer que tenha ousado realmente.

Surpreender-nos-á este?

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Eco e oco


Do contato sempre nocivo por sua natureza influenciadora



O contato é nocivo

A partir do instante que concordo, acredito. . .

Já não mais copio

Digo assim que não disse a frase primeira; copiei

Retorno que o concordar me apropria

O contatado agora é um eco

Como eu o sou daquele dito

Diria então que o contatado é oco...

Isso é o contato...

Influências que não deixam fluir

Uma vontade escancarada talvez não mais seja

Dois séculos aquém alguém ecoou

Ao repetir a falta de valores

Será que esta é uma resposta do eco

Ou seria a vingança da ética

“Cuidado com as más influências”

Conselhos gratuitos

Que nada nos deram

Aliás: deram

Uma conta bastante alta

É o preço pago por não sermos nós mesmos

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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Reflexões de passagem

"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe"
O Wilde

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Reflexões de passagem II

"A cada bela impressão que causamos,
conquistamos um inimigo.
Para ser popular
é indispensável ser medíocre"
                                             O Wilde

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Reflexões de passagem III


"Pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal"

O Wilde

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Felicidade abafada


Alhures

- Vendo-a séria; indagou:

- Você me parece triste!?!
- Respondeu Ela:
- Não estou infeliz; o que fazer,

se vocês não sabem apreciar minha felicidade.


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Química humana

O homem como ser transformador

Estarias bastante próximo da excelência se tua maior dificuldade fosse encontrar alguém em quem depositar sua confiança, porém muito antes disso, tens que vencer seus demônios e sobreviver tentando mostrar que podem confiar em uma lealdade falsa.

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domingo, 12 de dezembro de 2010

Desvalorizando o medo


Já adquirimos consciência suficiente para não termos mais medo,
porém aos poucos deveremos passar pelos perigos que isto significa,
até atingir a liberdade,
objeto principal desta descoberta.

 -0-

Avançamos o suficiente, já é possível hoje, acordar e entender que não precisamos mais viver com medo. Falo do medo real, aquele que nem mesmo é acessado por aficionados que ficam vidrados frente às sangrentas cenas de filmes “b” de terror que arrastam milhões aos cinemas. O que amedronta realmente, o medo que deveria ser eliminado, poucos tem conhecimento, e mesmo este, receio, alguns poucos despertos conseguiram decifrá-lo, mas insisto: a humanidade já avançou o suficiente; fazendo com que o homem disponha de instrumentos que “vazaram”, deixando-o numa posição confortável de não-medo. Sabemos que não é fácil. Por estarem impregnados do medo comum e simplório inculcado de maneira heurística por mais de cinco mil anos, e tendo sua disposição aumentada exponencialmente do final do século XX para hoje, onde, descaradamente, fora lançado mão de métodos que coroam principalmente o sentimento velado da emulação, tão bem dispostos que, num desbotar incessante, acaba mesclando-se, até que, finalmente se funde eclipsando o sentido real do agir; de como é importante mantermos com os iguais um comportamento sensato, cordato, respeitoso. Acordado, estou consciente também de outro porém. Talvez devamos passar ainda pelo verdadeiro inferno, o inferno que aqueles citados acima, que apesar do medo deleitam-se com as cenas sem razão da ficção, quando finalmente deverá a humanidade passar pelos perigos desta descoberta, deste estar consciente, - mas então, sem medo. Vou me distanciar um pouco do chão, e buscar em outras paragens, pegando um gancho naqueles que acreditam que há um depois no intuito de dirimir o inferno acima citado. Talvez, partindo do princípio que existe um depois, e a história de que viemos e voltaremos seja realmente verdade, poderemos costurar com o auxílio deste posto avançado, um despertar longe daqui, alguma espécie de doutrina, uma disciplina onde o pessoal vai se desligando aos poucos, sem muita revolta, a respeito do tempo perdido. Mostrando insistentemente até que percebam finalmente que esta consciência que hoje entendo como preparada, não venha a bater de frente, ao serem apagados os sinais e marcas de propriedade alheia. Entendo que somente assim não haverá sofrimento nesta transição. Fato é que existe o pós medo, e este é o objetivo principal desta. Talvez eu devesse colocar como um autor estes dias para mim explanou: “Nos primórdios mesmo, o medo não existia como agora o conhecemos, no máximo um receio com os animais que deveríamos matar. Foi somente muito mais tarde que o medo foi utilizado – do homem para o homem - como instrumento de castração do existir.” Assim como muitos de nós ainda não sabem como é viver sem medo, também nem imaginam como é, coexistir com o sentimento de liberdade.

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domingo, 5 de dezembro de 2010

Relembrando Millor


Relembrando Millor da década de 80 na Folha de Londrina

“Contou-me que foi humilhada na homilia.”

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Parceria de pensamento


“O metrô sacolejava,
enquanto uma pergunta não me saía da cabeça:
como falar disso, como chegar a isso,
quando pratico o jornalismo literário?
Que tolos são os jornalistas literários,
os críticos, os professores,
que se atêm ao texto, ao estilo,
a gramática, a sintaxe,
a arte da escrita,
e deixem que o mais importante escape!”

José Castello
Rio 1951, Cronista, Crítico e Escritor
Texto do livro, A Literatura na Poltrona

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Do sentido que se escondeu


Ao perceber a diligente dedicação com que alguns profissionais tentam, e para alguns da área em comum até conseguem atingir o objetivo ao passar observações sobre assuntos a que são chamados, e, comparando como no meu caso específico, onde geralmente o faço por hobby, gosto, oportunidade, escolha ou falta de coisa melhor a fazer. Desperta então nosso interesse, a vontade de alguns deles em demonstrar sentido, cavoucando, rodeando em um determinado ponto ou inserindo uma série de adjetivos no intuito de se fazer compreender.

Devemos é claro avaliar, quando possível, quem é o autor. Geralmente, para aquele que possui o habito da leitura de observação, aquela em que não apenas lê-se cegamente o escrito; já não mais restringe sua atenção apenas ao conteúdo óbvio, mas percorre as linhas observando, “lendo” também o interesse maior do autor, a forma escrita, as palavras, a maneira com que são dispostas, enfim, a intenção velada, tanto consciente quanto inconsciente de quem se dispôs a passar o recado, - ensinando, informando ou esclarecendo.

Ao fazer esta analogia dia destes ao ler um texto, - um ensaio ou resenha; não mais me recordo - sobre uma peça de teatro assistida pelo escrevente, percebi, era evidente sua vontade em passar com um enunciado bastante complexo, o sentido. Dar sentido aos seus escritos. Confesso que pouco entendi. Muito fez alusão as suas pretensões, as observações a que emprego agora aqui, afirmo então que mais por ter entendido eu sua vontade – por que não por ter entendido seu querer - do que a minha vontade de insistir no texto até o final.

Como sempre então, não pude deixar passar a sempre presente crítica análoga que me acompanha. Desta vez envolvendo a mim mesmo.

Na mais pura introspecção; apurei quase todo o contexto aqui exposto. De imediato ficou ainda mais claro o porquê da dificuldade que todos nós encontramos ao tentar acessar o interesse externo, o interesse que não está conectado com o rol das conveniências particulares daquele que está a tentar.

O porquê no mais das vezes pessoas se aglutina com pessoas tendo como fim apenas a diversão ou amenidades diárias que não colocam um preço uma atenção mais séria.

Para que se compactue o sério o sério precisa ser amplamente estudado, a distração ao contrário já o é por definição, de natureza mais fácil, prática e obviamente aprazível.

Está aqui então a resposta para uma das minhas infinitas infantis indagações (“III”); se tanto me esmero em dar sentido as minhas colocações por que é então, entendendo ser elas de constituição não apenas firmes, exatas e prioritárias, mas sim constituídas de seriedade impar, que jamais atingi objetivo algum?

A despeito de tudo e também entendendo que meu esforço é nada se voltando ao início, ao considerar minha forma de escrita, aqui, ao contrário, tenho uma satisfação; não falo de peças teatrais, dramaturgia, ou tento convencer leigos ou técnicos a prestarem ainda mais atenção aos abusos televisivos, falo, analiso, procuro dar o maior sentido que há a evolução humana, e digo que não há distração alguma aqui.

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domingo, 21 de novembro de 2010

Transição


Dia destes estive envolvido em longa conversa com um alguém raro que naturalmente me é muito caro, e que já venceu tanto as necessidades físicas tão arraigadas na espécie humana quanto às paixões desprovidas de sentido, bem como as demais que insistem em se manterem vivas mesmo quando o infeliz escravo luta contra suas amarras.

Com um ente assim raríssimo não podemos perder tempo com assuntos paralelos, afinal é uma oportunidade única e não queremos perdê-la, não quando também estamos empenhados em livrar-nos de ações que sabemos há tempos deveriam já não mais fazer parte nem mesmo do nosso pensar.

Por se tratar de um amigo e compreender ele minhas buscas, falamos da existência, de essência, de evolução e dos métodos que aplicou para finalmente atingir um estado de paz e harmonia consigo e com todos ao seu redor.

Pouco do que disse eu já não ouvira. Para as pessoas que chafurdam, escarafuncham em tudo o que é canto, por tanto tempo, tentando acertar o caminho para a liberdade é difícil que alguém consiga apresentar alguma novidade; no máximo uma técnica diferente, um incremento em um ou outro exercício, pequenas dicas, nada mais que isto. Somos sabedores que só existe uma forma aqui junto à matéria: a prática.

Resolvi descrever aqui este momento mágico - é claro que somente eu sei disso - para salientar ou destacar um ponto em especial da nossa longa “aula” - como trata-se Ele, de um Mestre, nada mais justo que definir nossa longa prosa como uma aula.

Contou-me sobre o processo mais difícil de sua passagem. Relatou com detalhes e exemplos, situações que não poderei descrever aqui devido à extensão... Como tínhamos todo o tempo do mundo tudo foi explanado com a morosidade comum aos seres sossegados.

Assim não apenas fez-me compreender, como acalmou, mesmo que minimamente, meu coração, no que diz respeito ao processo muitas vezes longo da transição da paixão, do desejo, para a permanência alienada “consciente”, - embora esta não seja a melhor forma de expressão - em que o ser que busca, ainda insiste no pensamento obstinado da posse e da nova idéia de nada existir, da ilusão total aqui, quando então finalmente está preparado para a descontinuidade da matéria.

Observando-o agora, parece impossível que este novo ser um dia foi um humano escravo do existir.

Enquanto o ouvia, tentei de todas as formas visualizá-lo como um ser comum, mas isso já não é mais possível. Com tudo isso convenci-me ainda mais sobre um pensamento que veio juntar-se a outros tantos que fervilhavam durante todo o período desta incrível experiência, e já vivido em outros momentos tão ricos quanto este, imaginando que ele estaria apenas a jogar comigo, como parte de um exercício, muito comum, aplicados a iniciantes, onde é preparado o ambiente, não apenas para que o “gafanhoto” fique envolvido na aura arranjada, jamais pensada unicamente pelo mestre manifesto, como também para toda uma legião de interessados, mesmo quando se trata de hordas contrárias, - geralmente as mais objetivadas – que naturalmente ali se encontram e acabam participando quando então todos são tocados durante o processo em andamento.

O resultado disso tudo é um “insight” sem precedentes onde nem mesmo conseguimos perceber o que aconteceu. Mas aconteceu.

Não apenas o neófito, todos os envolvidos foram tocados; e o Todo usando o “saniasi” como um aluno/instrumento providencial, não apenas o transformou em um ser melhor como interferiu positivamente tanto no material quanto na essência manifesta.

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sábado, 23 de outubro de 2010

E como um último golpe: o amor


O quanto certo está o singular (neste caso) poeta Nietzsche, quando indaga com uma convicção única e própria, e por ser uma constante na sua escrita é também uma de suas marcas mais forte - a colocação aguda, o questionar contundente, incisivo e acintoso, onde pouco deixa espaço para a réplica.
Aventa então ele sobre o tão lembrado “amor universal”.
E se não pudéssemos afinal fugir do assédio do amor desmedido e a tanto almejado?
Se fossemos então finalmente atingidos/recompensados com este querer milenar o sempre propagado amor verdadeiro entre os homens; seriamos premiados ou amaldiçoados?
O quanto mais peganhentos ainda seria nossos aliados, que mesmo na condição de carentes patológicos poderiam vivenciar um fastiar-se de afagos?
Onde residiria a solidão?
Ou ao contrário, para conseguir-se a solidão seria necessário nascer com algum problema congênito diferente de tudo o que conhecemos, onde mesmo inundados então do mais puro amor ao próximo, o moribundo estaria condenado ao esquecimento.
Inversamente, aos poetas, sobraria apenas questionar o contrário; a necessidade do afastamento; a dificuldade de encontrar alguém que se gostasse de verdade em meio a um amar generalizado e comum.
Não perderíamos para sempre então a mágica do flerte, e talvez até a arriscada e difícil busca pelo ser amado e único?
Não seria entediante se o amor defendido por aqueles tidos por nós como grandes, reinasse enfim?
Ou então, conhecedores do que são ou não são capazes os humanos portadores dos mais variados humores, viram a necessidade da declaração insistente da busca eterna por este tão difícil sentimento, por entenderem o quão contrário a ele parecemos ser?

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Não evolução


Se a pregação maior é amor ao próximo,
o não ao egoísmo.
Significa que em todas as ações devemos pensar antes em como nossos iguais
serão atingidos negativamente com a nossa nova tomada de ação,
ética,
e moralmente falando.
Não estará aí a raiz do nosso atraso?
Talvez não sejamos tão egoístas assim!

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Analogias


“De alguma forma existe uma correlação parecida, contrária e triste entre o amor e a política, nesta uma série de cidadãos insistem em serem os eleitos onde é certo que apenas o fazem por ser esta uma opção certa de ganhos fáceis, embora sempre tentem esconder ao máximo de que seus eleitores lembrem-se desse gigantesco detalhe, bem ao contrário está o amor, onde sabemos que este é o caminho mais correto que pode existir, porém insistimos em desviá-lo pregando exatamente o contrário.”

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domingo, 17 de outubro de 2010

Cães acuados


Cães acuados
As leis são ainda mais severas com aqueles que atrevem-se a ousar
A vontade de ser mais cobra o preço
Mas ah! Como é longo o barbante invisível preso a coleira.
Erram por anos
Engana-se
Enganados aventuram-se imaginando que pensam
Agem com algo que imaginam ser audácia
É pura insolência.
Nada mais que desrespeito.
Atrevem-se erguendo a voz
Não produzem nada além de seus ouvidos
E continuam
Enganados nem mesmo justificam-se
Porém Autoabonam-se, sempre
“Tenha dó de seu despreparo”, aconselha Um
Compadecido e por enxergar além, Outro, insiste, “esqueça”
Mas estamos falando de Leis
Esqueço então; o Universo não
Tão violentos quanto covardes agigantam-se
Pouca coisa os diverte
Mas divertem-se com pouco
E reclamam
Mesmo enganado sobre seu poder
Não foi o suficiente
Como o acéfalo que nocauteia
Ainda um último coice não é perdido
Arrastar-se-ão, espojando-se em seus iguais na matilha
Abundam hienas que riem enquanto devoram fezes
Acoando para nada seguem num inflar mútuo
Nenhuma lágrima daqueles tidos como fracos ficará impune
Multiplicar-se-á em um cêntuplo por cada gota provocada
A dureza então finalmente será forjada
Muito tarde talvez
A dureza forjada é volátil
Apenas aquele que é fraco, força
Vira-se com acochambres oportunistas
Aquele que possui a força não usa os músculos
Usa o cérebro

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terça-feira, 12 de outubro de 2010

João Cabral de Melo Neto


Sempre evitei falar de mim,
falar-me.
Quis falar de coisas.
Mas na seleção dessas coisas
não haverá um falar de mim?


João Cabral de Melo Neto
100b.cqé